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Santander muda estratégia e aumenta aposta em FIIs de crédito para enfrentar juros altos

Santander muda estratégia e aumenta aposta em FIIs de crédito para enfrentar juros altos

Carteira recomendada para julho amplia exposição a fundos de papel e busca maior previsibilidade na distribuição de dividendos

O Santander revisou sua Carteira Recomendada de Fundos Imobiliários (FIIs) para julho de 2026 e passou a adotar uma estratégia mais equilibrada entre fundos de “papel” e de “tijolo”. A principal mudança foi o aumento da exposição a ativos ligados ao crédito imobiliário, em resposta à expectativa de que a taxa de juros permaneça em patamar elevado por um período mais prolongado.

A nova composição da carteira distribui os investimentos igualmente entre FIIs de crédito e de imóveis físicos, com 50% de alocação para cada segmento. Em janeiro, a recomendação previa uma participação de 60% em fundos de tijolo e 40% em fundos de papel.

Segundo os analistas do Santander, o cenário de juros em dois dígitos favorece os fundos com maior exposição ao crédito imobiliário.

“Considerando as estimativas de que a taxa de juros seguirá elevada, em dois dígitos, por um horizonte mais relevante, avaliamos que os FIIs de crédito imobiliário, financiando bons ativos e com boas estruturas de garantias, serão mais resilientes no que tange à distribuição de rendimentos e à cotação na bolsa”, afirmam os analistas.

Para refletir essa visão, o banco elevou a participação dos fundos BTG Pactual Hedge Fund (BTHF11), Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) e Kinea Hedge Fund, enquanto reduziu a exposição aos fundos Tellus Properties (TEPP11) e Vinci Logística (VILG11).

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Por que o Santander aumentou a exposição aos FIIs de crédito?

Na avaliação do banco, a expectativa de manutenção da taxa Selic em níveis elevados beneficia principalmente os fundos de crédito imobiliário, conhecidos como FIIs de papel. Isso porque esses ativos tendem a oferecer maior previsibilidade na distribuição de rendimentos e são menos sensíveis ao cenário de juros altos do que os fundos de imóveis físicos.

A mudança também representa uma alteração na estratégia adotada ao longo do ano. Em janeiro de 2026, a carteira recomendava uma alocação de 60% em FIIs de tijolo e 40% em FIIs de papel. Para o segundo semestre, a recomendação passou a ser de 50% para cada segmento, tornando o portfólio mais equilibrado.

Santander mantém confiança nos FIIs de tijolo, apesar da redução de peso

Apesar da redução de peso na carteira, o Santander manteve a recomendação de compra para TEPP11 e VILG11. De acordo com os analistas, a decisão não decorre de uma piora nos fundamentos dos fundos, mas da necessidade de ampliar o espaço destinado aos ativos de crédito.

“Seguimos com recomendação de compra para os FIIs TEPP11 e VILG11, que permanecem entre nossas preferências para os setores de escritórios e logística. Avaliamos como positivo o fato de ambos possuírem portfólios com imóveis de qualidade, bem localizados, taxas de ocupação acima de 95% e equipes de gestão experientes e qualificadas”, destacam.

Ainda segundo o banco, a expectativa é que esses fundos continuem apresentando boa capacidade de geração e distribuição de rendimentos aos cotistas.

A Carteira Recomendada de FIIs do Santander tem como objetivo superar o desempenho do IFIX, principal índice do segmento na B3, em um horizonte de 12 a 24 meses. A estratégia prioriza fundos com maior previsibilidade na distribuição de dividendos e ativos negociados abaixo de seu valor patrimonial ou de avaliação, buscando combinar geração de renda recorrente com potencial de valorização das cotas.

Carteira supera o IFIX e mantém foco em dividendos

Até junho de 2026, a carteira acumulava alta de 1,8% no ano, acima do avanço de 1,5% do IFIX. Em 12 meses, o retorno foi de 11,1%, também superior ao índice de referência, que registrou ganho de 9,9%. Desde sua criação, em janeiro de 2017, a carteira acumula valorização de 191,4%, frente aos 116,9% do benchmark.

Os analistas estimam ainda um dividend yield de aproximadamente 12% para os próximos 12 meses, mantendo o foco em fundos capazes de oferecer distribuição recorrente de rendimentos em um ambiente de juros elevados.

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