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IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Kautz, da EQI

IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Kautz, da EQI

Osni Alves

Osni Alves

09 Jun 2022 às 11:07 · Última atualização: 09 Jun 2022 · 8 min leitura

Osni Alves

09 Jun 2022 às 11:07 · 8 min leitura
Última atualização: 09 Jun 2022

IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Kautz, da EQI

O IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Stephan F. Kautz, economista-chefe da EQI Asset, para quem a expectativa era de 0,60% no período.

Trata-se do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã de quinta-feira (9).

Conforme a autarquia, o IPCA registrado veio 0,59 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 1,06%, de abril.

Também disse que, no ano, o IPCA acumula alta de 4,78% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%, abaixo dos 12,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2021, a variação havia sido de 0,83%.

De acordo com Kautz, o IPCA mostra sinal de arrefecimento dos preços industriais (bens duráveis), que foram importante foco de pressão nos últimos 12 meses.

“A parte de núcleo, que exclui os itens mais voláteis, também mostrando sinais de estabilização. Ainda assim, é uma inflação muito alta, mas que parece ter parado de piorar. A expectativa é de que nos próximos meses essa inflação comece a desacelerar e, assim, o Banco Central possa encerrar o ciclo de alta dos juros”, destacou.

IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Kautz, da EQI

IPCA: grupos pesquisados

Ainda de acordo com o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em maio. A maior variação veio do grupo Vestuário, com alta de 2,11% e 0,09 p.p. de contribuição. Já o maior impacto (0,30 p.p.) veio dos Transportes (1,34%), que desaceleraram em relação ao mês anterior (1,91%).

Alimentos e bebidas também desaceleraram, registrando 0,48% em maio, frente à alta de 2,06% em abril. O único grupo a apresentar queda foi Habitação (-1,70%), contribuindo com um impacto de -0,26 p.p. no índice do mês. Os demais grupos ficaram entre o 0,04% de Educação e o 1,01% de Saúde e cuidados pessoais.

Já o resultado do grupo Vestuário (2,11%) foi influenciado principalmente pela alta nos preços das roupas masculinas (2,65%), das roupas femininas (2,18%) e das roupas infantis (2,14%). O item calçados e acessórios (2,06%) também registrou variação superior a 2% em maio. A exceção no grupo foram as joias e bijuterias, cujos preços recuaram 0,34%.

Demais grupos

No grupo Transportes (1,34%), a maior contribuição veio das passagens aéreas (18,33%), que já haviam subido em abril (9,48%). Foi o maior impacto individual sobre o índice do mês (0,08 p.p.), juntamente com os produtos farmacêuticos (2,51%), que fazem parte do grupo Saúde e cuidados pessoais (1,01%). Os combustíveis (1,00%) desaceleraram em relação ao mês anterior (3,20%), devido à gasolina, que passou de 2,48% em abril para 0,92% em maio. Houve ainda queda no preço do etanol (-0,43%), que, em abril, havia subido 8,44%.

Ainda em Transportes, cabe destacar as variações positivas dos subitens ônibus urbano (0,06%) e táxi (0,72%). A primeira é consequência do reajuste de 12,5% no preço das passagens em Aracaju (5,75%), vigente desde 15 de maio. A segunda decorre dos reajustes de 41,51% nas tarifas em São Paulo (1,99%), em vigor desde 2 de abril, e de 14,10% em Fortaleza (5,20%), aplicado a partir de 12 de abril.

Houve ainda reajustes nos ônibus intermunicipais (1,19%) em três áreas: Belo Horizonte (6,88%): reajustes de até 17% nas passagens, desde 16 de maio; Aracaju (6,25%): reajustes de até 12,5% nas passagens, desde 15 de maio; Porto Alegre (5,39%): reajuste de 7,33% nas passagens, desde 14 de abril.

IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Kautz, da EQI

Alimentação e bebidas

A desaceleração do grupo Alimentação e bebidas (0,48%) deve-se à alimentação no domicílio, que passou de 2,59% em abril para 0,43% em maio. Verificou-se queda nos preços de alguns itens que haviam pressionado o índice no mês anterior, como tomate (-23,72%) e batata-inglesa (-3,94%). Houve recuo também nos preços da cenoura (-24,07%), embora a variação acumulada desse alimento em 12 meses ainda seja de 116,37%. O maior impacto positivo dentro do grupo (0,04 p.p.) veio do leite longa vida (4,65%), que já acumula 28,03% de variação no ano. Cabe mencionar ainda a alta de 21,36% nos preços da cebola, maior variação positiva do IPCA no mês de maio.

