A Global Invest Portfolio, estratégia internacional que gerimos desde junho do ano passado, completa quase um ano de existência com retorno acumulado de 19,3% em dólar. Cruzamos a marca dos 20% recentemente, mas houve um leve recuo após a alocação de abril, concentrada em renda fixa dos Estados Unidos como aposta defensiva.
Essa decisão protegeu o capital diante da volatilidade em renda variável no Brasil, China, Sudeste Asiático e Europa. Vendemos essas posições em abril e estamos recomprando agora em maio, a preços bem mais atrativos.
Rotação global
O ano tem sido marcado por mudanças rápidas de tendência. Começamos com a “velha economia” performando bem, passamos por surpresas positivas em emergentes e, no último mês, vimos forte concentração em semicondutores e inteligência artificial nos Estados Unidos.
A subida dos juros virou o tema central da mídia financeira e provocou recuos expressivos em várias geografias.
O Brasil, curiosamente, sofreu mais do que ativos europeus e chineses, apesar de possuir menor vulnerabilidade energética que a Europa e fundamentos domésticos distintos dos chineses. Por isso, nesta atualização mensal, retornamos à renda variável com o Brasil em destaque. A alocação em EWZ supera 25% da carteira.
Sete argumentos pelo Brasil

A exposição se justifica por sete pilares. O primeiro são as bases acionárias comprimidas. Diferente de papéis “widely held” como Apple (AAPL; AAPL34) ou Nvidia (NVDA; NVDC34), com bases expandidas, o mercado brasileiro passou por um êxodo. As ações migraram da multidão para mãos fortes, investidores resilientes que não vendem facilmente a preços baixos.
O segundo é a relação M2/M1, que funciona como energia potencial. Há um volume massivo de dinheiro empossado em renda fixa, e qualquer rotação para o risco carrega forte potencial de valorização.
Em seguida, vêm fundamentos e valuation. O P/L do Ibovespa, sobretudo do Top 15, está abaixo de 10, com estimativa de lucratividade para as empresas do índice entre R$ 500 bilhões e R$ 550 bilhões neste ano.
O quarto pilar é a turquerização. Observamos preferência por poupança em renda variável mesmo com juros subindo, como ocorre nos Estados Unidos e no Japão, à medida que cresce o ceticismo sobre Treasuries como ativos livres de risco.
O quinto é a baixa dependência externa, com percentual de estrangeiros detendo títulos do Tesouro Nacional bem abaixo do registrado em 2016, o que reduz nossa vulnerabilidade a choques externos.
Os dois últimos argumentos são técnicos. O Brasil tem ganhado participação no MSCI Emerging Markets frente a outros emergentes, como a Índia, e pode tomar espaço de Taiwan e Coreia do Sul no índice.
A volatilidade do Ibovespa, por fim, tem se mostrado inferior à do S&P 500, dado importante para a gestão de risco.
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China e Europa
Na China, acreditamos que o processo deflacionário está chegando ao fim e abrindo espaço para uma virada inflacionária saudável. Um ponto central da tese é a valorização do yuan frente ao dólar, relação cambial que considero a mais importante e pouco debatida no momento. O mercado imobiliário em Hong Kong, ao qual nos expomos via FXI, já mostra sinais de melhora após um longo ciclo de queda.
Na Europa, observamos um despertar econômico, com expansão creditícia nos bancos. Apesar da vulnerabilidade energética, os bancos europeus mostraram resiliência no último mês, e esperamos retomada com a normalização dos mercados.
A carteira mantém parcela defensiva em renda fixa americana (AGG), que funciona como pólvora seca. Nas próximas semanas, podemos usar essa liquidez para novos ajustes e, possivelmente, alocar diretamente em renda variável nos Estados Unidos.
Quem quiser conhecer a Global Invest Portfolio na íntegra pode acessar o app do EQI+, onde eu apresento a tese completa e os ativos que compõem a estratégia.





