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Bitcoin perde “ancoragem” em halvings e flutua com juros

Bitcoin perde “ancoragem” em halvings e flutua com juros

RSI do Bitcoin está em 31,5 — próximo à linha de sobrevenda — e volatilidade implícita em 39,66%, sinalizando momento técnico delicado

O Bitcoin futuro de junho caiu para US$ 59.590 na tarde de quarta-feira, marcando o menor nível desde outubro de 2025, segundo análise da Charles Schwab divulgada nesta quinta-feira (25).

“A queda foi parcialmente atribuída a um ambiente de juros mais restritivo”, destaca o relatório, em um momento em que a ferramenta FedWatch do CME Group precifica dois aumentos de 25 pontos-base até março de 2027.

A mudança na postura do Federal Reserve tem ajudado a elevar o Índice do Dólar Americano (DXY) a novas máximas.

“Um dólar mais forte e rendimentos elevados podem pesar sobre a demanda por ativos sem remuneração, como o Bitcoin”, avalia a Charles Schwab. A fraqueza das criptomoedas também pode refletir investidores migrando a atenção para oportunidades ligadas à inteligência artificial.

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Queda acentuada desde a máxima histórica

O Bitcoin atingiu sua máxima anterior em 6 de outubro de 2025, aos 127.240 pontos, e desde então entrou em um longo processo de queda, com apenas dois meses positivos desde o pico. Entretanto, a criptomoeda mantém sua dominância no setor, com participação estimada de 58,5% no mercado global — capitalização de US$ 1,28 trilhão em um mercado cripto total de aproximadamente US$ 2,19 trilhões.

Tecnicamente, o cenário é de cautela. O Bitcoin caiu abaixo da média móvel simples de 200 dias em 11 de outubro de 2025 e segue abaixo desse indicador.

“O RSI permanece ligeiramente acima da linha de sobrevenda, em 31,5, e a volatilidade implícita está em 39,66%”, detalha a análise, sinalizando um momento delicado para o ativo no curto prazo.

Ciclo de halving pode perder força

O Bitcoin historicamente segue um ciclo de aproximadamente quatro anos atrelado aos seus eventos de halving — mecanismo que reduz em 50% a recompensa dos mineradores a cada ciclo. O primeiro halving ocorreu em 2012, gerando picos em 2013, seguidos de queda até 2015. Padrões semelhantes se repetiram entre 2016 e 2020 e entre 2020 e 2024, com o próximo halving previsto para abril de 2028.

Contudo, o impacto dos halvings futuros pode ser menor do que o observado nos ciclos anteriores.

“Aproximadamente 95% do supply fixo de 21 milhões de Bitcoins já foi minerado”, aponta a Charles Schwab.

A recompensa por bloco, que era de 50 BTC no início, caiu para 25, depois para 12,5 e hoje está em apenas 3,125 BTC — reduzindo progressivamente o efeito de escassez que historicamente impulsionava os preços após cada halving.

Juros, dólar e IA como novos vetores de preço

A análise da Charles Schwab aponta que o Bitcoin enfrenta ventos contrários de três frentes: dólar americano mais forte, rendimentos dos Treasuries elevados e um ambiente de mercado que tem favorecido outros temas de crescimento, especialmente a inteligência artificial. “Esses fatores podem pesar sobre a demanda por ativos sem remuneração, incluindo as criptomoedas”, resume o relatório.

Para o futuro, a visão da casa é de que o Bitcoin pode continuar sendo impulsionado principalmente pelas expectativas de juros, condições de liquidez e pelo sentimento geral de risco nos mercados financeiros.

“O ciclo de halving permanece uma parte importante do padrão histórico de preços do Bitcoin, mas o impacto pode se tornar menos pronunciado à medida que a maior parte do supply fixo já está em circulação”, conclui a Charles Schwab, sugerindo que os fundamentos macroeconômicos devem ganhar peso crescente na formação do preço da criptomoeda.

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