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Bitcoin hoje segue abaixo dos US$ 60 mil e entra em zona decisiva

Bitcoin hoje segue abaixo dos US$ 60 mil e entra em zona decisiva

Criptomoeda perde um suporte relevante e amplia a cautela do mercado, enquanto ETFs acumulam saídas bilionárias e investidores monitoram dados dos EUA

O Bitcoin hoje (29) opera em queda e segue abaixo da região dos US$ 60 mil, em um momento visto como decisivo para o curto prazo. A criptomoeda continua pressionada pelas saídas dos ETFs à vista nos Estados Unidos, pela cautela com juros americanos e pelo aumento do pessimismo entre investidores.

Por volta das 12h11, o Bitcoin caía 0,65%, cotado a US$ 59.095,48, segundo dados do Google Finance. Ao longo do dia, o ativo chegou a tentar recuperação acima dos US$ 60 mil, mas voltou a perder força no início da tarde.

Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o BTC voltou a negociar abaixo de dois níveis acompanhados de perto pelo mercado: a região psicológica dos US$ 60 mil e a média móvel de 200 semanas. A perda desses patamares aumenta a cautela, principalmente se a criptomoeda não conseguir recuperar a faixa rapidamente.

“O Bitcoin entrou em uma região decisiva. A perda dos US$ 60 mil e da média móvel de 200 semanas aumenta o risco de continuidade da correção, com primeiros alvos técnicos entre US$ 54 mil e US$ 55 mil e, em um cenário mais extremo, a região dos US$ 50 mil”, afirma Tota.

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ETFs seguem pressionando o Bitcoin

Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos seguem como uma das principais fontes de pressão. Segundo o Mercado Bitcoin, os produtos registram a pior sequência de saídas desde o lançamento, com sete semanas consecutivas de fluxo semanal negativo.

No período, os resgates acumulados passam de US$ 7,7 bilhões. Na última sexta-feira, houve saída de US$ 444,5 milhões. Na semana, o saldo líquido ficou negativo em US$ 1,79 bilhão, pior fluxo semanal desde o fim de fevereiro.

Para Tota, enquanto esse fluxo não melhorar, qualquer tentativa de recuperação do Bitcoin tende a enfrentar mais dificuldade.

André Franco, CEO da Boost Research, também destaca o peso dos ETFs. Segundo ele, o IBIT, da BlackRock, respondeu por 73% das saídas na semana passada. O dado chama atenção porque o investidor médio do produto estaria com prejuízo relevante, sinalizando realização de perda, e não apenas troca de posição.

US$ 60 mil vira resistência

Depois de perder os US$ 60 mil, o Bitcoin passa a ter essa faixa como principal referência. Pela análise da Boost, o suporte imediato está em torno de US$ 58 mil, enquanto a resistência mais importante aparece em US$ 62,5 mil.

“O Bitcoin precisa fechar acima dela para sinalizar qualquer recuperação técnica”, afirma Franco.

No curto prazo, a leitura segue cautelosa. A criptomoeda ainda acumula queda de cerca de 7% na semana, sem alívio claro após o vencimento de US$ 10,6 bilhões em opções na sexta-feira.

A semana também terá dados importantes nos Estados Unidos. O mercado acompanha JOLTS, PMI industrial e, principalmente, payroll e taxa de desemprego. Indicadores fortes podem reforçar a percepção de um Federal Reserve mais duro, enquanto números mais fracos podem aliviar parte da pressão sobre ativos de risco.

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Medo extremo domina o mercado

O índice de medo e ganância segue em zona de extremo medo, com leitura de 12 pontos em uma escala de 0 a 100. Qualquer número abaixo de 25 já indica pessimismo elevado.

Segundo o Mercado Bitcoin, o mercado está nessa região desde 2 de junho, no período mais longo desde o intervalo entre o fim de janeiro e meados de março.

A leitura mostra que o estresse no mercado cripto está avançado. Isso não significa, porém, que o fundo tenha sido formado. Para Tota, esses momentos costumam aumentar a cautela no curto prazo, mas também aparecem em regiões de maior assimetria para investidores de longo prazo.

Strategy e geopolítica também entram no radar

Outro ponto de atenção é a Strategy, empresa de Michael Saylor. A relação entre o valor da companhia e sua tesouraria em Bitcoin caiu abaixo de 1 vez pela primeira vez, o que aumentou dúvidas sobre a capacidade da empresa de continuar captando capital em condições favoráveis para comprar mais BTC.

Apesar das preocupações, Saylor voltou a sinalizar uma nova compra de Bitcoin na última semana, reforçando a narrativa de acumulação mesmo em meio à pressão.

No cenário geopolítico, o Estreito de Ormuz voltou ao radar após nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã. Ainda assim, o petróleo segue perto de US$ 70, indicando que o mercado não precifica, por enquanto, um choque severo de oferta.

Para os próximos pregões, o ponto central será observar se o Bitcoin consegue recuperar rapidamente os US$ 60 mil. Se falhar, essa região pode se consolidar como resistência e abrir espaço para uma correção mais forte. Se voltar