A mensagem da CFO da Klabin (KLBN11), Gabriela Woge, em reunião com analistas nesta semana foi clara: desalavancar é a prioridade número um. Mas para o BTG Pactual, o ritmo desse processo ainda não é suficiente para mudar a recomendação.
Os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo mantêm a visão neutra sobre as units, citando visibilidade limitada para uma trajetória de desalavancagem mais acelerada.
“A desalavancagem permanece a principal prioridade da companhia, com a gestão mirando uma relação dívida líquida/Ebitda de 2,5 vezes dentro de um horizonte de 12 a 24 meses”, apontam os analistas.
Para chegar lá, a Klabin tem reduzido investimentos e custos, com foco agora nas eficiências de custos variáveis, incluindo a revisão de contratos de fornecimento. Em 2025, o trabalho foi na redução de custos fixos.
As transações florestais – especialmente a incorporação dos ativos da Arauco – ajudaram a fortalecer a liquidez: o caixa saltou de R$ 7,5 bilhões em 2024 para R$ 10,9 bilhões em 2025, enquanto a alavancagem recuou de 3,9 vezes para 3,3 vezes.
Mas o espaço para novos negócios do tipo se estreitou.
“Com room limitado para transações florestais adicionais e sem desinvestimentos relevantes esperados, a desalavancagem deverá depender cada vez mais da geração de fluxo de caixa livre”, alertam Correa, Arazi e Gotardo.
Operações
No lado operacional, 2026 trouxe algumas surpresas positivas.
“Fundamentos em celulose, embalagens e kraftliner evoluíram melhor do que o esperado até agora em 2026”, reconhece o BTG.
A racionalização de capacidade nos EUA está abrindo espaço para a Klabin ganhar participação nas exportações de kraftliner. O ponto negativo fica com o cartão revestido, cujas dinâmicas seguem fracas, e com o real mais forte, que “naturalmente offset parte dessa melhora.”
O MP28, máquina de conversão da companhia, avança em ritmo mais lento que o esperado.
“Para 2026, a gestão não espera melhora significativa frente a 2025”, destacam os analistas. Novos projetos de expansão — como fluff pulp — só entrarão na agenda após atingir a meta de 2,5 vezes, e apenas se os retornos forem suficientemente atrativos, o que “pode ser desafiador no ambiente atual de inflação de capex e preços mais baixos da indústria.”






