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Fomc eleva juros em 0,75 ponto, o maior aumento desde 1994

Fomc eleva juros em 0,75 ponto, o maior aumento desde 1994

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

15 Jun 2022 às 15:14 · Última atualização: 15 Jun 2022 · 5 min leitura

Matheus Gagliano

15 Jun 2022 às 15:14 · 5 min leitura
Última atualização: 15 Jun 2022

federal reserve fed; Fomc

The facade of the Federal Reserve Bank.

O Fomc, do Federal Reserve (FED), decidiu elevar a taxa de juros norte-americana em 0,75 ponto percentual para o intervalo entre 1,50% e 1,75% ao ano, sendo o maior aumento desde 1994. A decisão não foi unânime entre os membros da autoridade monetária norte-americana. Somente Esther George votou por uma elevação de 0,5 ponto.

E novos aumentos virão pela frente. O comitê informou que novos aumentos na taxa de juros são considerados “apropriados”.

O colegiado informou que a atividade econômica geral parece ter se recuperado após a queda no primeiro trimestre. Os ganhos de emprego foram robustos nos últimos meses e a taxa de desemprego permaneceu baixa. A inflação, no entanto, permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços.

No cenário global, o Fomc informou que a invasão da Ucrânia pela Rússia continua causando dificuldades humanas e econômicas. A invasão e os eventos relacionados estão criando uma pressão ascendente adicional sobre a inflação e estão pesando sobre a atividade econômica global. Além disso, os lockdowns relacionados ao COVID na China provavelmente exacerbarão as interrupções na cadeia de suprimentos. O Comitê está altamente atento aos riscos inflacionários.

“O Comitê está fortemente comprometido em devolver a inflação ao seu objetivo de 2%”, diz o comunicado.

Além disso, o Comitê informou que continuará reduzindo suas participações em títulos do Tesouro e dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências, conforme descrito nos Planos para Redução do Tamanho do Balanço do Federal Reserve emitidos em maio.

Powell prevê novas altas da inflação

O presidente do FED, Jerome Powell, relatou que na próxima reunião poderão ser feitos novos aumentos entre 0,5 ponto e 0,75 ponto. Isso porque a inflação, segundo ele, pegou a economia de forma inesperada. Desde a última reunião, ele reconheceu que esperava uma patamar mais ameno da inflação, mas os últimos dados fizeram a autoridade monetária agir.

“Alta de 0,75 ponto é pouco comum e espero que não se repita”, disse ele.

Porém, reconheceu que o ritmo do aumento dependerá dos indicadores econômicos. E reafirmou que está “comprometido em manter a inflação perto da meta de 2% ao ano”.

BTG (BPAC11): decisão reforça tom hawkish do Fomc

O banco BTG Pactual (BPAC11) avaliou que a decisão de elevar a taxa em 0,75 ponto confirmou as expectativas criadas desde segunda-feira, reforçando o tom hawkish, considerado necessário após as surpresas com inflação.

O banco de investimentos avaliou ainda projeções um pouco dove, com taxa terminal abaixo de 4% para 2023 e mesmo assim entregando inflação mais próximo da meta (2,6%).

“Aumento de desemprego projetado para 2023 (+40bps) já é uma sinalização de que mesmo uma piora da economia não vai ser suficiente para parar o Fed, mas que entregariam taxa sem recessão, dado PIB de 1,7%”, comenta o BTG.

Esse aumento de juros vem em um momento de inflação elevada nos Estados Unidos. O CPI de maio mostra que a inflação norte-americana subiu 1,0%, acima da projeção. Na comparação com abril de 2021, a alta foi de 8,6% (o pior resultado em 12 meses desde dezembro de 1981). Já o núcleo de inflação, que exclui alimentos e energia (cujos preços são mais voláteis), subiu 0,6% na comparação mensal e 6,0% na anual.

Segundo o Bureau of Labor Statistics dos EUA, o aumento foi amplo, com os índices de moradia, gasolina e alimentação sendo os maiores contribuintes. O departamento informou ainda que, depois de cair em abril, o índice de energia subiu 3,9% no mês com o índice de gasolina subindo 4,1% e os outros índices de componentes principais também aumentando.

Alexandre Viotto, co-head da EQI Investimentos avalia que há uma preocupação nos Estados Unidos em torno do aumento de juros. De acordo com ele, a questão é, se Fomc decidindo pesar a mão no aumento, poderá provocar uma recessão indesejada.

“A Inflação norte-americana vem batendo recorde em cima de recorde. E surge uma preocupação de recessão por conta desse forte aumento”, explicou.

Fonte: BTG (BPAC11) e Bloomberg

Tá, e aí?

Denys Wiese, head de Renda Fixa da EQI Investimentos, avaliou que a inflação alta ligou o sinal de alerta na autoridade monetária daquele país. Ele diz ainda que os norte-americanos estariam atrasados quanto ao ciclo econômico dos juros, começando a elevar as taxas somente a partir de março.

“Faz três meses que começaram a subir os juros por lá e estão bem longe de ver essa inflação ceder”, avaliou ele.

Dessa forma, o head de Renda Fixa recomenda que o investidor deve evitar se atirar de cabeça em investimentos norte-americanos. É melhor ter cautela, comprar renda fixa de curto prazo, títulos de tesouro com vencimento mais curto também. Para quem prefere investir em renda variável, Wiese sugere que esses investimentos possuam alguma proteção de capital.

Quer saber mais sobre o Fomc e como investir melhor? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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