A indústria de fundos fechou o primeiro semestre de 2023 com captação líquida negativa, conforme levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
De acordo com a instituição, apesar do segmento aumentar 7,8% nos últimos 12 meses encerrados em junho, para um patrimônio líquido de R$ 7,7 trilhões, o setor registrou a maior fuga de dinheiro em mais de duas décadas no período, em 2023.
Neste cenário, os fundos de investimentos apresentaram resgate líquido de R$ 204,9 bilhões na primeira metade deste ano, ultrapassando a retirada líquida de R$ 162,9 bilhões no ano passado todo.
Vale lembrar que, até então, o pior desempenho, sem atualização monetária, tinha sido no 1° semestre de 2002, quando a Anbima começou a série histórica. Naquele período, a indústria sofreu retirada líquida de R$ 32 bilhões.
Também traz que o patrimônio líquido é a soma dos recursos aplicados nos fundos de investimentos, descontando o pagamento das taxas, enquanto a captação líquida é a diferença entre as aplicações e os resgates.
Indústria de fundos
Para a Anbima, mesmo com a captação líquida negativa no semestre, o setor continuou a avançar em outras frentes, ganhando cerca de dois mil novos fundos e quatro milhões de novas contas.
Vice-presidente da Anbima, Pedro Rudge disse que a indústria apresentou números robustos e sólidos de crescimento. “Identificamos que o investidor está buscando produtos de renda fixa como CDBs e LCIs, mas não está saindo completamente dos fundos”, destacou.
E disse mais: “o número de contas aumentou no período, principalmente quando falamos em fundos imobiliários e de renda fixa. O investidor está diversificando mais e fazendo realocação entre ativos.”
Classes de fundos
Para o executivo, todas as classes de fundos apresentaram resgates líquidos no 1º semestre, com exceção dos FIPs (Fundos de Investimento em Participações), que tiveram captação líquida de R$ 8,2 bilhões, e dos ETFs (Exchange Traded Funds), com R$ 370,1 milhões.
As classes renda fixa, multimercados e ações lideram o movimento de saída e ficaram no vermelho em R$ 109,9 bilhões, R$ 53,7 bilhões e R$ 38,5 bilhões, nesta ordem. No caso dos fundos de renda fixa, o resultado foi influenciado, em parte, pelo saque de R$ 57 bilhões em dois fundos do tipo duração baixa. A classe foi a que apresentou a maior queda na comparação com o primeiro semestre de 2022, quando teve captação líquida positiva de R$ 101,9 bilhões.
- SAIBA MAIS SOBRE A INDÚSTRIA DE FUNDOS E INVISTA COM ASSERTIVIDADE