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“Unforgettable 7” do Brasil puxam o Ibovespa com reprecificação das commodities, destaca BofA

“Unforgettable 7” do Brasil puxam o Ibovespa com reprecificação das commodities, destaca BofA

Carteira com Petrobras, Vale, bancos e siderúrgicas avança com viés value enquanto energia e materiais lideram a reprecificação global que já adicionou 26 mil pontos ao índice em 2026

O bom desempenho do Ibovespa em 2026 tem sido sustentado por um movimento de reprecificação global dos setores das commodities, que vem beneficiando diretamente as “Unforgettable 7” do Brasil, segundo análise do Bank of America (BofA).

A leitura da casa é que o rali do índice, que já acumulou alta de 17% no ano com a adição de cerca de 26 mil pontos, está mais ligado ao ciclo de commodities e ao viés value do que a uma expansão generalizada do mercado.

De acordo com o relatório LatAm Equity Quant, a carteira das “Unforgettable 7” — formada por Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Banco do Brasil (BBAS3), Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC4) e Gerdau (GGBR4) — avançou cerca de 4% na semana, superando o desempenho de outros grupos relevantes do mercado brasileiro.

O movimento reforça a tese de que os principais vetores do índice têm sido empresas tradicionais, altamente expostas ao ciclo global e sensíveis à dinâmica de preços de commodities.

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Re-rating global de energia e materiais explica a alta

Na avaliação do BofA, a reprecificação global dos setores de energia e materiais foi um fator-chave para o desempenho do Ibovespa no acumulado do ano. A casa destaca que os principais destaques do índice nesses segmentos se revalorizaram em linha com seus pares globais — especialmente fora dos Estados Unidos — evidenciando um movimento sincronizado de alocação para ativos ligados ao ciclo econômico.

“A global rerating of energy & materials was key for Ibov performance YTD”, aponta o relatório, ao observar que os maiores movimentos do índice vieram justamente dessas companhias. Esse fenômeno ajuda a explicar por que ações de commodities e de perfil mais value ganharam protagonismo na Bolsa brasileira em 2026.

Por outro lado, o setor financeiro não passou por uma reprecificação global relevante, o que levou os principais movimentos dentro do segmento a ocorrerem de forma mais idiossincrática, no nível das ações individuais, e não como tendência setorial ampla.

Contraste com o “Magnificent 7” brasileiro

O estudo também mostra um contraste relevante entre os grupos de ações que vêm liderando a performance da Bolsa. Enquanto as “Unforgettable 7” apresentaram desempenho mais robusto, o chamado “Magnificent 7” do Brasil — que inclui nomes como Mercado Livre (MELI34), Nubank (NU; ROXO34), WEG (WEGE3), BTG Pactual (BPAC11), RD Saúde (RADL3), Localiza (RENT3) e Itaú (ITUB4) — teve performance mais moderada na semana.

A diferença de comportamento reforça a leitura de rotação para ativos com viés value, em detrimento de empresas mais associadas a crescimento estrutural ou tecnologia, em um ambiente global que favorece setores cíclicos.

Fluxo estrangeiro reforça a tese pró-Brasil

Outro elemento central destacado pelo BofA é o papel do fluxo internacional na sustentação do rali. Investidores estrangeiros foram compradores líquidos de ações brasileiras no último mês, com foco principalmente nos setores de Materiais, Energia e Financeiro — exatamente os segmentos com maior peso dentro das “Unforgettable 7”.

Além disso, os dados de fluxo indicam entradas expressivas para mercados emergentes ex-China, que somaram US$ 12 bilhões apenas na última semana e US$ 64 bilhões no acumulado do ano, acima dos US$ 48 bilhões registrados em 2025. Na América Latina, fundos globais dedicados receberam cerca de US$ 0,8 bilhão na semana, levando as entradas de 2026 para aproximadamente US$ 4 bilhões.

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Paradoxo doméstico: estrangeiro entra, local sai

Apesar do apetite estrangeiro, o investidor local segue na direção oposta. Segundo o levantamento, fundos de ações no Brasil registraram saída líquida de cerca de R$ 1,2 bilhão na última semana, com resgates acumulados de R$ 3,7 bilhões no ano.

O movimento dá continuidade a uma tendência mais longa: os fundos locais de ações tiveram saídas de R$ 48 bilhões em 2025, R$ 30 bilhões em 2024 e R$ 57 bilhões em 2023.

Para o BofA, esse descompasso entre fluxo externo positivo e resgates domésticos ajuda a explicar a dinâmica recente do mercado: o rali do Ibovespa tem sido cada vez mais dependente da alocação global em commodities e da demanda estrangeira por ativos value, colocando as “Unforgettable 7” no centro da liderança da Bolsa brasileira em 2026.