O resultado da alimentação fora do domicílio (0,61%) ficou muito próximo ao de abril (0,62%). O lanche passou de 0,98% para 1,08% e a refeição foi de 0,42% para 0,41%.

A queda do grupo Habitação (-1,70%) deve-se, sobretudo, à energia elétrica (-7,95%), que recuou pelo segundo mês seguido. Em 16 de abril, cessou a cobrança extra de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos, no contexto da bandeira Escassez Hídrica. Desde então, passou a vigorar a bandeira verde, sem cobrança adicional na conta de luz. As variações de energia elétrica nas áreas foram desde -13,49% em Brasília (onde houve redução de PIS/COFINS) até 6,97% em Fortaleza, por conta do reajuste de 24,23% nas tarifas residenciais, a partir de 22 de abril.

Reajustes tarifários

Também foram registrados reajustes tarifários nas contas de energia elétrica das seguintes regiões: Recife (3,27%): reajuste de 18,77%, em vigor desde 29 de abril; Salvador (2,56%): reajuste de 20,97%, vigente desde 22 de abril; Aracaju (0,79%): reajuste de 16,81%, a partir de 22 de abril; e Campo Grande (-1,63%): reajuste de 17,14%, a partir de 16 de abril.

Ainda em Habitação, destaca-se o recuo nos preços do gás de botijão (-1,02%), após a alta de 3,32% em abril. No lado das altas, a variação positiva da taxa de água e esgoto (2,73%) reflete os reajustes de 12,89% em São Paulo (8,29%), vigente desde 10 de maio, e de 4,99% em Curitiba (1,97%), desde 17 de maio. Já a alta do gás encanado (2,23%) ocorreu devido a dois reajustes: de 5,95%, no Rio de Janeiro (com variação no índice de 5,74%), em 1º de maio; e de 9,16%, em Curitiba (variação de 3,27%), em 18 de maio.

No grupo Saúde e cuidados pessoais (1,01%), o resultado foi influenciado pela alta dos produtos farmacêuticos (2,51%), maior impacto individual positivo no índice de maio (0,08 p.p.) juntamente com as passagens aéreas, conforme já mencionado. Os planos de saúde, por sua vez, seguem em queda (-0,69%). O reajuste de 15,5% aprovado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no dia 26 de maio será incorporado a partir do IPCA-15 de junho, seguindo a metodologia empregada nos anos anteriores.

Apenas Vitória (-0,08%) teve variação negativa em maio, principalmente devido às quedas nos preços da energia elétrica (-10,48%) e do tomate (-39,93%). Já a maior alta foi em Fortaleza (1,41%), puxada por energia elétrica (6,97%) e gasolina (2,19%).

Tá, e daí?

O BTG Pactual informou, em nota, que a desaceleração do IPCA no mês de maio se deu, em grande parte, pelo arrefecimento em itens mais voláteis (Alimentação, Combustíveis e Energia Elétrica).

Também disse que a surpresa baixista no mês ficou concentrada no segmento de Alimentos e Bebidas (0,48%), com destaque para o subgrupo de Alimentação no Domicílio, que passou de 2,59% para 0,43%, e Alimentos in natura, com uma deflação de -5,12%, puxada pelo recuo em tomates, batata inglesa e cenoura.

E acrescentou que, na direção oposta, a persistência observada nos preços de Serviços e Bens Industriais (segmentos do núcleo), com alta de 0,85% e 1,06%, respectivamente, mantiveram a composição do resultado desfavorável, a despeito da dissipação na margem de alguns segmentos com peso relevante no índice.

“Nesse sentido, observamos que a média dos núcleos passou de 0,95% para 0,93%, com o indicador de difusão em 72,41%, patamar elevado para padrões históricos. No ano, o IPCA acumula alta de 4,78%, próximo do teto da meta de inflação”, disse.

E para frente?

O banco de investimentos destaca que, para o curto prazo, observa vetores altistas e baixistas para os preços. Na esfera altista, entendemos que o fortalecimento do mercado de trabalho, com a melhora na margem do rendimento real das famílias, e a manutenção da demanda por Serviços podem resultar em novas pressões inflacionárias.

Na direção oposta, a aprovação de projetos com o objetivo de reduzir o preço dos combustíveis devem promover relevantes impactos baixistas sobre a inflação. “Caso a PLP nº 18/22 e a PEC dos Combustíveis sejam aprovadas, esperamos um impacto total de -2,89%”, destacou.

Por outro lado, diante da vigência do projeto (até de 31 de dezembro de 2022) as expectativas de inflação para o próximo ano podem sofrer revisões altistas.

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