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Bitcoin estagna após Fed sinalizar tom mais agressivo, aponta Bitfinex

Bitcoin estagna após Fed sinalizar tom mais agressivo, aponta Bitfinex

Criptomoeda recuou quase 10% desde a máxima de maio e encontra resistência em US$ 79 mil, com inflação persistente nos EUA reduzindo a expectativa de cortes de juros no curto prazo

O Bitcoin perdeu força nas últimas semanas e estagnou próximo da abertura semanal, em US$ 77,4 mil, depois de cair quase 10% desde a máxima do início de maio até a mínima de US$ 74.027 registrada no sábado (23).

Segundo a edição 206 do relatório Bitfinex Alpha, o movimento é uma combinação entre inflação persistente nos Estados Unidos, expectativa de juros altos por mais tempo e o maior evento de liquidação em três meses.

A desalavancagem do dia 23 eliminou US$ 766 milhões em posições agregadas, dos quais US$ 458 milhões em posições compradas. Foi o maior long wipe registrado desde 6 de fevereiro, em meio à pressão do rendimento dos Treasuries de 10 anos, que atingiu máxima de 16 meses, e da incerteza geopolítica no Oriente Médio.

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Resistência em US$ 79 mil

A principal preocupação levantada pela Bitfinex está na posição dos compradores recentes. O Bitcoin operou abaixo do preço realizado de curto prazo, próximo de US$ 78,6 mil, e rompeu também o custo médio de acumulação de 30 dias após o fechamento abaixo de US$ 76,5 mil, na sexta-feira (22).

“O fechamento de sexta marca o primeiro fracasso estrutural deste grupo comportamental específico”, afirma o relatório.

A combinação cria uma camada de resistência em US$ 79 mil, faixa em que investidores que compraram em níveis mais altos tendem a vender no ponto de equilíbrio. Acima disso, o custo médio da coorte de novembro a fevereiro, em torno de US$ 85.900, segue como teto estrutural mais firme.

A casa também destacou uma alteração atípica nas posições alavancadas em sua própria exchange. Os margin longs da Bitfinex subiram para 82,68 mil BTC na semana passada, a maior leitura desde novembro de 2023 e alta de 88% em relação aos pisos de julho de 2025.

“A rápida expansão adicionou aproximadamente US$ 6,2 bilhões em exposição comprada em meio a uma queda de quase 10% do pico ao fundo”, aponta a Bitfinex, que classifica o comportamento como consistente com fases anteriores de drawdown em mercados de baixa.

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Inflação trava o Fed

O pano de fundo macroeconômico reforça as dificuldades para um avanço sustentado dos ativos de risco. A inflação persistente nos setores imobiliário, energético e de serviços reduziu a probabilidade de cortes de juros nos Estados Unidos no curto prazo, segundo a Bitfinex.

Dados do Federal Reserve de Atlanta mostram que a inflação de preços rígidos avançou 4,6% em ritmo anualizado em abril, enquanto a inflação de preços flexíveis acelerou para 19,3% na base trimestral anualizada. A inflação do setor de serviços subiu 3,4% em 12 meses, com pressão concentrada em moradia, transporte, saúde e serviços por assinatura.

A pressão também aparece no mercado imobiliário. A taxa hipotecária de 30 anos ultrapassou 6,5%, e as conclusões de obras residenciais caíram para 1,37 milhão em ritmo anualizado em março, ante 1,6 milhão um ano antes. O barril Brent segue acima de US$ 100, e o rendimento do Treasury de 2 anos opera acima de 4,1%, contra uma taxa efetiva dos Fed Funds próxima de 3,65%.

O Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan caiu para 44,8 em maio, menor leitura da série histórica, enquanto as expectativas de inflação de cinco anos subiram para 3,9%, ante 3,5% no mês anterior. A reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) de junho ganha peso adicional, já em meio à transição da presidência da autoridade monetária de Jerome Powell para Kevin Warsh.

“Até que as expectativas de inflação de cinco anos retornem para perto de 3% ou menos, um viés de afrouxamento permanece difícil de justificar”, conclui o relatório.