O real brasileiro emergiu como a moeda de melhor desempenho no cenário cambial global nas principais janelas temporais recentes, superando emergentes, países desenvolvidos, América Latina, Ásia e moedas ligadas a commodities.
A avaliação é da economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, em relatório que mapeia o desempenho do real frente às principais cestas cambiais do mundo.
Real lidera em todas as janelas relevantes
A magnitude da valorização é expressiva em qualquer recorte temporal analisado.
No acumulado do ano, o real avança 11,5%, contra alta de 2,5% da cesta de moedas de mercados desenvolvidos, 1,6% das moedas ligadas a commodities, 0,3% da América Latina, e queda de 1,1% dos emergentes em geral e de 2,1% dos emergentes asiáticos.
“O real foi o principal destaque do câmbio global nas principais janelas recentes, superando EM, LATAM, DM, APAC-EM e commodity FX no último dia, na semana, no mês até a data e no ano”, afirma Ferrão.
Conflito no Irã amplifica vantagem
O desempenho ficou ainda mais destacado a partir dos eventos geopolíticos recentes. Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o real acumula alta de 4,4%, enquanto emergentes, América Latina, Ásia emergente e moedas de commodities registraram depreciação.
O movimento é ainda mais pronunciado em uma janela mais longa: desde o “Liberation Day”, o real subiu 15,7%, ficando atrás apenas do peso mexicano na comparação com moedas individuais, mas superando dólar australiano, peso colombiano, rand sul-africano, yuan, sol peruano e peso chileno.
Posição favorável no choque energético
Para a economista do BTG, o desempenho do real não é acidental.
“Isso é consistente com a melhor posição relativa do Brasil frente a outros países em meio ao choque energético — tema discutido em nosso relatório ‘Brasil se destaca entre emergentes no choque energético atual'”, explica Ferrão.
A menor dependência de importações de petróleo coloca o Brasil em vantagem estrutural frente a países asiáticos e europeus mais expostos.
Volatilidade contida no curto prazo
Apesar do rali recente, a economista faz um alerta importante sobre o perfil do real.
“O desempenho recente veio com volatilidade de curto prazo relativamente contida, mas o BRL permanece como moeda high beta e segue entre as mais voláteis em janelas mais longas”, observa Ferrão.
A volatilidade realizada de 20 dias do real está em 9,1% ao ano — não está entre as mais altas da amostra —, mas em janelas mais extensas o real retorna ao grupo das moedas mais voláteis, reflexo de sua alta sensibilidade a choques globais e da ampla negociação em derivativos, que “pode amplificar movimentos em episódios de mudança de apetite a risco”, conclui a economista.






