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Bolsa perde 0,49%, na contramão de NY; crise política contribuiu para a pressão

Bolsa perde 0,49%, na contramão de NY; crise política contribuiu para a pressão

A bolsa de valores começou a semana recuando. Nesta segunda-feira (23), perdeu 0,49%, indo a 117.471,67 pontos. O Ibovespa acabou na contramão do otimismo visto em Nova York, cujos principais índices fecharam no azul.

O PMI, que na sigla em inglês significa Índice dos Gerentes de Compras, dos Estados Unidos, desacelerou na prévia de agosto ante o mês anterior. Isto ocorre tanto no indicador de serviços quanto no composto. Mesmo assim, o otimismo dos agentes de mercado ganhou tração com a aprovação definitiva da vacina da Pfizer pelo Food and Drug Administration (FDA, a Anvisa deles).

No Brasil, aconteceu de novo: logo após o fechamento do mercado na sexta-feira (20), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), protocolou no Senado Federal o pedido de impedimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), inflando ainda mais uma crise que só existe por conta das atitudes do próprio Bolsonaro – é a tal “crise artificial”.

Ele promete para breve também apresentar o pedido de impendimento de Luís Roberto Barroso, que é ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os mundos político e financeiro do país não gostaram nem um pouco de mais essa esticada na corda.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 117.062,04 pontos (-0,84%); e na máxima, 118.445,18 pontos (+0,33%).

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O volume financeiro negociado foi de R$ 30,100 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (23): -0,49% (117.471,67 pontos)
  • semana: -2,59%
  • agosto: -3,56%
  • 2021: -1,30%

Juros

  • D1F22: +0,03 p.p. para 6,72%
  • D1F23: +0,11 p.p. para 8,51%
  • D1F24: +0,16 p.p. para 9,35%
  • D1F25: +0,18 p.p. para 9,74%
  • D1F26: +0,15 p.p. para 9,96%
  • D1F27: +0,17 p.p. para 10,18%
  • D1F28: +0,16 p.p. para 10,31%
  • D1F29: +0,18 p.p. para 10,47%
  • D1F30: -0,01 p.p. para 10,36%
  • D1F31: +0,19 p.p. para 10,66%

Dólar

O dólar ficou em torno da estabilidade nesta segunda. A moeda norte-americana perdeu apenas 0,05% e passou a valer R$ 5,3820.

  • segunda-feira (23): -0,05% a R$ 5,3820
  • semana: -0,05%

Euro

  • segunda-feira (23): +0,56% a R$ 6,3257
  • semana: +0,56%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +3,22% a R$ 264.477,54
  • Ethereum: +6,57% a R$ 17.726,89
  • Tether: +1,74% a R$ 5,38
  • Cardano: +14,58% a R$ 15,47
  • Binance: +15,30% a R$ 2.682,75

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações nos Estados Unidos deram um salto para cima nesta segunda-feira, após uma semana um tanto desastrosa. Isso graças ao FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, que anunciou hoje o registro definitivo para a vacina da Pfizer contra a Covid-19 para pessoas com 16 anos ou mais no país. Desta forma, espera-se que abra as portas para mais restrições que exigem a vacinação nos EUA.

De acordo com a FDA, essa é a primeira vacina contra Covid-19 que é aprovada. Embora no Brasil todos chamem o imunizante de “vacina da Pfizer”, a Pfizer/BioNTech a batizaram de Comirnaty.

“A aprovação desta vacina pelo FDA é um marco à medida que continuamos a lutar contra a pandemia de Covid-19”, disse a Dra. Janet Woodcock, chefe do FDA.

Nos EUA já morreram mais de 645 mil pessoas por conta da doença. Embora a vacinação tenha avançado com bastante rapidez, nos primeiros meses do ano, ela deu uma brecada e estancou por conta de negacionistas que se recusam a tomar qualquer vacina.

Desde o começo de agosto, o país tem acumulado cerca de 130 mil novos casos diários da doença e voltou a contar em alguns dias mais de mil mortos em um único dia. O governo federal diz que mais de 90% dessas pessoas simplesmente se recusam a se vacinar.

Do lado dos dados, algo não cheirou bem.

O PMI, que na sigla em inglês significa Índice dos Gerentes de Compras, dos Estados Unidos, desacelerou na prévia de agosto ante o mês anterior. Isto ocorre tanto no indicador de serviços quanto no composto.

