O gatilho do rebaixamento tem nome e endereço: a Raízen (RAIZ4). A Standard & Poor’s cortou na noite desta desta-feira (6) o rating da Cosan (CSAN3) de ‘BB’ para ‘BB-‘ e colocou a nota em observação negativa após o anúncio da joint venture de que está avaliando uma reformulação de sua estrutura de capital — mas sem definição sobre o papel da Cosan nesse processo.
“A proposta atual, conforme divulgada pela Raízen, não inclui qualquer suporte direto de caixa por parte da Cosan”, aponta o analista Matheus Cortes. Os termos finais, porém, seguem incertos, e essa indefinição foi suficiente para mover o rating.
O problema, na visão da S&P, vai além do risco financeiro imediato. A agência observa que a Cosan havia sinalizado publicamente, após seu follow-on de ações, que poderia usar parte dos recursos para apoiar a Raízen.
A mudança de postura — com a holding se afastando do suporte direto — levou a S&P a reavaliar sua avaliação de governança.
Desconfiança com a gestão
“Isso nos levou a reavaliar nossa avaliação de administração e governança da Cosan de moderadamente negativa para negativa, com impacto de um degrau no rating”, afirma Cortes. O precedente preocupa: se a Cosan mudou de abordagem com a Raízen, o mercado pode questionar como o grupo reagiria em situações semelhantes em outras subsidiárias.
Do ponto de vista da liquidez, o quadro ainda é confortável. A Cosan encerrou setembro de 2025 com R$ 16,1 bilhões em caixa consolidado, captou R$ 10,75 bilhões no follow-on e não tem vencimentos relevantes até 2028.
“Estimamos que a Cosan terá cerca de R$ 7,5 bilhões em caixa em 2026 no nível da holding, com dívida próxima de R$ 15 bilhões após os pagamentos recentes”, calcula o analista. A alavancagem consolidada deve ficar entre 2,5 vezes e 3 vezes a dívida sobre Ebitda — número que pode se aproximar do teto se os R$ 1,5 bilhão de suporte à Raízen se materializarem.
Além disso, o potencial IPO da Compass poderia contribuir ainda mais para a liquidez e desalavancagem, embora o momento e os valores envolvidos ainda sejam incertos
“A colocação em CreditWatch negativo reflete as elevadas incertezas em relação à situação da Raízen e como ela poderá afetar a Cosan, especialmente em termos de percepção de risco e confiança dos investidores”, conclui Cortes. Até que o acordo com a Shell se defina, a nuvem sobre o rating da Cosan permanece.






