As ações da LVMH registraram queda nos mercados europeus após a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses. O movimento reacendeu o temor de uma guerra comercial entre aliados históricos e atingiu em cheio o setor de luxo, altamente dependente do comércio global.
A LVMH, maior conglomerado de luxo do mundo e dona de marcas como Moët & Chandon, passou a ser vista pelo mercado como um símbolo desse risco. Investidores reagiram rapidamente, reduzindo exposição a papéis ligados a bebidas premium, moda e bens de alto valor agregado.
O recuo não ocorreu de forma isolada. Bolsas europeias operaram no vermelho, refletindo um ambiente de maior incerteza, no qual decisões políticas passaram a pesar tanto quanto fundamentos econômicos.
Segundo Angelo Belitardo, analista da Hike Capital, a queda das ações se intensificou em um contexto de forte aversão ao risco global. Ele avalia que o movimento reflete um ajuste mais amplo de expectativas, com investidores reprecificando ativos sensíveis ao cenário internacional e reduzindo exposição ao setor de luxo.
As ações da LVMH operam em queda por volta das 12h desta terça-feira (20).

Tarifa é o gatilho, mas o risco vai além do champanhe
Segundo Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, a leitura do mercado é mais ampla do que a simples ameaça tarifária inicial. Em sua análise, ele afirma que “os investidores estão precificando justamente essa ameaça do Trump de colocar até 200% de tarifa sobre vinhos, champanhe e espumantes”. No entanto, ressalta que esse não é o único fator por trás da queda das ações da LVMH.
Para o analista, o temor central é o efeito dominó. “Hoje é vinho e champanhe. Amanhã pode ser uma bolsa, depois uma marca inteira, roupas, cintos, bolsas, sapatos”, avalia. Na visão dele, o mercado começa a projetar uma escalada que pode atingir todo o setor de luxo europeu.
Essa incerteza faz com que o investidor se antecipe. Como o mercado financeiro trabalha olhando para frente, o preço das ações passa a refletir não apenas o cenário atual, mas o risco de um agravamento nas relações comerciais.
Angelo Belitardo acrescenta que esse movimento foi potencializado por fatores financeiros. Segundo ele, o rebaixamento da recomendação da LVMH pelo Morgan Stanley funcionou como um catalisador adicional, já que a ação estava próxima do topo de sua faixa histórica de valuation. Para o analista, o mercado passou a enxergar riscos maiores para os lucros de 2026, especialmente devido a pressões de câmbio e tarifas.
Guerra comercial entre aliados entra no radar do mercado
Felipe Sant’Anna também chama atenção para o pano de fundo geopolítico da crise. Ele destaca que o embate tem “um caráter comercial e bélico ao mesmo tempo”, ao envolver tensões entre membros da OTAN. Na sua avaliação, a aliança pode sair enfraquecida, o que amplia a instabilidade percebida pelos mercados.
Esse contexto aumenta a volatilidade das ações da LVMH, já que empresas de luxo faturam bilhões em escala global e dependem de mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia. Uma taxação agressiva poderia reduzir margens, encarecer produtos e afetar a demanda.
Para o analista, se as tarifas avançarem do setor de bebidas para todo o mercado de luxo, o impacto pode ser severo. Ele define esse cenário como “uma bomba nuclear dentro do setor”, justamente pelo potencial de contaminação em cadeia.
Belitardo reforça essa avaliação ao destacar que o setor de luxo foi um dos mais atingidos pela reação dos mercados às novas ameaças tarifárias. Segundo ele, a elevada exposição às exportações e ao consumo americano torna essas empresas particularmente vulneráveis a uma escalada na retórica comercial.
Queda pode ser pontual se tensão arrefecer
Apesar do movimento negativo, a análise não é totalmente pessimista. Sant’Anna ressalta que a queda das ações pode ser pontual, caso haja recuo nas tensões. “Se arrefecer essa questão, esse papel volta todinho pra cima”, afirma, destacando que o mercado também reage rapidamente a sinais de distensão.
O discurso de Trump em fóruns internacionais, como o de Davos, e a postura da União Europeia diante das ameaças serão determinantes para os próximos movimentos. Retaliações, negociações ou recuos estratégicos podem mudar o humor do mercado em pouco tempo.
Angelo Belitardo segue linha semelhante ao observar que parte relevante da queda recente também está ligada à perda de níveis técnicos importantes após o rebaixamento dos analistas. Para ele, embora o cenário exija cautela, o movimento atual reflete mais uma reprecificação de risco do que uma deterioração estrutural imediata dos fundamentos da companhia.
Por ora, o que se vê é uma clara precificação de risco. As ações da LVMH refletem menos um problema imediato de resultados e mais o medo de que a guerra comercial saia do discurso e se torne realidade, atingindo em cheio um dos setores mais simbólicos da economia europeia.
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