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Por que o Mercado Bitcoin vê espaço para cripto com reeleição de Lula

Por que o Mercado Bitcoin vê espaço para cripto com reeleição de Lula

Pedro Fontes associa as incertezas fiscais à busca por diversificação fora do real e explica os papéis de Bitcoin, stablecoins e renda fixa digital

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode aumentar a procura por criptoativos como alternativa de diversificação. Essa é a avaliação de Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin (MB).

Em análise divulgada nesta segunda-feira (26), ele relaciona essa perspectiva às dúvidas sobre as contas públicas e aos possíveis efeitos sobre o câmbio e os juros.

Para Fontes, o próximo mandato terá o desafio de recuperar a confiança na capacidade do governo de conter o avanço da dívida. Enquanto não houver respostas mais claras, o analista considera relevante reduzir a concentração do patrimônio em ativos expostos à economia brasileira.

“Nesse ambiente, qualquer erro de condução pode ter impacto bastante negativo sobre os preços dos ativos domésticos. É por isso que ativos globais funcionam como contrapeso: stablecoins acompanham o dólar, e o Bitcoin, cotado internacionalmente, também tende a se valorizar em reais quando a moeda brasileira perde força, além de seguir sua própria dinâmica global”, escreve.

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Bitcoin e stablecoins têm funções diferentes na carteira

A análise de Fontes apresenta três alternativas:

  • stablecoins para exposição cambial,
  • Bitcoin como uma aposta de longo prazo e
  • renda fixa digital para aproveitar os juros elevados.

Cada uma depende de fatores diferentes para entregar o resultado esperado.

“As stablecoins trazem proteção cambial, com a facilidade de um mercado que não fecha. O Bitcoin entra como reserva de valor de longo prazo: escasso, com regras previsíveis escritas em código, sem ligação direta com a política brasileira e transferível para qualquer lugar do mundo com a facilidade da era digital. E a renda fixa digital aproveita os juros altos que devem durar mais tempo”, afirma Fontes.

No caso de USDT e USDC, citadas pelo analista, o objetivo é acompanhar o dólar. Essas stablecoins buscam manter paridade com a moeda americana e permitem exposição à sua variação frente ao real.

Essa vinculação envolve riscos próprios, como a qualidade das reservas e a capacidade do emissor de atender aos resgates. Problemas nesses mecanismos podem afastar a cotação da stablecoin da moeda de referência.

Já no Bitcoin, o retorno em reais também depende da cotação internacional, uma queda em dólares pode superar o efeito favorável de uma desvalorização do real. A CVM ressalta que criptoativos apresentam riscos de volatilidade, liquidez e segurança tecnológica.

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Juros altos entram na tese para renda fixa digital

Fontes também considera que cortes menores e mais lentos da taxa básica podem prolongar a atratividade das opções de renda fixa digital do MB, incluindo aplicações atreladas ao CDI e prefixadas.

Nesses produtos, a remuneração está relacionada às condições da operação e ao pagamento dos créditos que a sustentam. A CVM explica que tokens de recebíveis podem representar direitos creditórios ou títulos de dívida, cujos fluxos de caixa remuneram o investidor. A capacidade de pagamento dos devedores, portanto, continua relevante mesmo com o uso da tecnologia digital.

Os dados de adoção citados na análise antecedem o resultado eleitoral. Segundo a Receita Federal, as operações declaradas com stablecoins somaram aproximadamente R$ 1,13 trilhão entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. Nos meses de 2024 e 2025, sua participação no volume declarado de criptoativos ficou em torno de 76% a 80%.