A WEG (WEGE3) entra em 2026 diante de um cenário mais exigente, mas sem perder o interesse dos analistas. Em relatório recente, o banco Safra avaliou que o próximo ano tende a ser mais desafiador para a companhia, ao mesmo tempo em que revisou para cima o preço-alvo das ações, refletindo ajustes nas premissas de longo prazo e na estrutura de capital da empresa.
O Safra elevou o preço-alvo da companhia para R$ 57,40 por ação ao final de 2026, ante R$ 43,60 anteriormente, o que representa um potencial de valorização de 15,4%. Mesmo com a revisão positiva, a recomendação para os papéis foi mantida em neutra. A atualização incorpora os resultados trimestrais mais recentes, novas projeções operacionais e um cenário macroeconômico diferente, além de um custo de capital próprio menor, agora estimado em 12,85%.
Segundo o relatório, apesar do ajuste no valuation, o banco destaca que a empresa deve enfrentar um ritmo de crescimento mais moderado. A expectativa é de avanço de 9,5% na receita em 2026, bem abaixo da média anual de 16% registrada na última década. A primeira metade do ano tende a concentrar as maiores pressões, influenciada por bases de comparação mais elevadas e limitações operacionais.
WEG: transmissão e distribuição como pontos de atenção
Um dos principais pontos de atenção está nas operações de transmissão e distribuição, que já operam próximas da capacidade máxima, o que reduz a margem para expansão de volumes no curto prazo. A nova capacidade produtiva em Betim, prevista para entrar em operação no segundo trimestre de 2026, deve trazer algum alívio, mas o impacto inicial tende a ser limitado. Nesse contexto, o crescimento da receita deve depender mais de preços do que de volumes, embora o Safra não espere reajustes tão expressivos quanto os observados nos últimos anos, diante da normalização dos preços do setor e da entrada de nova capacidade no mercado.
Outro fator que pesa sobre as projeções é a desaceleração do segmento de geração, após o pico de entregas de grandes projetos solares centralizados no segundo trimestre de 2025. A ausência de novos projetos relevantes no pipeline indica que a fraqueza do segmento solar pode persistir, contribuindo para um ambiente operacional mais brando ao longo de 2026.
Esse quadro é reforçado por um cenário macroeconômico mais desafiador tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Segundo o Safra, clientes têm adiado decisões de investimento, o que afeta diretamente a demanda por equipamentos industriais e soluções de energia, áreas centrais para a WEG.
Do lado da rentabilidade, o banco projeta uma margem EBITDA de 21,8% em 2026, levemente abaixo dos 21,9% estimados para 2025. A pressão vem, sobretudo, das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e dos encargos da Seção 232 sobre aço e alumínio, que devem ganhar relevância a partir do quarto trimestre de 2025. Parte desse impacto, no entanto, tende a ser compensada por um mix de negócios mais favorável, com menor peso das operações de geração eólica e solar, tradicionalmente menos rentáveis.
Melhora gradual pelo frente
O Safra avalia que, ao longo do ano, a WEG pode apresentar uma melhora gradual de margens, à medida que avança na reorganização de sua estrutura produtiva para mitigar os efeitos das tarifas. Essas iniciativas, segundo o banco, devem ganhar tração de forma progressiva, contribuindo para uma recuperação mais consistente no médio prazo.
Entre os riscos destacados no relatório estão a dificuldade de sustentar o forte crescimento dos últimos anos, uma desaceleração mais intensa das economias onde a empresa atua, menor consumo de energia em mercados-chave como Brasil, Estados Unidos e Europa, além de mudanças estruturais nos investimentos em data centers, com possível migração do Ocidente para o Oriente. Também entram no radar desafios ligados à estratégia de crescimento inorgânico, redução dos investimentos industriais, volatilidade nos preços de commodities e o impacto contínuo das tarifas norte-americanas sobre a demanda.
Mesmo diante de um 2026 mais complexo, o Safra entende que a revisão do preço-alvo reflete a resiliência do modelo de negócios da WEG e sua capacidade de adaptação a ciclos mais brandos, ainda que o momento exija cautela por parte dos investidores.
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