Os pedidos de Recuperação Judicial no Brasil chegam a quase 200 de janeiro a fevereiro deste ano, conforme dados disponíveis nos órgãos competentes.
O volume diz respeito a empresas abertas, a exemplo da Americanas (AMER3) que é, neste momento, o caso mais emblemático e que o desenrolar dos fatos ainda está acontecendo.
Também diz respeito a empresas fechadas, ou seja, aquelas que não são listadas na Bolsa de Valores, a B3 (B3SA3). O Grupo Petrópolis entra nesta lista.
Trata-se de uma companhia cervejeira com sede na serra fluminense e, entre suas principais marcas, está a Itaipava, Petra, Cristal entre muitas outras.
Panorama
- Total de pedidos em janeiro: 92
- Total de pedidos em fevereiro: 103 (fonte: Serasa Experian)

Por que uma empresa pede recuperação judicial?
Uma empresa recorrer à Recuperação Judicial por se encontrar debaixo de dívidas ou outros tipos de situações que deixam suas operações sob risco.
Vale lembrar que a Lei que regulamenta a RJ foi criada no ano de 2005 com o intuito de auxiliar o empresário e a sociedade empresária a se soerguer em um momento de crise econômico-financeira.
Por meio desse mecanismo, a companhia consegue manter suas atividades enquanto negocia com seus credores e fornecedores. Ou seja, ela não pode ser acionada juridicamente para, desta forma, ser levada à falência de maneira forçada.
Além disso, a RJ assegura outros três grandes benefícios:
- suspensão das ações em andamento contra o empresário em dificuldade financeira, dando tempo para a empresa ou empresário elaborar um Plano de Recuperação Judicial compatível com a sua instabilidade econômica;
- o alongamento e o parcelamento das dívidas e;
- o deságio, que consiste em descontos para pagamento dos valores devidos.
Quais empresas estão em RJ em 2023?
Das empresas em RJ no ano de 2023, destaque para as já citadas Americanas e Petrópolis. Outras empresas nesta situação e bastante conhecidas do grande público são:
DOK Calçados: em fevereiro, no dia 10, a DOK Calçados -controladora da marca Ortopé- teve seu pedido de RJ aceito pela Justiça de Sergipe, em um documento que não apontava o valor total das dívidas. No mês anterior, um escritório de advocacia que representava um grupo de credores havia entrado com uma ação de falência por fraude, alegando que a calçadista possuía débitos de R$ 400 milhões em 90 instituições diferentes. Só neste ano, a DOK fechou duas fábricas e demitiu ao menos 500 funcionários.
- Grupo Raiola: produz enlatados e pediu proteção contra compromissos que passam de R$ 62 milhões, em 11 de fevereiro.
- Nexpe: pediu RJ dia 14 de fevereiro. Esta empresa é a antiga BR Brokers e, ao todo, suas dívidas somam cerca de R$ 94 milhões.
- Prieto Alimentos: deve R$ 150 milhões.
- Oi (OIBR3): pediu RJ dia 17 de março e sua dívida chega a R$ R$ 43 bilhões.
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