A Ferrari (RACE) apresentou o Luce, primeiro carro totalmente elétrico de produção da história da marca italiana, em uma estreia que mistura avanço tecnológico, ruptura estética e reação negativa de parte dos fãs.
O modelo chega com mais de 1 mil cv, quatro motores elétricos, tração integral e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, mas a ficha técnica acabou dividindo espaço com uma pergunta uma polêmica: até onde uma Ferrari pode mudar sem deixar de parecer uma Ferrari?
O Luce parte de € 550 mil, cerca de US$ 640 mil, o equivalente a mais de R$ 3,2 milhões em conversão direta. O valor não considera impostos, custos de importação ou eventual customização, pontos que costumam elevar ainda mais o preço final em modelos da marca.
Ruptura da Ferrari ao lançar um elétrico
O Luce rompe com mais de uma tradição da montadora de Maranello. Além de ser o primeiro elétrico da Ferrari, o modelo tem cinco lugares, algo inédito na história da companhia. A proposta se afasta da imagem clássica dos superesportivos baixos, agressivos e movidos por motores a combustão, entrando em um território mais próximo de um grand tourer elétrico de luxo.
O desenho foi desenvolvido pelo Centro Stile Ferrari em parceria com a LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple (AAPL; AAPL34). A influência aparece no visual minimalista, nas superfícies mais limpas e no interior com menos telas do que o esperado para um elétrico de alto padrão.
Mesmo assim, o resultado gerou comparações negativas nas redes sociais e virou alvo de piadas pelo formato pouco associado ao imaginário tradicional da Ferrari.
A crítica mais dura veio de Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari entre 1991 e 2014. Segundo o Motor1, o executivo afirmou que o Luce “corre o risco de destruir uma lenda” e disse esperar que a marca retire o Cavalo Empinado do carro.
O incômodo não está apenas no fato de o modelo ser elétrico. A discussão passa pelo conjunto da obra:
- proporção mais alta,
- cabine ampla,
- desenho menos agressivo e
- ausência do motor a combustão, elemento que historicamente ajuda a definir a experiência sensorial de uma Ferrari.
Para críticos, o Luce não comunica imediatamente a identidade visual da marca; para a empresa, essa é justamente a tentativa de inaugurar uma nova etapa.
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Mercado cético
A recepção dos investidores também foi negativa. Segundo a Associated Press, as ações da Ferrari caíram 8,4% em Milão na terça-feira, enquanto os papéis listados nos Estados Unidos recuaram 5,3%.
A reação veio em meio a dúvidas sobre a demanda por veículos elétricos de luxo, especialmente em um momento em que montadoras globais têm revisto metas de eletrificação.
A própria Ferrari reduziu sua ambição para os elétricos. A companhia havia indicado anteriormente que modelos 100% elétricos poderiam representar 40% do portfólio até 2030, mas revisou essa meta para 20%.
Apesar das críticas, o Luce traz bons números. O modelo tem autonomia estimada em mais de 530 quilômetros, bateria de 800 volts, carregamento rápido de até 350 kW e modos de condução que ajustam a entrega de torque.
A Ferrari também desenvolveu um sistema sonoro que amplifica vibrações reais dos motores elétricos, em vez de apenas simular o ronco de um motor a combustão.





















