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Magalu (MGLU3): os games e a tentativa de recuperação. É hora de investir?

Magalu (MGLU3): os games e a tentativa de recuperação. É hora de investir?

Matheus Miranda

Matheus Miranda

15 Set 2022 às 15:12 · Última atualização: 16 Set 2022 · 7 min leitura

Matheus Miranda

15 Set 2022 às 15:12 · 7 min leitura
Última atualização: 16 Set 2022

Magalu (MGLU3)

Fachada de uma loja física da Magalu

A Magalu (MGLU3) foi considerada uma das empresas mais indicadas na bolsa. Porém, desde o ano passado, os preços das ações da companhia vêm caindo drasticamente de valor. Somente neste ano, a desvalorização chegou a algo próximo a 65%, saindo de um patamar de R$ 7,22 para algo em torno de R$ 4,30. Mas essas dificuldades não se resumem apenas a Magalu. As desvalorizações atingem companhias de varejo como um todo, como Via (VIIA3) e Meliuz (CASH3).

Pensando nesses problemas, a Magalu (MGLU3) lançou uma aposta no mercado de games, com a Magalu Games, um laboratório especificamente voltada para a produção de jogos eletrônicos, dentro do Luizalabs. O primeiro sinal desse passo foi a aquisição da KaBum!, considerada uma das principais plataforma de e-commerce do país. O negócio foi fechado por R$ 1 bilhão.

A compra da KaBum!, foi realizada no ano passado. Na época, a Magalu adquiriu 564.792 ações de emissão da Kabum e incorporou outras 1.411.982, em razão da qual a Kabum se tornará uma subsidiária integral da gigante varejista.

Foi garantido o direito de recesso aos acionistas da Magalu que não votaram favoravelmente à incorporação de ações, no prazo de trinta dias contados da data de publicação da ata da AGE nos jornais. Os acionistas dissidentes da operação tiveram direito ainda ao reembolso dos ativos, no valor de R$ 1,12 por ação.

Em 2020, Magalu já chegou a atingir um pico de valorização na qual já atingiu R$ 28 por ação. Mas a partir do ano passado, começou a queda intensa das ações da companhia.

Histórico da Magalu (MGLU3)

BTG (BPAC11) vê perspectivas piores

Apesar dessa tentativa, o cenário é pouco animador, segundo o BTG Pactual (BPAC11). Ainda assim, o banco de investimentos recomenda compra para os papéis, ao preço-alvo de R$ 7. O Citi também recomenda compra e elevou o preço-alvo para a ação: de R$ 3 para R$ 5. A ação é negociada nesta quinta-feira (15) a R$ 4,33.

Como esperado, a empresa apresentou resultados fracos no segundo trimestre do ano (2TRI22), refletindo a difícil base de comparação de e-commerce do ano passado, as condições de mercado mais difíceis (queda de 3% no e-commerce brasileiro no 2TRI22, segundo a Neotrust). Pesaram ainda nas condições adversas, a operação de lojas físicas, que foram novamente impactadas por pressões inflacionárias e pela menor demanda por eletrônicos e eletrodomésticos.

O SSS (vendas em mesmas lojas) caiu 8,2% frente ao 2TRI21, enquanto o GMV do e-commerce cresceu 1,9%, porém ficando 5% abaixo da projeção BTG, implicando um acréscimo de R$ 190 milhões no GMV online. O GMV total foi de R$ 13,9 bilhões, 6% abaixo da estimativa do banco, enquanto a empresa encerrou o trimestre com 200 mil sellers (ante 180 mil no 1TRI22) e com 36% de seu GMV online vindo da operação 3P.

Dados do relatório BTG

Perspectivas macro ainda difíceis

As perspectivas macro para o restante do ano, segundo o mais recente relatório BTG sobre a empresa, permanecem difíceis, bem como as preocupações com ações de tecnologia persistem.

Ainda em relação ao 2TRI22, os resultados foram fracos (com números operacionais mais fracos, mas grande melhora na geração de caixa), e ainda esperam-se que as ações continuem voláteis nos próximos meses, apesar de uma grande correção (-58% no acumulado do ano).

Embora a ação esteja negociando em seus níveis mais baixos de mais de cinco anos do ponto de vista de EV/vendas e EV/GMV, o banco de investimentos ainda espera que ela continue pressionada no curto prazo por fatores como: um crescimento lento do GMV online, dada sua exposição a categorias cíclicas como eletroeletrônicos e eletrodomésticos, e a baixa (mas crescente) penetração do negócio 3P no GMV online; o fraco desempenho da operação de lojas físicas, continuando a gerar desalavancagem operacional; o impacto do aumento das taxas de juros no Brasil (levando a maior inadimplência nos próximos trimestres) nos resultados da Luizacred; e o maior custo de captação para desconto de recebíveis, impactando o resultado financeiro e o resultado líquido.

Barsi aponta histórico preocupante no varejo

Luiz Barsi, considerado como o Warren Buffett brasileiro, aponta que o varejo como um todo tem um histórico pouco agradável de falências. Em entrevista ao Estadão, o maior investidor individual da B3 (B3SA3) aponta que a falência pode ser um fim trágico não só para Magalu (MGLU3), mas para o e-commerce como um todo.

Segundo ele, pelo menos 40 companhias desse segmento já quebraram e a tendência é que as falências continuem. Ele crava ainda que Magalu “vai quebrar”, mas não se sabe quando.

O megainvestidor brasileiro diz ainda que quem investe em papéis de empresas do varejo se deparam com dificuldades de recuperar o investimento feito em caso do tombo de algum ativo desses. Isso porque, com a inflação considerada elevada, o varejo precisa sempre correr atrás dos índices inflacionários.

As empresas compram produtos cada vez mais caros e não conseguem repassar os custos para os consumidores no mesmo ritmo, explica ele.

No mercado brasileiro há dois casos famosos de outrora grandes lojas, como o Mappin, em São Paulo; e a Mesbla, no Rio de Janeiro. Eram consideradas empresas rentáveis e lucrativas até meados dos anos 90, quando começou a bancarrota delas.

Como os juros elevados impactam

Entre os segmentos da economia que mais sofrem com a elevção dos juros o varejo é justamente um dos mais atingidos. Isso porque com os juros altos, o crédito fica mais caro. E por consequência, os consumidores retém as compras.

O aumento na taxa Selic faz com que os títulos públicos paguem uma remuneração maior, com um risco muito baixo. Dessa forma, o capital circulante é direcionado para os cofres públicos, reduzindo a liquidez do mercado. Isso pode causar diminuição do consumo, freando toda a cadeia produtiva da economia.

Quando há excesso de dinheiro em circulação, pode acontecer que a demanda por consumo se torne superior à oferta de bens e serviços disponíveis.

Nessa situação, os preços são pressionados para cima, o que aumenta a inflação. No entanto, a subida da inflação não pode ser sem limites, é por isso, que o governo precisa intervir, elevando a taxa Selic.

Com isso, o custo das compras de longo prazo aumenta e o consumo é desestimulado. Com menos compras, os preços tendem a ter uma queda natural.

Recentemente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a batalha contra a inflação alta ainda não está vencida e por isso a política monetária deve ser mantida. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano.

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