O PMI industrial foi de 61,2 pontos, ante 62,5 da leitura anterior. A projeção era por 62,5.

O indicador de serviços atingiu 55,2 pontos ante 59,9 pontos em julho. A projeção era de 59,5.

Já o indicador composto, que une indústria e serviços, chegou 55,4 pontos contra 59,9 pontos do mês anterior. A expectativa era por 58,3. Este registra uma desaceleração pelo terceiro mês seguido.

Vale lembrar que, para o PMI, leituras acima de 50 pontos indicam crescimento da atividade, ao passo que resultados abaixo indicam retração.

O Bank of America (BofA) divulgou relatório em que afirma esperar que o tapering (retirada de estímulos da economia) aconteça a partir de novembro deste ano.

A redução no ritmo de recompra de títulos – atualmente em US$ 120 bilhões mensais – era prevista pelo banco para começar em janeiro de 2022. A revisão na expectativa vem após a ata da última reunião do comitê de política monetária do Fed, que apontou que 19 membros consideram apropriado iniciar a redução ainda este ano.

Nesta semana, acontece de forma remota o Simpósio Jackson Hole, que une os integrantes do Federal Reserve (Fed) e que vai clarear quando a instituição deve de fato começar o tapering. O mundo está de olho exatamente neste simpósio.

As bolsas europeias e asiáticas fecharam em alta, mas mantêm o pé atrás.

Para o mercado, o tapering sinaliza menos liquidez – e não apenas para os EUA, mas também para mercados emergentes como o Brasil, que vêm sendo favorecidos pelas injeções de dinheiro e pelos juros negativos dos EUA.

Na Europa, os PMIs da zona do euro e do Reino Unido vieram abaixo da projeção nesta segunda-feira (23).

Na zona do euro, o PMI industrial ficou em 61,5 pontos, quando o mercado esperava 62. O PMI de serviços ficou em 59,7, com projeção de 59,8. E o composto, que une indústria e serviços, ficou em 59,5 pontos, ante projeção de 59,7.

Segundo Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit, responsável pelo estudo, a recuperação econômica da zona do euro tem mantido o impulso em agosto, caindo ligeiramente em decorrência da variante delta do coronavírus. Mas, ainda assim, as empresas vêm se beneficiando da reabertura econômica, possível com a vacinação. Seguem os atrasos na cadeia de abastecimento, o que pressiona os preços pelo desencontro entre oferta e demanda.

Por fim, o bitcoin voltou a ser negociado acima de US$ 50 mil hoje, pela primeira vez em três meses. Este é o maior valor desde 15 de maio. O bitcoin já chega a 72% de valorização no ano.

Nova York

  • S&P 500: +0,85%
  • Nasdaq: +1,55%
  • Dow Jones: +0,61%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,70%
  • DAX (Alemanha): +0,28%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,30%
  • CAC (França): +0,86%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,59%
  • FTSE MIB (Itália): +0,49%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +1,45%
  • SZSE Component (China): +1,98%
  • China A50 (China): +0,84%
  • DJ Shanghai (China): +1,26%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,05%
  • SET (Tailândia): +1,86%
  • Nikkei (Japão): +1,78%
  • ASX 200 (Austrália): +0,39%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,97%

Brasil: ambiente político e econômico

O boletim Focus, do Banco Central, manteve as projeções para o dólar a para a taxa Selic em 2021. Por outro lado, elevou a estimativa para a inflação e reduziu a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB).

Com relação à inflação, o boletim desta semana elevou a projeção para 7,11%, frente a 7,05% da semana passada. Há quatro semanas a projeção era de 6,56%.

Para o PIB, a estimativa foi revista para baixo, em 5,27%, contra 5,28% da semana passada. Há quatro semanas, a pesquisa de mercado esperava um crescimento de 5,29% para este ano.

Já com relação ao dólar, foi mantida a projeção de R$ 5,10 da semana passada. Ao passo que há quatro semanas era de R$ 5,09.

Por fim, também foi mantida a estimativa da Selic, que é de 7,50% ao ano para o fim de 2021. Há quatro semanas, a estimativa da taxa era de 7%.

