A Copa do Mundo costuma criar heróis improváveis, partidas memoráveis e novas paixões esportivas. Mas o torneio também pode mudar a forma como viajantes enxergam o mapa. Países que antes apareciam pouco nos roteiros de brasileiros ganham projeção diante das câmeras, despertam curiosidade e, aos poucos, passam a figurar entre os destinos desejados para as próximas férias.
O movimento já aconteceu com Marrocos após a Copa de 2022. A campanha histórica da seleção, primeira africana a chegar às semifinais do Mundial, ajudou a ampliar a exposição do país para além de seus mercados tradicionais. Segundo dados citados pela Biosfera Copastur, Marrocos recebeu mais de 19 milhões de visitantes em 2025 e registrou alta de 7% nas chegadas internacionais no primeiro trimestre de 2026.
Na edição atual do torneio, quatro países podem repetir esse caminho e se transformar em opções para quem busca experiências menos convencionais, com história, paisagens marcantes e identidade cultural forte.
Cabo Verde: praias, música e herança lusófona

O arquipélago africano passou a chamar ainda mais atenção após sua presença no Mundial. Com ligação histórica e cultural com Portugal, Cabo Verde pode ser uma porta de entrada atraente para brasileiros que procuram uma viagem internacional com referências familiares, mas fora dos destinos mais previsíveis.
O país reúne praias de areia clara, mar de tons intensos e clima agradável em grande parte do ano. Ilhas como Sal e Boa Vista costumam atrair quem busca descanso, esportes aquáticos e cenários mais tranquilos. Já São Vicente se destaca pela vida cultural, pela música e pela atmosfera urbana de Mindelo.
A gastronomia, marcada por peixes, frutos do mar e influências africanas e portuguesas, é outro ponto alto do destino.
Uzbequistão: uma viagem pela antiga Rota da Seda

Estreante na Copa, o Uzbequistão representa uma escolha para viajantes interessados em história, arquitetura e culturas que ainda aparecem pouco no imaginário turístico brasileiro. O país vem ampliando sua presença no setor: em 2025, recebeu 11,7 milhões de visitantes estrangeiros, alta de 46,8% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Comitê Nacional de Estatísticas mencionados no release.
O grande atrativo está nas cidades que fizeram parte da antiga Rota da Seda. Samarcanda impressiona pelos mosaicos azuis e pelas construções monumentais da Praça Registan. Bucara preserva mesquitas, mercados e ruas que remetem aos antigos centros comerciais da Ásia Central. Khiva, por sua vez, oferece uma experiência quase cinematográfica, cercada por muralhas e edifícios históricos bem preservados.
Jordânia: Petra, deserto e hospitalidade árabe

A primeira participação da Jordânia em uma Copa também amplia a atenção sobre um dos destinos mais emblemáticos do Oriente Médio. Petra, cidade esculpida em rochas e uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, é o cartão-postal mais conhecido, mas a viagem vai muito além dela.
O país permite combinar história e aventura em poucos dias. No deserto de Wadi Rum, formações rochosas avermelhadas criam paisagens que parecem saídas de outro planeta. No Mar Morto, viajantes podem experimentar a flutuação em águas extremamente salgadas. Já Amã oferece uma mistura entre ruínas romanas, cafés contemporâneos e mercados tradicionais.
Para quem pretende visitar o país, vale acompanhar recomendações oficiais de segurança e dar atenção especial às regiões de fronteira.
Curaçao: Caribe colorido além das rotas tradicionais

Curaçao chega à Copa com potencial para conquistar quem busca uma experiência caribenha que una praia, cultura e vida urbana. A ilha, localizada no sul do Caribe, é conhecida pelo mar cristalino, pelo mergulho e pela mistura de influências africanas, europeias e latino-americanas.
Willemstad, a capital, chama atenção pelas fachadas coloridas à beira-mar e pelo centro histórico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Além das praias, o destino oferece bares, restaurantes, museus e uma atmosfera mais cosmopolita do que a de muitas ilhas voltadas exclusivamente ao turismo de resort.
“Grandes eventos esportivos têm o poder de colocar destinos menos conhecidos no mapa turístico mundial. A exposição gerada pela Copa desperta curiosidade e faz com que viajantes passem a considerar países que antes estavam fora de seus planos”, afirma Edmar Mendoza, CEO da Biosfera Copastur.
Para brasileiros em busca de novas histórias para contar, a Copa pode ser apenas o primeiro contato com esses lugares. Depois do apito final, o que fica é a vontade de descobrir o que existe além do futebol.
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