O Bitcoin hoje (14) opera em forte alta após a inflação ao consumidor dos Estados Unidos surpreender para baixo e reduzir a pressão por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Por volta das 12h58, a criptomoeda avançava 3,78%, cotada a US$ 64.619,82, segundo dados do Google Finance.
A reação ganhou força depois que o CPI americano registrou deflação de 0,4% em junho, ante maio. Foi a primeira queda mensal desde maio de 2020 e o maior recuo desde abril daquele ano. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,2% para 3,5%.
O resultado permitiu ao Bitcoin superar novamente a média móvel de 200 semanas, situada próxima de US$ 63 mil. Esse patamar vinha sendo apontado por Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, como uma referência importante para avaliar a força da recuperação.
Bitcoin hoje reage à deflação nos EUA
Antes da divulgação do CPI, o Bitcoin negociava perto de US$ 62,7 mil e ainda sentia os efeitos da escalada entre Estados Unidos e Irã, da alta do petróleo e do aumento da aversão ao risco.
O cenário mudou após a divulgação da inflação americana. Além da deflação mensal de 0,4%, o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, ficou estável em junho, depois de subir 0,2% em maio.
Na comparação anual, o núcleo desacelerou de 2,9% para 2,6%. Os dados reforçaram a leitura de que as pressões inflacionárias perderam força, apesar dos riscos associados ao petróleo e ao conflito no Oriente Médio.
Para o mercado cripto, uma inflação mais fraca reduz a necessidade de juros ainda mais altos nos Estados Unidos. Esse ambiente tende a favorecer ativos sensíveis à liquidez, como Bitcoin, Ethereum e ações de crescimento.
Petróleo e Ormuz seguem como riscos
Apesar da reação positiva, as tensões entre Estados Unidos e Irã permanecem como fator de risco para o mercado. A crise voltou a pressionar o petróleo, que se aproximou de US$ 80 por barril após novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz.
O petróleo é um dos principais canais de transmissão da crise geopolítica para o Bitcoin. Uma alta persistente da commodity pode elevar os custos de energia, dificultar o processo de desinflação e levar o Federal Reserve a manter uma postura mais dura.
Segundo Tota, o comportamento recente da criptomoeda já mostrava alguma resistência, mesmo antes do CPI.
“Apesar da escalada geopolítica, da alta do petróleo e da incerteza em torno da inflação americana, o Bitcoin segue com volatilidade relativamente controlada”, diz o executivo do Mercado Bitcoin.
A deflação de junho funciona como um contrapeso à pressão recente do petróleo. O impacto sobre os próximos meses, porém, dependerá da duração do conflito e do comportamento dos preços de energia.
BitMine amplia reserva de Ethereum
Entre as notícias do setor, a BitMine Immersion Technologies adicionou mais 27.801 ETH à sua reserva na última semana, em uma operação estimada em US$ 49 milhões.
Com a compra, a companhia passou a deter 5,77 milhões de ETH, perto de 4,8% da oferta circulante do Ethereum. A posição era avaliada em aproximadamente US$ 10,1 bilhões, considerando o ativo próximo de US$ 1.780.
A operação reforça a expansão das tesourarias corporativas para além do Bitcoin. No caso do Ethereum, a tese envolve o uso da rede em stablecoins, finanças descentralizadas, tokenização e novas infraestruturas financeiras.
Leia também:
Stablecoins avançam em adoção e regulação
As stablecoins também tiveram avanços em diferentes mercados. Na Bolívia, autoridades avaliam incluir o USDT entre os meios de pagamento aceitos, após a retirada de restrições às transações com criptoativos em 2024.
Nos Estados Unidos, a OCC aprovou a criação do First National Digital Currency Bank, que operará como Circle National Trust. A estrutura ficará sob supervisão federal e poderá custodiar ativos digitais da Circle, além de participar da administração das reservas do USDC.
Para o Bitcoin, entretanto, o principal vetor desta terça-feira segue sendo macroeconômico. A deflação nos Estados Unidos reduziu a preocupação imediata com os juros, recuperou o apetite por risco e levou a criptomoeda novamente para a região dos US$ 64 mil.






