O Bitcoin hoje (22) opera em alta, sustentado pela melhora do apetite a risco e pela forte acumulação de investidores de longo prazo, mesmo em meio à pior sequência de saídas dos ETFs à vista em 2026.
Por volta das 12h14, o Bitcoin subia 2,79%, cotado a US$ 65.027,66, segundo dados do Google Finance. A criptomoeda voltou a se aproximar da região dos US$ 65 mil, após oscilar nos últimos dias entre suporte perto de US$ 63 mil e resistência na faixa de US$ 66 mil.
Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o mercado entrou em fase de consolidação após semanas de forte volatilidade. Para ele, a permanência do BTC acima dos US$ 60 mil segue como sinal relevante para a sustentação da recuperação.
“A principal batalha do mercado neste momento parece ser entre o fluxo vendedor dos ETFs e a forte absorção de oferta realizada pelos investidores mais pacientes. Até agora, a região dos US$ 60 mil segue vencendo essa disputa”, afirma Tota.
Investidores de longo prazo acumulam BTC
O principal ponto positivo da análise vem dos investidores de longo prazo. Segundo o Mercado Bitcoin, esse grupo atingiu uma nova máxima histórica de aproximadamente 14,81 milhões de BTC em posse.
Apenas no fim de semana, foram acumuladas cerca de 21 mil unidades. Desde a mínima local registrada em 5 de junho, a acumulação já supera 108,7 mil BTC.
ETFs ainda pressionam
Na outra ponta, os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos seguem pressionando o mercado. Na sexta-feira (19), os produtos registraram mais um dia de saídas líquidas, completando seis semanas consecutivas de fluxo semanal negativo.
Segundo o Mercado Bitcoin, essa é a pior sequência observada em 2026. O saldo acumulado das retiradas já chega a cerca de US$ 5,94 bilhões. A sequência negativa registrada entre janeiro e fevereiro, para comparação, havia somado US$ 3,81 bilhões.
Apesar disso, a intensidade das saídas diminuiu nas últimas semanas, o que ajuda a explicar por que o Bitcoin conseguiu se estabilizar acima dos US$ 60 mil mesmo sem apoio consistente dos ETFs.
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Fed e Ormuz seguem no radar
O cenário macroeconômico também segue no centro das atenções. André Franco, CEO da Boost Research, afirma que o acordo entre Estados Unidos e Irã ajudou a aliviar os preços do petróleo, com a reabertura do Estreito de Ormuz reduzindo parte do risco inflacionário global.
Ainda assim, o tom mais duro do Federal Reserve limitou o impacto positivo para ativos de risco. Na reunião de 17 de junho, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, mas parte dos dirigentes passou a projetar uma alta adicional em 2026.
“O driver do dia foi o choque Warsh, que superou o efeito positivo do acordo com o Irã”, avalia Franco.
Para ele, o Bitcoin sentiu a pressão da sinalização mais dura do Fed, mas a acumulação por grandes detentores mostra que a venda recente não partiu dos maiores participantes do mercado. Segundo a Boost, baleias acumularam cerca de 30 mil BTC entre 13 e 17 de junho.
Adoção institucional avança
Outro ponto citado pelo Mercado Bitcoin é a adoção institucional. Um fundo de pensão corporativo japonês anunciou planos para alocar cerca de 1% de seus ativos em criptomoedas a partir de 2026.
O fundo administra aproximadamente US$ 132 milhões e representa cerca de 1.200 pequenas e médias empresas no Japão. Para o mercado, a decisão chama atenção porque fundos de pensão costumam ter perfil mais conservador.
Também no campo regulatório, Fed, FDIC, OCC, NCUA e FinCEN publicaram proposta para exigir programas formais de identificação de clientes de emissores de stablecoins de pagamento, em linha com o Genius Act.






