Os clubes privados começam a ganhar espaço nos projetos do mercado imobiliário de luxo. Além das tradicionais áreas de lazer, o modelo reúne estruturas de esporte, saúde, gastronomia e convivência, com acesso restrito e serviços voltados aos associados.
Em São Paulo, a Meta Incorporadora planeja investir cerca de R$ 50 milhões na construção de um clube privado no Jardim Guedala, na região do Morumbi. O espaço terá aproximadamente 5 mil metros quadrados, capacidade para 300 famílias e mensalidade estimada em R$ 3.500 por título. A estrutura fará parte do J442, empreendimento residencial com Valor Geral de Vendas (VGV) projetado em R$ 750 milhões.
O movimento acompanha mudanças no consumo de luxo. O The Wealth Report 2025, da consultoria Knight Frank, aponta os clubes privados entre os subsetores de crescimento mais rápido do mercado imobiliário.
Segundo Alexandre Souza Lima, CEO da Meta Incorporadora, os compradores de imóveis de alto padrão passaram a considerar fatores que vão além da localização, da metragem e das características do apartamento. A proximidade de serviços e a possibilidade de incorporar atividades de esporte e lazer à rotina também ganharam importância.
“O tempo se tornou um ativo valioso, assim como a possibilidade de integrar esporte, saúde, lazer e convivência à rotina, sem abrir mão da exclusividade”, afirma o executivo, em entrevista.
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Para Souza Lima, os clubes privados ainda representam uma tendência em desenvolvimento no Brasil. A expansão desse formato, segundo ele, depende de localização estratégica, tamanho adequado e uma operação capaz de atender às necessidades dos associados.
Clube de R$ 50 milhões terá mensalidade estimada em R$ 3.500
A adesão ao Meta Club será opcional para os moradores. Os compradores dos 77 apartamentos do J442 terão prioridade de acesso, enquanto as demais cotas deverão ser destinadas a proprietários de outros empreendimentos da incorporadora na região, respeitando o limite de aproximadamente 300 famílias.
Segundo Souza Lima, a mensalidade preliminar é de R$ 3.500 por título. O valor da taxa de adesão e as condições definitivas de associação ainda estão em definição.
“Os custos de manutenção e operação do clube são totalmente separados dos custos condominiais. O Meta Club é operado por uma empresa própria, distinta do condomínio”, explica o CEO.

A concentração das instalações esportivas e de bem-estar em um único endereço também faz parte da estratégia financeira da Meta. Em vez de construir e manter determinadas estruturas separadamente em cada edifício, a incorporadora pretende disponibilizá-las aos moradores de diferentes empreendimentos.
Academias, saunas, salas de pilates e quadras esportivas estão entre os equipamentos que poderão ser compartilhados. Segundo o executivo, o formato permite distribuir as despesas entre um número maior de famílias e pode reduzir os custos condominiais dos imóveis ligados ao clube.
“O custo dessa estrutura é dividido entre um número maior de famílias. O clube funciona como uma central de lazer e bem-estar compartilhada”, afirma.
A proposta é ampliar o uso da estrutura conforme novos projetos forem desenvolvidos na região, sem ultrapassar o limite de associados estabelecido para o clube.
Quanto um clube privado pode valorizar um imóvel?
Além da operação compartilhada, a presença do clube faz parte da estratégia comercial do J442, voltada a oferecer serviços e instalações que não estariam disponíveis em um condomínio residencial convencional.
O mercado de imóveis voltados ao bem-estar, conhecido como wellness real estate, movimentou US$ 584 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 1,1 trilhão até 2029, segundo o Global Wellness Institute.
Na América Latina e no Caribe, o segmento registrou crescimento médio anual de 24% entre 2019 e 2024. A entidade também identificou evidências de que imóveis residenciais com atributos de bem-estar, em determinados segmentos, podem apresentar preços entre 10% e 25% superiores aos de empreendimentos comparáveis.

