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Investimentos alternativos: como inserir private equity e venture capital na carteira?

Investimentos alternativos: como inserir private equity e venture capital na carteira?

Redação EuQueroInvestir

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29 Out 2021 às 00:40 · Última atualização: 29 Out 2021 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

29 Out 2021 às 00:40 · 6 min leitura
Última atualização: 29 Out 2021

investimentos alternativos

A alta de juros recente e a expansão da tecnologia favorecem a alocação em investimentos alternativos. Para falar do assunto, Gustavo Ahrends, co-fundador da Milenium, fez a mediação de um painel na Money Week. E recebeu Ricardo Scavazza, CEO de private equity da Pátria Investimentos; Joaquim Lima, sócio da Riverwood Capital; e Luís Felipe Magon, sócio da Igah Ventures. Acompanhe!

Como foi atravessar o período de intensa crise na pandemia?

Para Magon, o período foi um momento muito delicado pelo isolamento. Sua gestora estava começando a captação de um novo fundo em janeiro de 2020 e suspendeu a capitação, focando em ajudar os empreendedores a enfrentar as dificuldades apresentadas. Havia muita incerteza, pois o papel de empreendedor é isolado muitas vezes.

Ele acrescenta: “No portfólio, acelerou-se o processo de transformação digital, adiantando em anos talvez. Um exemplo foi a empresa Conexa, de telemedicina. Rapidamente, o processo de atendimento virtual virou uma realidade, mostrando um aumento expressivo no número de atendimentos, multiplicando por 10 em 3 meses e 6 vezes em um ano”.

Já Joaquim Lima e sua equipe se voltaram para os empreendedores e para a carteira para entender o impacto em cada empresa investida, até mesmo para tomar atitudes voltadas à liquidez, taxa de retorno e operações diversas. Ele diz que a capilaridade ao redor do mundo de sua empresa ajudou a tomar decisões e a maior parte dos investimentos foram resilientes. Diz ele: “Em nossos fundos, os investimentos acabaram sendo acelerados na pandemia, investindo mais recursos por conta da adoção de novos hábitos que perdurariam mesmo com o fim do isolamento”.

A opinião de Ricardo Scavazza é que foi forte o impacto na economia e muito desigual, afetando os setores de forma diferente. Segundo ele, “a Pátria teve boa proteção nesse período, com 80% das empresas do portfólio dentro ou acima do budget em 2020, e também pela escolha setorial, ramos de agronegócios e saúde tiveram crescimento estável”.

Ele continua: “Esses setores performaram bem, mesmo durante a pandemia. No pior dos casos, permaneceram estáveis. Já as tendências de digitalização no mundo dos negócios se aceleraram. As organizações fizeram mudança de canais de comunicação. Além disso, a pandemia levou à consolidação de mercado por algumas empresas, que por terem mais capital e estrutura mais sólida acabaram saindo da pandemia com mais marketshare. Assim a crise vira uma oportunidade, acelerando a consolidação”.

Quais são as novas oportunidades surgidas com o “novo normal”?

Joaquim Lima diz: “Várias atividades foram digitalizadas e permaneceram assim, ou serão híbridas. Um exemplo é o processo de recrutamento que considera agora uma grande carga de dados, com processos remotos. Além disso, processos de negócios e consumos serão adaptados às ferramentas de mais modernidade, centradas em software”.

Já Magon acrescenta: “Vimos a aceleração do processo de transformação digital, já que o brasileiro é um grande consumidor de tecnologia. Já havia uma tendência de baixa resistência às novidades, e o setor de educação se adequou para manter o ritmo de aula. Parte disso deve permanecer, pois o varejo precisou fechar as portas e teve que manter a interação com o comprador sem a presença física. Vejo varejo, educação e saúde sendo acelerados na transformação digital com a pandemia e não voltam mais em seu progresso”.

Segundo Ricardo Scavazza, a Pátria constrói empresas líderes, com o emprego forte de tecnologia para construir as plataformas, com a digitalização do setor. Ele diz ainda: “consolidamos negócios ao comprar empresas tradicionais e investir em digitalização. Vimos que a forma de fazer negócios e interagir se transformou, migrando para o digital, com transações que só aconteciam presencialmente indo para o remoto. Tivemos o processo de abertura de capital da própria Pátria sendo 100% em roadshow virtual. As pessoas não querem voltar ao antigo modelo porque perceberam uma maior produtividade”.

Como será abertura de capital e captação de recursos pelas empresas daqui em diante?

Ricardo Scavazza diz: “O processo deve ser colocado em perspectiva pela sazonalidade normal de IPO. Desde 2004 temos altos e baixos, e as janelas fechadas ficando cada vez menores. O mercado brasileiro é muito saudável, sempre aberto a boas empresas até mesmo comparado a outros países emergentes. Tem grande liquidez e ganhou muito desenvolvimento nos últimos anos”.

Já para Joaquim Lima, o mercado americano é muito líquido, com hiatos de IPO ficando cada vez mais curtos. Ele acrescenta: “O mercado americano é dedicado de forma diferente, com pool de liquidez voltado a empresas de tecnologia. São alternativas boas para empresas que querem ir além das fronteiras do Brasil, pelo pool grande de investidores acostumados a esse tipo de negócios. Quanto às saídas, tem-se as empresas ficando no mercado doméstico mais tempo, não necessariamente com capital aberto. Agora existem os fundos de buy outs para compra de empresas nos EUA, com esse modelo de negócio migrando cada vez mais para o Brasil”.

Em relação a isso, Magon diz: “Temos o foco em empresas com taxas de crescimento acelerado, de modo que o maior risco é a execução do plano e não o cenário macro. Fizemos dois movimentos importantes em 2021: fomos o primeiro investidor institucional da Infra Commerce e da Reserva, com M&A com a Arezzo. Também existem oportunidades de saída mais frequentes e fundos se movimentando, olhando para movimentos pré-IPO e se antecipando ao movimento de empresas que ainda amadurecerão, como as startups”.

Como as pessoas físicas devem se comportar em relação aos investimentos alternativos?

Luís Felipe Magon diz que o acesso é muito importante. Para ele, há muitas plataformas que democratizaram os investimentos, como a Avenue, que permite que brasileiros de baixa renda diversifiquem seu patrimônio no mercado americano.

Joaquim Lima acha que os investimentos alternativos são uma classe que requer paciência. O brasileiro é apressado muitas vezes, e é necessário fazer uma seleção de bons gestores, com foco no médio e longo prazo. As plataformas atuais permitem fazer essa seleção.

Já Ricardo Scavazza diz que é preciso olhar para os alternativos como uma parte importante do portfólio, que proporcionam retornos maiores, de 20% ou mais. Ele acrescenta: “Internacionalmente, o histórico confirma o private equity com maior retorno no longo prazo. Em mercados mais maduros é assim há muito tempo e os investidores já buscam melhores retornos fora da renda fixa. O contraponto é a liquidez, com prazo de desinvestimento em torno de 10 anos”.

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