Casey Barnett, presidente da Câmara de Comércio Americana no Camboja, criticou as tarifas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, impostas ao país asiático, dizendo que são uma ameaça existencial às fábricas cambojanas, que já operam na base da cadeia global de valor e descartou um retorno para o território norte-americano.
“Eles não vão voltar para os Estados Unidos de jeito nenhum”, afirmou, referindo-se às empresas que atualmente produzem no Camboja. “Não consigo imaginar que os americanos queiram sentar e costurar um par de calças de moletom por longas horas do dia”, comentou ele.
Camboja foi o país mais severamente atingido pelo novo pacote tarifário, com uma taxa de 49% sobre suas exportações, em efeito que pode ser devastador para a economia local, sem trazer qualquer ganho direto para o setor industrial norte-americano.
Camboja: companhias que operam no país buscam alternativas
Com a tarifa adicional, empresas norte-americanas que operam no país asiático já buscam alternativas em regiões como Egito, Índia, Indonésia e países da África Subsaariana. A realocação para os EUA, no entanto, está descartada devido aos altos custos trabalhistas e à falta de mão de obra disposta para atividades consideradas intensivas.
Entre as companhias afetadas estão nomes como Adidas, Lululemon, Hugo Boss, Under Armour e Dollar General, que importam do Camboja uma ampla gama de produtos — de vestuário a móveis, passando por artigos esportivos e bicicletas.
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A resposta do setor industrial tem sido de cautela. “Há pedidos que estão sendo congelados. Todos estão enfrentando incertezas e querem esperar um pouco para ver como a poeira baixa”, disse Barnett. Segundo ele, muitas fábricas estão avaliando como sobreviver aos próximos meses, enquanto o governo cambojano estuda medidas de alívio fiscal para mitigar o impacto.
A justificativa da Casa Branca para a medida seria a alegada alta tarifa imposta pelo Camboja aos produtos norte-americanos, estimada em 97%. A afirmação, porém, é contestada por dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do Observatório da Complexidade Econômica, que apontam uma tarifa média de apenas 2,6% para produtos dos EUA.
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