O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a compra da Desktop (DESK3) pela Claro, informou a companhia em comunicado ao mercado. O fechamento da transação, no entanto, ainda depende das demais condições previstas no contrato de compra e venda de ações assinado em 20 de março de 2026.
A decisão não chega a ser uma surpresa. O órgão antitruste já havia dado o aval no mês passado, e faltavam apenas etapas regulatórias para que a aprovação se tornasse definitiva.
“Positiva para a Desktop, mas sem impacto em nossas estimativas ou no preço das ações”, afirmam Daniel Federle, do Bradesco BBI, e Flávia Meireles, da Ágora Investimentos.
Preço da ação já embute o pior cenário
Na conta dos analistas, a cotação atual já reflete um cenário conservador. A premissa é que a dívida líquida da Desktop permaneça no patamar do segundo trimestre de 2026 até a conclusão do negócio.
O modelo também assume o pior caso para uma parte do dinheiro da venda. Uma fatia do valor pago pela Claro fica bloqueada em uma conta de garantia, chamada de escrow, e só é liberada aos vendedores depois de um prazo, caso não surjam passivos ou ajustes que precisem ser cobertos. A Ágora considera que essa retenção vale para todos os acionistas minoritários e que eles não receberiam nada desse valor.
“Qualquer redução da dívida líquida até o fechamento da transação, uma eventual definição de que o mecanismo de escrow não se aplica a todos os minoritários ou a recuperação de qualquer parcela desse montante representariam potenciais fatores de valorização para as ações”, explicam Federle e Meireles.






