A EQI Research encerrou antecipadamente sua Ideia de Trade em Vivara (VIVA3), com um ganho de 2,5%, e rebaixou a recomendação para as ações da varejista de compra para neutra.
A decisão foi tomada após uma revisão das condições que sustentavam a operação. Na avaliação do analista Nícolas Merola, o retorno das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo e as expectativas de inflação, reduzindo a atratividade das small caps.
A tese anterior combinava o valuation historicamente baixo da Vivara com a expectativa de que a companhia conseguiria enfrentar o aumento dos custos das matérias-primas, especialmente a disparada do ouro.
Embora esses pontos continuem relevantes, o ambiente macroeconômico deixou de oferecer o suporte considerado necessário para manter a mesma convicção na operação.
“Se o mundo muda, precisamos voltar e revisar nossas operações e convicções. E, quando necessário, mudar a rota”, afirma Merola.
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O relatório também apresenta a metodologia empregada pelo analista para revisar as operações da carteira. Os critérios detalhados desse processo foram preservados nesta prévia e estão disponíveis na versão completa do documento no aplicativo da EQI+.
Por que a EQI Research encerrou o trade em Vivara?
A recomendação de compra estava apoiada principalmente em fatores específicos da Vivara. A empresa negociava a múltiplos historicamente baixos, o que indicava um preço considerado atrativo pela EQI Research.
“Por mais que essa incerteza existisse, a ação estava negociando a múltiplos historicamente baixos, portanto muito barata e atrativa”, afirma Merola.
Ao mesmo tempo, a companhia enfrentava uma forte alta dos custos, provocada principalmente pela valorização do ouro. A matéria-prima possui peso relevante na produção de joias e, por isso, pode pressionar as margens quando seus preços sobem.
Merola avaliava que a Vivara possuía condições para contornar esse desafio. Essa expectativa, somada ao desconto das ações, ajudava a sustentar a tese mesmo diante do encarecimento dos insumos.
O analista ressalta que a recomendação estava mais vinculada aos fundamentos da empresa do que às condições gerais da economia.
“Nesta operação, falei muito pouco de temas que vinham sendo recorrentes nos demais relatórios, como trajetória de juros, geopolítica e outros elementos”, observa Merola.
Segundo o analista, isso ocorreu porque o contexto macroeconômico estava normalizado no momento da abertura da operação, e não porque esses fatores fossem irrelevantes para a tese.
Com a deterioração do cenário global, juros, inflação e custo de capital voltaram a ganhar peso na avaliação.
Retorno do conflito muda o cenário para VIVA3
Segundo Merola, o ambiente internacional apresentava sinais de normalização. O petróleo havia retornado aos níveis anteriores à guerra e as perspectivas para a inflação começavam a oferecer algum alívio.
A retomada do conflito no Oriente Médio interrompeu essa trajetória. A alta do petróleo voltou a alimentar preocupações inflacionárias e reduziu as expectativas de uma queda mais consistente dos juros.
“A guerra, que já ‘tinha acabado’, voltou; o preço do petróleo, que voltara a patamares pré-guerra, está subindo”, afirma o analista da EQI Research.
Na avaliação de Merola, esse quadro devolve os mercados a um ambiente de inflação elevada, juros mais altos e maior custo de capital.
“Voltamos para aquele mundo, pelo menos por enquanto, de juros mais altos, inflação mais alta, maior custo de capital e menos atratividade para small caps”, escreve.
O analista destaca que qualquer fator capaz de elevar as perspectivas para os juros pode afetar significativamente as empresas de menor capitalização. O aumento do petróleo aparece entre esses fatores por seus possíveis efeitos sobre a inflação.
Para a EQI Research, a mudança do ambiente internacional alterou a relação entre os riscos e o potencial de retorno da operação. O valuation baixo, isoladamente, deixou de ser suficiente para justificar a recomendação de compra.
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Vivara passa de compra para neutra
O rebaixamento para neutra representa uma redução da convicção da EQI Research sobre o desempenho das ações no cenário atual. A decisão também encerra formalmente a operação acompanhada pelo relatório Ideia de Trade.
“Esse fechamento antecipado está mais ligado ao contexto do cenário da operação, que mudou”, reforça Merola.
De acordo com o analista, a decisão está menos relacionada aos argumentos específicos apresentados na abertura do trade e mais à deterioração das condições para a classe de ativos.
A revisão, portanto, não elimina os pontos positivos identificados anteriormente na Vivara. A companhia ainda possui fatores operacionais próprios e negocia em níveis considerados baixos diante de seu histórico.
“Podemos eventualmente retornar a ela, utilizando os mesmos argumentos, contanto que tenhamos um cenário mais benigno para a classe”, afirma o analista.
O novo ambiente, entretanto, adicionou riscos que não estavam presentes com a mesma intensidade no início da tese. Entre eles estão a possibilidade de inflação mais persistente, juros elevados por mais tempo e menor interesse do mercado por Small Caps.
Merola destaca que acompanhar uma operação exige revisar as premissas quando os fatos mudam. A manutenção de uma recomendação não deve depender apenas do preço inicialmente considerado atrativo, mas da permanência das condições que justificaram a entrada.
Parte dessas premissas e a metodologia completa empregada no fechamento foram preservadas para os leitores do relatório.
A análise completa de Nícolas Merola, com a metodologia, os critérios usados para encerrar a operação e a avaliação detalhada da Vivara, está disponível no aplicativo da EQI+.





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