O Bitcoin hoje (25) opera em queda e perdeu a região dos US$ 60 mil, pressionado pela força do dólar, pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e por novas saídas dos ETFs à vista. A criptomoeda voltou a testar uma das principais zonas de suporte do ciclo atual.
Por volta das 12h33, o Bitcoin caía 3,02%, cotado a US$ 59.159,62, segundo dados do Google Finance. Durante a sessão, o ativo chegou a ensaiar recuperação acima dos US$ 61 mil, mas voltou a cair com força no início da tarde.
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a região dos US$ 60 mil segue como a principal linha de defesa para o BTC. A perda desse patamar aumenta a cautela no curto prazo, especialmente porque o ativo também voltou a operar abaixo da média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 62,4 mil.
“O mercado vive hoje um claro choque entre fluxo e fundamentos. No curto prazo, os fluxos continuam desfavoráveis. Os ETFs seguem registrando saídas recordes e grande parte da liquidez internacional permanece concentrada nas ações americanas”, afirma Tota.
ETFs ampliam pressão sobre o Bitcoin
O principal fator negativo segue vindo dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos. Na terça-feira (24), os produtos registraram saída líquida de aproximadamente US$ 469 milhões, o maior fluxo negativo desde o início de junho.
No acumulado dos últimos 30 dias, as retiradas já ultrapassam US$ 6,4 bilhões, o pior resultado desde o lançamento desses ETFs em 2024, segundo o Mercado Bitcoin.
A piora interrompe a leitura de que as saídas estavam perdendo força. Caso o ritmo continue, os ETFs devem seguir como uma pressão relevante sobre o preço do Bitcoin no curto prazo.
Dólar forte pesa sobre ativos escassos
A pressão não está restrita ao Bitcoin. O ouro perdeu a marca dos US$ 4 mil por onça e já acumula queda superior a 12% em junho. A prata recua mais de 23% no mesmo período.
A leitura do Mercado Bitcoin é que os chamados ativos escassos estão sendo pressionados pela percepção de que o Federal Reserve pode manter juros elevados por mais tempo. Juros altos fortalecem o dólar, aumentam a atratividade da renda fixa e reduzem o apetite por ativos de risco.
André Franco, CEO da Boost Research, também atribui a queda ao aperto das condições financeiras globais. Segundo ele, o dólar atingiu a máxima em 13 meses, com o índice DXY acima dos 101 pontos.
“O ativo perdeu a zona de demanda de US$ 60.000 a US$ 61.000, que agora vira resistência, e chegou a marcar mínima de cerca de 20 meses em US$ 59.018 antes de se estabilizar”, afirma Franco.
Mais da metade dos BTC está no prejuízo
Apesar da queda, os dados on-chain mostram um ponto relevante para investidores de longo prazo. Segundo o Mercado Bitcoin, apenas 47,5% da oferta de Bitcoin está em lucro. Isso significa que mais da metade dos BTC existentes está abaixo do preço médio de compra de seus atuais detentores.
Esse tipo de cenário ocorreu poucas vezes na história recente. A última foi no fim de 2022, quando o Bitcoin negociava perto de US$ 16,5 mil, região que marcou o fundo do último ciclo de baixa.
Tota pondera que isso não garante que o mercado tenha encontrado um fundo, mas mostra que períodos de forte estresse costumam oferecer relações mais favoráveis de risco e retorno para quem investe com horizonte mais longo.
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Ações americanas concentram liquidez
Outro ponto citado pelo Mercado Bitcoin é a concentração de liquidez nas ações americanas. Investidores estrangeiros possuem cerca de US$ 23,2 trilhões em ações dos Estados Unidos, um novo recorde histórico.
Esse valor mais que dobrou desde o mercado de baixa de 2022. Hoje, cerca de 30,5% de todo o mercado acionário americano pertence a investidores estrangeiros.
Enquanto esse fluxo continuar concentrado em empresas americanas, especialmente nas teses de inteligência artificial e tecnologia, ativos como Bitcoin, ouro e prata tendem a disputar uma fatia menor da liquidez global.






