A Embraer (EMBJ3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, crescimento de 25,1% em relação aos R$ 890,3 milhões apurados um ano antes, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (10).
A receita líquida aumentou 10,4%, para R$ 11,34 bilhões, estabelecendo um recorde para um segundo trimestre. O Ebitda ajustado avançou 30,3%, para R$ 1,81 bilhão, enquanto a margem subiu de 13,5% para 16%.
O lucro atribuível aos acionistas da Embraer, sem os ajustes, atingiu R$ 1,08 bilhão, mais que o dobro dos R$ 448,9 milhões registrados no 2T25. A companhia informou que deixou de classificar os impostos diferidos como itens extraordinários em 2026 e revisou os números comparáveis do ano passado.
O EBIT ajustado, que representa o resultado operacional antes dos juros e impostos, cresceu 39,4%, para R$ 1,51 bilhão. A margem aumentou de 10,6% para 13,4%.
A melhora, entretanto, teve contribuição relevante de um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões, equivalente a 3 pontos percentuais da margem. A Embraer também contabilizou US$ 8 milhões em tarifas de importação dos Estados Unidos. Sem os dois efeitos, a margem EBIT ajustada teria permanecido em 10,6%.
Entregas crescem e carteira alcança recorde
A Embraer entregou 65 aeronaves no trimestre, crescimento anual de 7%. O volume incluiu 20 jatos comerciais — dez modelos E1 e dez E2 — e 45 aeronaves executivas, sendo 24 jatos pequenos e 21 médios. Não houve entregas no segmento de Defesa e Segurança.
A carteira de pedidos firmes atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões, avanço de 16% em um ano. O crescimento ocorreu em todas as unidades de negócios, liderado pela expansão de 42% em Defesa e Segurança. O estoque de pedidos da Aviação Comercial aumentou 15%.
Apesar do maior número de entregas, a receita da Aviação Comercial recuou 2%, para R$ 3,18 bilhões, pressionada pela valorização do real frente ao dólar e pelo mix de contratos antigos. A margem EBIT ajustada do segmento caiu de 4,2% para 2,9%.
Na Aviação Executiva, a receita cresceu 19%, para R$ 3,68 bilhões, impulsionada pelo aumento dos volumes, por preços melhores e pelo mix de produtos. A margem EBIT ajustada atingiu 23,6%, mas recebeu uma contribuição de US$ 60 milhões do crédito tributário. Sem os efeitos tributários e tarifários, a margem teria sido de 16,1%, diante de 14,6% um ano antes.
As receitas de Defesa e Segurança avançaram 22%, para R$ 1,54 bilhão, favorecidas pelo reconhecimento de receitas do KC-390. Em Serviços e Suporte, o faturamento aumentou 11%, para R$ 2,85 bilhões.
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Embraer eleva projeções para 2026
A Embraer elevou a projeção de margem EBIT ajustada para uma faixa entre 10% e 10,6%, diante da estimativa anterior de 8,7% a 9,3%. A previsão de fluxo de caixa livre ajustado sem a Eve passou de pelo menos US$ 200 milhões para US$ 400 milhões ou mais.
A companhia manteve a estimativa de receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. Também foram preservadas as projeções de entrega de 80 a 85 jatos comerciais e de 160 a 170 aeronaves executivas.
Segundo a Embraer, o aumento de aproximadamente US$ 110 milhões no ponto médio da projeção implícita de EBIT decorre de US$ 68 milhões do crédito tributário extraordinário, US$ 38 milhões relacionados à expectativa de isenção das tarifas americanas no segundo semestre e US$ 4 milhões de melhora nas perspectivas dos negócios.
O fluxo de caixa livre ajustado sem a Eve atingiu R$ 2,03 bilhões no trimestre, revertendo o consumo de R$ 989,1 milhões registrado no 2T25. O desempenho foi favorecido pelo resultado operacional, pelos adiantamentos recebidos de clientes e pelo crédito tributário.
A dívida líquida da Embraer, excluída a Eve, encerrou junho em R$ 1,11 bilhão, abaixo dos R$ 3,76 bilhões registrados um ano antes. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado ficou em 0,2 vez.







