O mercado de fundos imobiliários voltou a enfrentar um mês de volatilidade em maio. Após avançar em abril, o IFIX, principal índice do setor, encerrou o período com queda de 1,33%, embora ainda acumule valorização de 2,71% em 2026 e de 12% nos últimos 12 meses.
Segundo análise do Banco do Brasil, o ambiente de incerteza global continua sendo o principal fator de pressão sobre os ativos. A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã, elevou as preocupações com a oferta mundial de petróleo e seus impactos sobre a inflação global.
Nos Estados Unidos, os indicadores de preços reforçaram esse cenário. O CPI e o PCE acumulam alta de 3,8% em 12 meses, o que levou o Federal Reserve (Fed) a manter um discurso cauteloso em relação ao início de cortes de juros. A perspectiva de taxas elevadas por mais tempo reduziu o fluxo de recursos para mercados emergentes e aumentou a atratividade dos ativos americanos.
No Brasil, a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) também reforçou a necessidade de cautela diante das expectativas inflacionárias ainda desancoradas, da persistente incerteza fiscal e dos riscos externos. Como consequência, os vértices mais longos da curva de juros voltaram a abrir, pressionando principalmente os fundos imobiliários de tijolo.
Fundos de crédito seguem favorecidos
Em meio ao cenário de juros elevados, o BB mantém visão positiva para os fundos de recebíveis imobiliários, especialmente aqueles com perfil de crédito mais conservador e portfólios diversificados.
A avaliação é que esses fundos continuam se beneficiando do elevado carrego das operações e da inflação mais pressionada, que tende a impulsionar os rendimentos distribuídos aos cotistas.
Entre os FIIs de tijolo, a preferência permanece por fundos com imóveis de qualidade, contratos de longo prazo, baixa necessidade de alavancagem e maior diversificação de ativos e locatários.
Mercado de FIIs cresce e amadurece
O banco também destaca o amadurecimento da indústria de fundos imobiliários no Brasil. O número de investidores passou de cerca de 645 mil em 2019 para mais de 3 milhões em 2026. No mesmo período, o volume médio negociado mensalmente cresceu de R$ 2,6 bilhões para aproximadamente R$ 10 bilhões.
O valor de mercado dos FIIs listados também mais que dobrou, saindo de R$ 87 bilhões para mais de R$ 200 bilhões. Nos últimos três anos, as emissões da indústria superaram R$ 100 bilhões, consolidando o mercado de capitais como uma importante fonte de financiamento para o setor imobiliário.
Na avaliação do BB, fatores estruturais como a perspectiva de redução gradual da Selic no longo prazo, a maior atratividade dos FIIs frente ao aluguel tradicional e o avanço da educação financeira devem continuar sustentando a expansão da indústria.
Caso CACR11 reforça importância da gestão de risco
O relatório também aborda os recentes desafios enfrentados pelo CACR11, fundo de recebíveis imobiliários da Cartesia.
Com patrimônio próximo de R$ 460 milhões e forte exposição a operações de desenvolvimento residencial, o fundo suspendeu a distribuição de rendimentos para reforçar o caixa e garantir a continuidade dos projetos.
Para o BB, episódios como esse tendem a ocorrer de forma pontual em um ambiente de juros elevados, sem alterar a visão positiva estrutural para o setor. A instituição reforça a preferência por fundos com maior qualidade de crédito, diversificação e garantias robustas.
Carteira Renda supera IFIX
A Carteira Renda recomendada pelo BB avançou 0,48% em maio, superando o IFIX. No ano, acumula alta de 3,32%, enquanto em 12 meses sobe 12,22%.
O dividend yield anualizado chegou a 13,87%, acima do índice.
Entre os destaques, VGIP11, RECR11 e XPCI11 tiveram desempenho positivo, com destaque também para o RZTR11, que avançou 2,32% no mês.
Carteira Ganho recua, mas segue acima do IFIX no ano
Já a Carteira Ganho caiu 2,5% em maio, mas ainda acumula alta de 17,56% em 12 meses, acima do IFIX.
O destaque positivo foi o RZAT11. Na ponta negativa, o VILG11 foi pressionado por preocupações envolvendo o grupo Tok&Stok, embora o BB avalie que a exposição do fundo ao inquilino foi reduzida.
Para junho, o banco manteve a composição das carteiras inalterada, citando aderência aos objetivos de renda e ganho de capital.