Para Souza Lima, o clube é um dos elementos que podem influenciar a percepção de valor dos imóveis, ao lado da localização, da arquitetura e das características do empreendimento.
“Preferimos não atribuir um percentual específico de valorização exclusivamente à presença do clube, já que o comportamento dos preços depende também das condições de mercado”, afirma.
A Meta considera o investimento de R$ 50 milhões dentro de uma estratégia imobiliária mais ampla, que inclui tanto a comercialização dos apartamentos quanto a operação do clube.
“Nossa expectativa é que o retorno seja percebido em diferentes dimensões: no valor agregado aos empreendimentos, na atratividade comercial e na sustentabilidade da operação do próprio clube”, diz o executivo.
Por que limitar o clube a 300 famílias?
A definição de um número restrito de associados está relacionada à disponibilidade dos serviços. A Meta pretende evitar situações comuns em clubes com grande circulação de pessoas, como dificuldade para reservar quadras ou encontrar horários disponíveis para determinadas atividades.
Segundo Souza Lima, a possibilidade de utilizar os espaços conforme a própria rotina é um dos fatores considerados pelos consumidores de alta renda.
“Para nós, luxo é poder administrar o próprio tempo e usar o clube no momento em que se tem disponibilidade. Por isso acreditamos que clubes urbanos e sofisticados precisam ser menores”, afirma.
O Meta Club terá quadras cobertas de tênis, padel e pickleball, academia, espaços infantis, ambientes para trabalho e reuniões e serviços de concierge. Também estão previstas três operações gastronômicas, com marcas ainda não anunciadas. Os restaurantes poderão receber público externo.

A estrutura será organizada em três pilares, chamados Wellness, Racquet e Social, voltados ao bem-estar, aos esportes de raquete e à convivência.
De acordo com o CEO, a proposta foi desenvolvida a partir da experiência da empresa no Jardim Guedala e do contato com compradores de imóveis na região. A incorporadora identificou interesse por espaços que permitam reunir atividades esportivas, cuidados com a saúde e encontros presenciais em um mesmo endereço.
Além das instalações esportivas, o clube terá uma programação de encontros e experiências relacionadas à saúde física, mental e social.
“Quanto mais a tecnologia nos afasta da convivência e das trocas pessoais, maior fica a necessidade de espaços para desconectar do mundo virtual e reconectar com o que é essencial: as relações entre as pessoas”, afirma Souza Lima.
O executivo acredita que esses fatores terão influência crescente na escolha de imóveis de alto padrão. O modelo, porém, não será necessariamente adotado em todos os lançamentos da incorporadora, já que sua implementação depende das características de cada projeto.
Meta prevê R$ 400 milhões em investimentos nos próximos três anos
O J442 integra um novo ciclo de investimentos da Meta Incorporadora, que prevê aproximadamente R$ 400 milhões para aquisição de terrenos e obras nos próximos três anos.
A empresa pretende concentrar seus próximos projetos no segmento de alto padrão, especialmente no Jardim Guedala. Segundo Souza Lima, a incorporadora desenvolve uma estratégia de aquisição de terrenos na região há cerca de 20 anos.
O J442 terá aproximadamente 40 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 3 mil metros quadrados. O projeto de arquitetura e interiores será assinado por Gui Mattos.
O residencial contará com 77 apartamentos, com áreas aproximadas de 200 a 500 metros quadrados, conforme informado pelo CEO na entrevista. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2027, com entrega estimada para 2031.
A estratégia da Meta também inclui manter parte dos imóveis de seus empreendimentos em carteira para locação e valorização futura, em vez de comercializar todas as unidades.
“Construímos aquilo em que investimos e ficamos com parte do que construímos”, afirma Souza Lima.
Segundo o executivo, essa prática está ligada à visão de médio e longo prazo da incorporadora, que considera os imóveis ativos capazes de gerar renda com locação e preservar patrimônio ao longo dos ciclos do mercado imobiliário.





