O avanço da inteligência artificial impulsionou a expectativa de gasto global trilionário de infraestrutura, dentro da faixa de US$ 22 trilhões a US$ 50 trilhões até 2050, revela um estudo da consultoria PwC divulgado nesta quarta-feira (2). Os investimentos serão feitos em infraestrutura de rede, sistemas de armazenamento, servidores, aquisição e substituição recorrente de equipamentos.
Os Estados Unidos devem centralizar quase metade desses investimentos, podendo chegar aos US$ 15,1 trilhões, e para estabelecer onde a nova capacidade será instalada, dependerá de energia elétrica confiável, competitiva e de baixa emissão.
“O elevado volume projetado de investimentos e a importância da disponibilidade de energia reforçam as perspectivas de crescimento para a infraestrutura elétrica associada aos data centers”, afirmam os analistas.
Ciclo de investimentos nos data centers
Esse ciclo de Capex, despesas de capital, é diferente justamente porque os gastos anuais aumentam com o tempo, de US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,1 trilhão em 2030 e US$ 1,8 trilhão em 2050.
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Esse aumento exponencial ocorre para financiar servidores, sistemas de armazenamento, CPUs, unidades centrais de processamento, e principalmente os GPUs, as unidades de processamento gráfico. Esses equipamentos cruciais para a IA costumam ficar obsoletos com o tempo e precisam ser substituídos.
“Essa trajetória se mantém mesmo que tensões geopolíticas restrinjam a oferta de chips avançados ou desviem a demanda para cargas de trabalho atendidas localmente”, segundo o artigo da PwC.
Para atender as demandas da inteligência artificial é preciso que o capital esteja disponível em uma quantidade suficiente para conseguir suprir todo o volume de recursos e às demandas computacionais.
Porém, essa alta demanda esbarra nos limites da disponibilidade de energia elétrica construída há décadas. E para os investimentos chegarem aos trilhões, eles dependem da rapidez e da consistência de que a eletricidade poderá abastecer os data centers.
Por que a energia elétrica pode ser tão crucial nesse ramo?
As cinco forças que determinarão onde o investimento em capital será direcionado são: energia, latência e conectividade, segurança e hospedagem em regiões confiáveis, acesso a GPUs e profundidade do ecossistema, segurança regulatória e aceitação pela comunidade.
E não é por acaso que a energia elétrica é a primeira da lista, esse é um dos ativos mais importantes e mais difíceis de se obter de forma acessível, confiável e rápida.
Em conjunto a isso, os maiores obstáculos para os projetos saírem do papel são a capacidade de transmissão, disponibilidade de subestações e a entrega de transformadores com prazos mais longos.
“As operadoras estão levando cada vez mais soluções de geração própria para as instalações; embora isso beneficie projetos individuais, não elimina a necessidade de expansão da rede elétrica em escala de mercado”, aponta o relatório.
Descentralização e regionalização
A PwC também testou um cenário em que alguns países optem por desenvolver data centers em seus próprios territórios para atender cargas de trabalho consideradas essenciais à resiliência nacional — como as voltadas a serviços públicos, sistemas financeiros, saúde e IA soberana.
“Os polos globais estabelecidos perdem parte do prêmio associado à prestação de serviços internacionais, ao passo que mercados emergentes — que possuem demanda interna significativa, mas capacidade atual limitada — expandem sua infraestrutura além do que fariam em outras circunstâncias”, explica o documento.
A PwC estima que somente os EUA perdem cerca de US$ 2,9 trilhões. No entanto, dentro da região, Brasil, Chile e Canadá registram ganhos impulsionados por um atendimento doméstico mais robusto a cargas de trabalho críticas. O Brasil, por exemplo, precisaria investir 24% mais para internalizar os seus projetos.