O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 656,9 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), mais que o dobro dos R$ 328,8 milhões apurados no 3T25 e 130% acima do resultado do mesmo período do ano anterior. O número também ficou bem acima das estimativas de mercado, impulsionando o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) anualizado para 23,8%.
O desempenho foi sustentado por uma margem financeira ainda robusta e por despesas majoritariamente controladas. Ainda assim, o trimestre foi marcado por forte volatilidade em linhas relevantes do balanço, especialmente provisões, outras receitas operacionais e impostos.
Banrisul: provisões elevadas e salto nas outras receitas
As perdas líquidas esperadas associadas ao risco de crédito somaram R$ 584,8 milhões — mais que o triplo do observado no trimestre anterior. O avanço foi influenciado por uma decisão judicial desfavorável envolvendo depósitos judiciais em ação rescisória ajuizada pela União, além da reclassificação de operações para estágios superiores de risco. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,2%, ante 3,6% no 3T25.
Por outro lado, a linha de outras receitas operacionais apresentou crescimento expressivo, beneficiada pela reversão de uma provisão fiscal de R$ 855,2 milhões após decisão judicial favorável relacionada à dedução fiscal das despesas de quitação do déficit atuarial da FBSS. Com isso, a rubrica superou R$ 600 milhões no trimestre. O volume elevado de provisões também ativou créditos tributários, resultando em alíquota efetiva negativa de IR/CSLL no período.
Em relatório, a equipe de análise do Banco do Brasil afirmou que o trimestre evidenciou “resiliência operacional em pilares estruturais, como a margem financeira em nível elevado, boas receitas de tarifas e crescimento modesto da carteira”. Ao mesmo tempo, destacou haver “intensa volatilidade de itens que têm influenciado de maneira desproporcional a rentabilidade reportada”.
Para os especialistas, embora o efeito fiscal seja “inegavelmente positivo para o balanço”, ele inflou o lucro do período e tornou “a leitura estrutural da rentabilidade e sua persistência ainda mais desafiadora”.
Guidance para 2026 mantém tom moderado
O Banrisul também divulgou suas projeções para 2026, indicando expansão predominantemente orgânica da carteira, evolução moderada da margem financeira e controle de despesas. As estimativas apontam para manutenção do custo de crédito próximo aos níveis recentes.
Na avaliação dos analistas, o direcionamento é construtivo, mas a visibilidade sobre uma expansão estrutural da rentabilidade segue limitada.
“O desempenho permanece muito sensível à volatilidade do custo de risco e à ocorrência de itens não recorrentes”, ressaltou o time, acrescentando que acompanhará as próximas divulgações em busca de “gatilhos capazes de demonstrar ganho estrutural de ROE, seja por melhoria consistente de eficiência, maior estabilidade ou redução do risco de crédito, e principalmente menores ruídos de elementos extraordinários”.






