A busca por oportunidades de residência fora do país tem levado investidores a olhar além de fatores como custo e facilidade de obtenção de vistos. Qualidade de vida, mobilidade internacional, segurança jurídica e possibilidades de investimento passaram a pesar nessa decisão.
Em 2026, Suíça, Emirados Árabes Unidos e Portugal aparecem na liderança entre os destinos de migração por investimento.
Os países ocupam as três primeiras posições do Índice Global de Programas de Residência 2026, elaborado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions. O levantamento avaliou 48 programas de residência em 46 jurisdições, considerando cinco pilares: qualidade de vida, procedimento, mobilidade, investimento e conformidade e credibilidade.
A residência fiscal de montante fixo da Suíça lidera o ranking, com 91,9 pontos. Na sequência aparecem o Golden Visa dos Emirados Árabes Unidos, com 91,5 pontos, e o Golden Visa de Portugal, com 91,3.
O top 10 ainda reúne programas de Itália, Grécia, Nova Zelândia, Singapura e Luxemburgo, além do visto D2 de Portugal. Os programas norte-americanos EB-5 e E-2 registraram, respectivamente, 83,9 e 82,6 pontos, ficando fora das dez primeiras posições.
Investidores buscam mais do que benefícios fiscais
O levantamento indica que não existe um único destino adequado para todos os perfis. A escolha depende dos objetivos do investidor e de sua família.
Suíça e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, ganham relevância entre aqueles que consideram aspectos tributários na decisão. Para empreendedores, programas como o D2 português e as opções de Singapura aparecem entre as alternativas. Já famílias interessadas em qualidade de vida encontram boas avaliações em países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Portugal também ganha espaço nesse quesito por fatores como segurança e clima, além da presença de uma comunidade brasileira já estabelecida.
Na Oceania, a média regional chegou a 88,6 pontos, a maior entre as regiões avaliadas. A Nova Zelândia ficou na sexta colocação geral, enquanto a Austrália aparece na 13ª posição.
Portugal ganha espaço entre brasileiros e empreendedores
Para os brasileiros, Portugal ocupa uma posição de destaque nesse cenário. Dados do Relatório Consular Anual do Ministério das Relações Exteriores citados no levantamento apontam que 574.195 brasileiros vivem no país europeu.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino da comunidade brasileira no exterior, com 2.067.225 residentes. Ao todo, a população brasileira vivendo oficialmente fora do país chegou ao recorde de 5.292.906 pessoas.
No caso português, além da presença consolidada de brasileiros, diferentes modalidades de residência ampliam as alternativas de acordo com o perfil do interessado. Enquanto o Golden Visa aparece entre os três primeiros colocados do ranking global, o visto D2 se apresenta como uma alternativa direcionada a empreendedores.
Migração por investimento passa por transformação
O mercado de residência no exterior por meio de investimentos também mudou nos últimos anos. Programas sustentados principalmente pela compra de imóveis vêm perdendo espaço para modelos que exigem participação mais ativa do capital na economia dos países.
Portugal retirou os investimentos imobiliários das opções elegíveis para o Golden Visa em outubro de 2023. A Grécia elevou os valores mínimos para determinadas propriedades em 2024, enquanto a Espanha encerrou definitivamente seu Golden Visa em abril de 2025.
Outros países também reformularam ou encerraram programas ligados à cidadania e residência por investimento.
Como consequência, fundos de investimento, participação em empresas, empreendedorismo e geração de empregos passaram a ocupar uma posição mais relevante.
No Golden Visa português, por exemplo, os aportes podem ser direcionados a fundos de venture capital e private equity regulados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Singapura e Nova Zelândia também adotam modelos que direcionam recursos para fundos e empresas em crescimento.
Capital ativo ganha importância
A mudança mostra que os países estão aumentando as exigências sobre a contribuição econômica associada aos programas de residência.
“O que mudou na última década diz respeito tanto à demanda quanto à due diligence. Os programas com melhor pontuação em 2026 são aqueles que conseguem comprovar uma contribuição econômica genuína e resistir ao escrutínio, não apenas aqueles com o menor custo de entrada”, afirma Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions.
Apesar das mudanças, os Golden Visas ainda representam a maior parte dos programas analisados: estão presentes em 34 das 48 opções avaliadas pelo índice. A tendência, porém, é de crescimento de alternativas que relacionam a concessão de residência a investimentos ativos, empreendedorismo e desenvolvimento econômico.
Para Laura Madrid, pesquisadora-chefe da Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions, o capital direcionado à contribuição econômica tende a ganhar importância no futuro do setor. Segundo ela, um número crescente de países vem criando vistos para empreendedores e modelos que conectam de forma mais direta os investimentos estrangeiros ao desenvolvimento nacional.
Como o ranking foi elaborado
O Índice Global de Programas de Residência 2026 utiliza uma escala de zero a 100. Qualidade de vida e procedimento têm peso de 30% cada na pontuação final. Mobilidade representa 20%, enquanto investimento e conformidade e credibilidade respondem por 10% cada.
O resultado mostra um cenário em transformação para quem considera a migração por investimento. Mais do que simplesmente oferecer uma porta de entrada para outro país, os programas mais bem avaliados combinam fatores como qualidade de vida, mobilidade, segurança, exigências regulatórias e capacidade de gerar impacto econômico.
Para os brasileiros no exterior, especialmente empresários, investidores e famílias que avaliam uma mudança de longo prazo, o avanço desses modelos amplia as possibilidades, mas também torna a escolha mais complexa. O destino mais atrativo passa a depender não apenas do valor disponível para investir, mas do projeto de vida, dos objetivos profissionais e do tipo de vínculo que se pretende construir com o novo país.
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