O Assaí (ASAI3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um desempenho operacional abaixo das expectativas do mercado, mas ainda assim viu suas ações avançarem cerca de 8% após a divulgação dos resultados. A reação positiva não veio dos números de vendas ou de margem — que decepcionaram —, mas da forte geração de caixa e da melhora visível na estrutura financeira da companhia.
O balanço reforçou a leitura de que o varejo alimentar segue enfrentando um ambiente competitivo e de crescimento limitado. A receita avançou pouco mais de 3% na comparação anual, sustentada principalmente pela abertura de novas lojas, enquanto as vendas nas mesmas unidades cresceram menos que a inflação de alimentos — um sinal claro de perda de dinamismo no consumo real.
Mesmo com alguma melhora na margem bruta, impulsionada pela maturação de lojas e ajustes comerciais, o ganho não foi suficiente para compensar a pressão das despesas operacionais. O resultado foi uma margem EBITDA abaixo do esperado e um lucro líquido em queda na comparação anual.
Na avaliação do Safra, o crescimento das vendas continua sendo o principal ponto de atenção para a tese de investimento.
“O crescimento das vendas é essencial para destravar mais margem EBITDA e impulsionar o lucro por ação”, escreveram os analistas, que destacam preocupação com as perspectivas de receita diante do cenário macro e da concorrência no setor.
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Geração de caixa muda a leitura do mercado
Se o desempenho operacional decepcionou, o balanço financeiro contou uma história diferente — e foi essa narrativa que sustentou a alta das ações.
O fluxo de caixa operacional após investimentos atingiu cerca de R$ 2,6 bilhões no trimestre, um salto relevante frente aos aproximadamente R$ 1,5 bilhão registrados um ano antes. O avanço refletiu principalmente menor necessidade de capital de giro, disciplina de investimentos e maior eficiência financeira.
O impacto apareceu diretamente no endividamento. A dívida líquida recuou de forma expressiva, levando a alavancagem para perto de 2,6 vezes dívida líquida sobre EBITDA.
Para o BTG Pactual, a geração de caixa foi o principal destaque do trimestre. O banco ressaltou “mais uma sólida geração de caixa e desalavancagem consistente”, mesmo em um cenário de desaceleração das vendas.
Na prática, isso significa um balanço menos pressionado, menor risco financeiro e maior previsibilidade para os próximos anos — fatores que tendem a ter peso relevante na avaliação dos investidores.
Créditos tributários reforçam expectativa de desalavancagem
Além da geração de caixa já observada, o mercado também passou a incorporar uma melhora adicional à frente. A companhia anunciou a monetização potencial de cerca de R$ 1,5 bilhão em créditos tributários, com impacto relevante no caixa ao longo dos próximos anos.
Segundo o Bradesco BBI, o montante “não é desprezível” e pode acelerar o processo de desalavancagem, reforçando a trajetória de melhora do balanço mesmo diante de um ambiente operacional ainda pressionado.
Analistas veem balanço mais forte, mas crescimento ainda preocupa
A leitura predominante entre analistas é que a melhora financeira é relevante, mas não elimina as incertezas sobre o ritmo de crescimento da companhia.
Relatórios destacam que a geração de caixa consistente e a redução da alavancagem fortalecem a tese de investimento, mas o desempenho das vendas continua sendo o principal fator a ser monitorado para a evolução dos resultados.
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