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Batalha contra inflação não está ganha e BC manterá política de juros, diz Campos Neto

Batalha contra inflação não está ganha e BC manterá política de juros, diz Campos Neto

Osni Alves

Osni Alves

06 Set 2022 às 09:16 · Última atualização: 06 Set 2022 · 5 min leitura

Osni Alves

06 Set 2022 às 09:16 · 5 min leitura
Última atualização: 06 Set 2022

A batalha contra a inflação não está ganha e o Banco Central do Brasil (BC) manterá sua política de juros. A afirmação é do presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto.

A fala do executivo dá a entender que o BC não pretende cortar juros, ao menos por enquanto, mesmo com alguns indicadores apontando deflação em setores distintos.

Com esse cenário de pano de fundo, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve continuar “apertando o cinto” para, assim, tentar segurar a elevação dos preços de produtos e serviços.

Vale lembrar que em 9 de agosto de 2022 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA de julho. Conforme a autarquia, este recuou em 0,68% naquele mês, o que configura uma deflação. O indicador mede a inflação das famílias brasileiras.

Entretanto, o Brasil também sente o peso da pressão inflacionária mundial, cuja maior economia do planeta – os Estados Unidos, tem lutado contra uma inflação de 9,1% ao ano, conforme a última leitura. Trata-se de um volume muito elevado para os padrões norte-americanos.

Para além disso, uma suposta recessão técnica nos EUA, bem como uma crise energética na Europa tem o poder de bagunçar o quadro econômico geral. Como o Brasil exportou US$ 209,8 bilhões ao todo, em 2020, segundo a FazComex, sendo que os EUA ocupam a segunda posição como principal cliente, uma “freada” lá pode “manchar o asfalto com pneu queimado por aqui”.

E não apenas isso, mas a própria China que ocupa a primeira posição entre os que mais adquirem produtos brasileiros (commodities), com destaque para o minério de ferro, tem visto sua economia enfraquecer por conta dos sucessivos picos de coronavírus e outras variantes que levam o governo a determinar o fechamento de empresas e o contingenciamento de pessoas.

Esta é uma das razões pelas quais Campos Neto foi enfático ao afirmar, ontem, que ainda que o Brasil registre três meses de deflação, a autoridade monetária não pretende aliviar a taxa de juros. Muito provavelmente ele está olhando para o resto do mundo.

Ele também realçou em sua fala que o BC pretende mesmo é finalizar o trabalho (de aperto monetário), e isso significa a convergência da inflação. Na prática, significa dizer que a autoridade monetária ainda tem fôlego para brigar com a inflação até que ela alcance a meta, ou algo próximo a ela.

Já em relação à meta da inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu esta em 3,25% para o IPCA, também com 1,5 ponto percentual de tolerância. Dessa forma, o índice poderá fechar o próximo ano entre 1,75% e 4,75%. O BC projeta que a inflação oficial ficará em 4% em 2023 e 2,7% em 2024.

Para Campos Neto, o movimento de queda inicial da inflação no país ocorreu, em grande parte, devido às medidas recentes do governo para conter os preços administrados, como energia e combustíveis. Ele frisou, ainda, que a medida adotada pelo governo está em linha com diversos outros países do mundo, que gastaram algo próximo a 1,5% ou 2% do PIB em medidas para conter os preços de energia, que vêm apresentando forte alta global.

Imagem mostra o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Inflação pelo Boletim Focus

O Boletim Focus do Banco Central (BC) projeta inflação menor este ano e juros maiores em 2023, conforme relatório encaminhado ao mercado na manhã de segunda-feira (5).

O Focus é um compilado da opinião de economistas consultados pela autoridade monetária e o objetivo é acompanhar os possíveis cenários para a economia brasileira.

O levantamento informa que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é um indicativo de inflação, caiu de 6,70% para 6,61%. Para 2023, o IPCA recua de 5,30% para 5,27%.

Em relação aos juros, o Focus projeta a Selic estável em 2022, em 13,75%, conforme o último relatório, e projeta elevação de 11% para 11,25% em 2023. A Selic é o juro básico da economia brasileira.

Em se tratando do Produto Interno Bruto (PIB), o Focus projeta elevação em 2022, de 2,10% para 2,26%. Já o PIB de 2023 avança de 0,37% para 0,47%. Por fim, o câmbio permanece estável em 2022, conforme o levantamento, em R$ 5,20. Para 2023, o câmbio também permanece em R$ 5,20.

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