Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Investimento no Exterior
PicPay inicia IPO para arrecadar em torno de US$ 500 milhões

PicPay inicia IPO para arrecadar em torno de US$ 500 milhões

Oferta prevê 22,9 milhões de ações Classe A, com faixa indicativa de US$ 16 a US$ 19 e listagem na Nasdaq sob o ticker “PICS”. Operação pode chegar perto de US$ 500 milhões com lote adicional

O PicPay anunciou nesta terça-feira (20) o lançamento do seu IPO nos Estados Unidos, em uma oferta de 22,857 milhões de ações ordinárias Classe A, com faixa indicativa de preço entre US$ 16 e US$ 19 por papel.

A companhia pretende listar os papéis na Nasdaq Global Select Market, sob o ticker “PICS”, e, com a opção de lote adicional, a operação pode levantar em torno de US$ 500 milhões.

De acordo com o prospecto publicado na SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), o IPO do PicPay será composto por uma oferta primária de 22,857 milhões de ações Classe A. Considerando a faixa indicativa divulgada, a captação pode ficar entre US$ 366 milhões (no piso de US$ 16) e US$ 434 milhões (no teto de US$ 19), antes de despesas e eventuais ajustes de demanda.

Além disso, a empresa prevê um lote adicional (greenshoe), que pode elevar o volume total ofertado. O prospecto informa que os bancos coordenadores devem ter uma opção de 30 dias para adquirir até 3,428 milhões de ações Classe A adicionais, mecanismo que pode levar a captação para perto de US$ 500 milhões, dependendo do preço final e do exercício integral do lote.

“Atualmente, estima-se que o preço inicial por ação Classe A ficará entre US$ 16,00 e US$ 19,00. Pretendemos solicitar a listagem das ações Classe A na Nasdaq Global Select Market sob o símbolo “PICS””, diz o prospecto preliminar.

Publicidade
Publicidade

Investidores âncora indicam interesse de até US$ 75 milhões

Além da faixa de preço e do volume de ações, o PicPay informou que investidores âncora sinalizaram interesse em participar da oferta. Segundo a companhia, a Bicycle Capital e entidades afiliadas indicaram intenção de comprar um montante agregado de US$ 75 milhões em ações Classe A no preço do IPO.

Na prática, a presença de investidores âncora pode ajudar a sustentar a demanda no momento da precificação, embora a empresa destaque que esse tipo de indicação não representa obrigação formal de compra.

“Como essas indicações de interesse não são acordos vinculantes ou compromissos de compra, os investidores âncora podem decidir comprar mais, menos ou nenhuma ação nesta oferta”, afirma o comunicado da companhia.

Oferta terá Citi, BofA e RBC como coordenadores e bancos brasileiros no sindicato

O IPO do PicPay terá um sindicato robusto de instituições financeiras globais e locais. Conforme o release da oferta, Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets atuam como coordenadores globais conjuntos da operação.

Além deles, Mizuho, Wolfe | Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP Investment Banking participam como joint bookrunners, enquanto a FT Partners atua como co-manager.

Prospecto prevê duas classes de ações e controle concentrado

Um dos principais pontos de atenção do IPO é a estrutura acionária proposta. Após a conclusão da oferta, o PicPay passará a ter duas classes de ações: as ações Classe A, que serão negociadas na Nasdaq, e as ações Classe B, que não serão listadas.

A diferença central está no peso de voto. As ações Classe A dão direito a um voto por ação, enquanto as ações Classe B dão direito a 10 votos por ação, preservando poder decisório concentrado no controlador.

“Após a conclusão da oferta, teremos duas classes de ações: Classe A e Classe B. Os detentores de ações Classe B terão direito a 10 votos por ação, enquanto os detentores de ações Classe A terão direito a um voto por ação”, diz o prospecto.

O documento também aponta que a J&F Participações deve manter uma posição dominante em votos após o IPO. A companhia informa que a J&F será detentora de 23,5% das ações Classe A e 100% das ações Classe B, o que representa aproximadamente 96,4% do poder de voto no cenário sem exercício do lote adicional.

IBGC defende “uma ação, um voto” e alerta para riscos ao minoritário

A adoção de estruturas com classes diferentes de ações não é novidade em mercados como o norte-americano, especialmente entre companhias de tecnologia e negócios digitais que buscam preservar o controle nas mãos de fundadores ou acionistas de referência. Ainda assim, esse modelo costuma gerar debate em torno de governança corporativa e proteção ao investidor minoritário.

Para o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a estrutura mais alinhada às boas práticas é aquela que segue o princípio “uma ação, um voto”, por promover proporcionalidade entre poder político e exposição econômica.

“A estrutura de capital mais alinhada às boas práticas de governança corporativa defendidas pelo IBGC é aquela que segue o princípio ‘uma ação, um voto’”, afirma Danilo Gregório, Gerente de conhecimento e relações institucionais do IBGC, nota exclusiva ao EuQueroInvestir.

O IBGC avalia que o princípio funciona como base para o tratamento equitativo entre acionistas e reduz o risco de decisões que priorizem interesses de um grupo controlador em detrimento do conjunto de investidores.

“Ao concentrar o poder de decisão em um grupo restrito de acionistas que não necessariamente detém a maioria do capital, cria-se uma assimetria que pode gerar potenciais conflitos de interesse e fragilizar a proteção dos acionistas minoritários”, diz Gregório.

Segundo o gerente, os riscos podem ser mitigados quando há mecanismos claros de proteção, transparência sobre a estrutura e governança efetiva, com atenção especial ao papel do conselho de administração em contextos de controle concentrado.

Leia também:

Próximos passos: registro ainda precisa se tornar efetivo na SEC

Apesar do anúncio de lançamento, o IPO do PicPay ainda depende do avanço do processo regulatório nos Estados Unidos. A companhia informou que o Form F-1 já foi protocolado, mas ainda não se tornou efetivo, o que significa que os papéis não podem ser vendidos antes da autorização final.

“O registration statement no Form F-1 foi protocolado na SEC, mas ainda não se tornou efetivo. Esses valores mobiliários não podem ser vendidos antes que o registro se torne efetivo”, afirmou o PicPay no comunicado.

Com isso, o próximo passo do processo envolve a conclusão do prospecto, a precificação da oferta e, caso o cronograma seja mantido, a estreia do papel na Nasdaq sob o ticker “PICS”.