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Com juro real acima de 8%, EQI Research vê janela para travar retornos elevados na renda fixa
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Com juro real acima de 8%, EQI Research vê janela para travar retornos elevados na renda fixa

Focus eleva projeção de inflação pela 13ª semana seguida e casa de análise recomenda manter títulos indexados ao IPCA e aproveitar taxas para novos aportes

O Tesouro IPCA+ 2032 está oferecendo uma taxa de juro real acima dos 8% ao ano, um dos patamares mais elevados da série recente do Tesouro Direto. Para a EQI Research, este nível abre uma janela para investidores de médio e longo prazo travarem retornos acima da inflação por quase uma década.

O que motiva este patamar tão elevado é a piora das expectativas. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) elevou pela 13ª semana seguida a projeção para o IPCA de 2026, agora em 5,11%, e passou a ver a Selic em 13,5% ao ano no fim de 2026, ante 13,25% na semana anterior. Para 2027, a mediana dos juros subiu de 11,25% para 11,5%.

Por que o prêmio está tão alto

Na avaliação da casa de análise, o prêmio elevado dos títulos públicos reflete a percepção de risco fiscal e as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública brasileira. A inflação mais persistente, pressionada por fatores domésticos e externos, como o comportamento das commodities e do petróleo, completa o quadro e reduz o espaço para cortes de juros pelo Banco Central.

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“O mercado tem exigido uma remuneração maior para financiar o governo em prazos mais longos, especialmente diante das dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de estabilização da dívida ao longo dos próximos anos”, afirma João Abdouni, analista da EQI Research.

A persistência da inflação e a expectativa de Selic em níveis elevados por mais tempo também contribuem para a abertura das taxas. Esse quadro tem provocado perdas na marcação a mercado dos títulos prefixados e dos indexados à inflação nos últimos meses.

O que fazer com os papéis que já estão na carteira

Para quem carrega esses títulos e vê o saldo no vermelho, a orientação da EQI Research é a manutenção das posições, respeitados o perfil de risco e o horizonte de cada investidor. 

Na avaliação da casa, os níveis atuais de rentabilidade permanecem elevados e não justificam, de forma geral, uma revisão com objetivo de venda neste momento.

“Entendemos que esses ativos vêm sofrendo os efeitos da marcação a mercado em função da abertura recente da curva de juros, mas continuam oferecendo retornos atrativos para quem pretende carregá-los até o vencimento”, diz Abdouni.

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Janela para quem ainda está fora

Do ponto de vista histórico, os juros reais oferecidos por parte da curva brasileira estão entre os mais atrativos das últimas décadas. Nesse ambiente, a preferência da EQI Research recai sobre os títulos indexados à inflação, que combinam taxa real elevada com proteção do poder de compra ao longo do tempo.

“Naturalmente, ninguém consegue afirmar que as taxas atingiram o pico. Elas podem seguir subindo ou cair dependendo da evolução da inflação, da política monetária e do cenário fiscal”, pondera o analista.

Para horizontes de médio prazo, no entanto, o patamar atual já oferece uma relação de retorno considerada interessante para quem busca ganho real, mesmo sem a garantia de que o ponto de entrada seja o melhor possível.

Pós-fixados, CDBs e crédito privado no radar

Caso a Selic permaneça elevada por um período prolongado, os títulos pós-fixados tendem a ser os principais beneficiados, já que acompanham diretamente o comportamento dos juros. A mesma lógica vale para os CDBs atrelados ao CDI, que devem entregar rendimentos mais atrativos ao longo dos próximos meses se a trajetória de queda dos juros for mais lenta do que o esperado.

No crédito privado, a remuneração costuma ser bastante atrativa em períodos de juros altos, no entanto a seletividade ganha o mesmo peso na decisão. O investidor deve avaliar a capacidade de pagamento, a alavancagem financeira e a qualidade do emissor antes de alocar recursos.

“Empresas com fundamentos mais sólidos geralmente captam recursos a spreads menores, enquanto emissores com maior percepção de risco precisam oferecer prêmios mais elevados para atrair investidores”, explica o analista da EQI Research.