E não há um dia de sossego para os agentes de mercado. Nem mesmo após o fechamento das operações. Foi o que ocorreu na sexta-feira (20). Durante a noite, um funcionário do Palácio do Planalto entregou o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao Senado Federal.

“Esse novo ato esquenta ainda mais a tensão entre os poderes e deve ter reflexos no comportamento dos mercados”, afirmou ao Valor Investe Patricia Palomo, conselheira da Planejar, associação que representa os planejadores financeiros.

A análise geral compreende que tal atitude desafiadora de Bolsonaro deve dificultar o avanço de reformas nas duas casas legislativas federais. Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, se apressou em dizer que “não vê fundamentos” para o impendimento do ministro.

Pacheco tem adotado tom em cima do muro, procurando manter uma distância razoável de Bolsonaro, que o apoiou na eleição do começo do ano para a presidência do Senado.

A consequência imediata já foi sentida: Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa sentou em cima da indicação oficial de Bolsonaro à 11ª cadeira no STF. Ele simplesmente não marcou a sabatina do indicado André Mendonça.

O que se entende é que Bolsonaro joga para sua cada vez mais diminuta e radical plateia, de olho nas manifestações de apoio do 7 de Setembro.

Enquanto isso, o governo pretende aprovar a reforma administrativa ainda nesta ano. Para a União, o objetivo é enfrentar a questão do suposto “gigantismo” estatal.

Porém, de acordo com o jornal Valor Econômico, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes pode atrasar as votações. Isto por que o embate entre o presidente Jair Bolsonaro com o Supremo leva a uma piora do ambiente político.

Ainda de olho na sua reeleição, Bolsonaro vetou na sexta (20) ao fundão eleitoral de quase R$ 6 bilhões. Assim, o montante ficou em R$ 2 bilhões, como era em 2020.

Agora, o Congresso se articula para conseguir dobrar o fundo eleitoral para as eleições do próximo ano, de acordo com O Globo. Matéria do jornal informa que os parlamentares pretendem que o fundo seja ampliado para R$ 4 bilhões. Outra alternativa seria derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro ao texto original do fundo.

A piora do clima político do país e o aprofundamento de crise fiscal, podem comprometer novas privatizações, de acordo com a Folha de S.Paulo, que afirma que investidores estrangeiros começam a reavaliar projetos no país.

Fundos de investimentos, de pensão e operadores de mercado, inclusive, já cogitam esperar pelo próximo presidente para investir no país.

No campo dos dados, o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), subiu 2,1% em agosto ante julho, para 70,2 pontos.

De acordo com a CNC, em relação ao resultado de um ano atrás, a alta foi de 6,1%. Com o aumento mensal na margem, o terceiro consecutivo, o ICF atingiu maior patamar desde abril (70,7 pontos). Entretanto, ainda se encontra abaixo do quadrante favorável, de 100 pontos.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 26 subiram e as outras 58 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 96,20 (-1,38%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,02 (+1,58%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 22,78 (+0,71%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,11 (+1,07%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 28,06 (+3,35%)

Maiores altas

  • Embraer (EMBR3): R$ 20,92 (+5,28%)
  • CVC (CVCB3): R$ 20,70 (+4,39%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 18,68 (+3,61%)
  • JBS (JBSS3): R$ 32,80 (+3,44%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 20,85 (+3,42%)

Maiores baixas

  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 5,25 (-6,08%)
  • Americanas (AMER3): R$ 39,20 (-4,25%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 15,69 (-4,21%)
  • Locamerica (LCAM3): R$ 25,18 (-4,19%)
  • Via (VIIA3): R$ 10,80 (-4,17%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,57% (50.316,53 pontos)
  • IBrX 50: -0,56% (19.541,74 pontos)
  • IBrA: -0,55% (4.761,66 pontos)
  • SMLL: -0,18% (2.829,31 pontos)
  • IFIX: +0,52% (2.719,43 pontos)
  • BDRX: +1,05% (14.080,82 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (23): +5,48% (US$ 68,75)
  • semana: +5,48%

Petróleo WTI (outubro)/barril

  • segunda-feira (23): +5,63% (US$ 65,64)
  • semana: +5,63%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (23): +1,30% (US$ 1.807,15)
  • semana: +1,30%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (23): +2,23% (US$ 23,63)
  • semana: +2,23%

Com Wisir Research, BDM e CNBC