O primeiro leilão de armazenamento de energia por baterias no Brasil, previsto para o segundo trimestre, deve funcionar como o gatilho para a formação de um mercado de BESS (Battery Energy Storage Systems) em escala de utilidade no país — e, por isso, é lido como levemente positivo para a WEG (WEGE3) pelo Bradesco BBI.
Ainda assim, o banco afirma que a iniciativa não deve mexer de imediato nas estimativas ou no preço das ações, sobretudo porque a concorrência tende a ser elevada.
O tema ganhou tração após declarações de Markus Vlasits, fundador da NewCharge e presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), publicadas pelo O Globo. Segundo ele, “sem um leilão de baterias, o Brasil enfrentará apagões”, e o certame deixou de ser uma iniciativa discricionária para se tornar, na prática, uma salvaguarda do sistema.
De acordo com Vlasits, o governo planeja contratar 2 gigawatts (GW), mas a oferta potencial pode superar 20 GW — cerca de dez vezes o volume previsto. Em termos aproximados, ele estima que a licitação possa atrair cerca de R$ 10 bilhões em investimentos.
Na avaliação do Bradesco BBI, o leilão tende a marcar o início do mercado brasileiro de armazenamento por baterias em escala de utilidade, um segmento que pode ganhar demanda à medida que a gestão de restrições do sistema elétrico se torne mais relevante.
“Vemos o leilão como positivo para a WEG por marcar o início do mercado de BESS em escala de utilidade no Brasil, embora não esperemos impacto imediato nas estimativas ou no preço das ações, dado o nível elevado de competição”, afirmam os analistas do Bradesco BBI.
O banco destaca que a disputa deve ser intensa, especialmente com fornecedores chineses de menor custo e experiência consolidada em projetos de grande escala. Segundo o BBI, a WEG hoje está mais focada em soluções de armazenamento de menor porte, mas pode migrar para soluções em escala de utilidade à medida que sua nova instalação entrar em operação ainda em 2026 e com uma planta adicional de BESS planejada para o segundo semestre de 2027.
No geral, o Bradesco BBI vê o leilão como um passo positivo por abrir uma nova frente de demanda, mas reforça que o ambiente competitivo deve limitar efeitos imediatos para a companhia.
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