O Bitcoin hoje (23) opera em queda, pressionado pela aversão a risco nas bolsas globais, especialmente entre ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores. A criptomoeda voltou a se aproximar de uma região considerada decisiva pelo mercado, perto da média móvel de 200 semanas e do suporte dos US$ 60 mil.
Por volta das 13h46, o Bitcoin recuava 2,28%, cotado a US$ 62.513,75, segundo dados do Google Finance. Ao longo do dia, o ativo chegou a operar abaixo de US$ 62 mil antes de ensaiar uma recuperação parcial.
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, a queda atual parece mais ligada ao ambiente externo do que a uma deterioração específica dos fundamentos do mercado cripto. A pressão veio em meio à forte realização de lucros em ações de tecnologia, após semanas de entusiasmo com empresas ligadas à inteligência artificial.
“A correção atual do Bitcoin parece muito mais consequência do ambiente externo do que de uma deterioração dos fundamentos do mercado cripto. Os ETFs continuam sendo um obstáculo importante, mas não são novidade. O que mudou nos últimos dias foi a forte realização das ações ligadas à IA, setor que vinha concentrando grande parte da atenção e do fluxo dos investidores globais”, afirma Tota.
Bolsas pressionam o Bitcoin
O principal vetor de pressão veio das ações de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi, que acumulava forte valorização em 2026 impulsionado por empresas do setor, chegou a cair perto de 10% em um único pregão, segundo o Mercado Bitcoin.
Nos Estados Unidos, a pressão também atingiu nomes ligados à inteligência artificial e semicondutores. A Nvidia recuava no pré-mercado, enquanto a SpaceX, que concentrou parte da atenção dos investidores nas últimas semanas, já acumula queda superior a 30% desde as máximas recentes.
Para o mercado cripto, a abertura das bolsas americanas passou a ser o principal ponto de atenção. Se houver fluxo comprador aproveitando os preços mais baixos, o Bitcoin pode encontrar espaço para estabilização. Caso a realização continue, aumenta a chance de novo teste da região dos US$ 60 mil.
ETFs seguem com saídas
Além da pressão vinda das bolsas, os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos seguem pesando sobre o mercado. Na segunda-feira (22), os produtos registraram saída líquida de aproximadamente US$ 68,3 milhões.
Com isso, os ETFs iniciaram a sétima semana consecutiva de pressão vendedora. As seis semanas anteriores já haviam formado a pior sequência de saídas desde o lançamento desses produtos, em 2024.
O saldo acumulado das retiradas já ultrapassa US$ 6 bilhões. A leitura menos negativa é que a intensidade das saídas vem diminuindo, o que ajuda a explicar por que o Bitcoin ainda consegue se manter relativamente perto dos US$ 60 mil, mesmo em um ambiente desfavorável.
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Empresas seguem acumulando criptoativos
Apesar da queda no curto prazo, o Mercado Bitcoin destaca que empresas e investidores de longo prazo seguem acumulando criptoativos. O destaque mais recente veio da BitMine Immersion Technologies, que comprou mais 52.203 ETH na última semana, em um investimento de aproximadamente US$ 92 milhões.
Com isso, a companhia passou a deter 5,67 milhões de ETH, o equivalente a cerca de 4,7% de todo o Ethereum em circulação, segundo a análise do MB.






