A carteira de dividendos da EQI Research fez dois ajustes pontuais para agosto. A casa dobrou o peso de Bradesco (BBDC4), de 5% para 10%, e reduziu pela metade a participação do Fleury (FLRY3), de 10% para 5%.
As alterações ocorreram após o portfólio Mais Dividendos com Ações apresentar maior resistência que o mercado em julho. A carteira recuou 0,34%, enquanto o Índice Dividendos, o IDIV, caiu 3,87% e o Ibovespa perdeu 2,03%.
O Fleury foi justamente o ativo de melhor desempenho no mês, com valorização de 16,53%. Parte da alta aconteceu após a divulgação do balanço do segundo trimestre, considerado positivo pela EQI Research e seguido por um avanço próximo de 10% das ações no pregão seguinte.
“A redução da posição já fazia parte dos nossos planos em função da composição do portfólio. Apesar disso, seguimos gostando da companhia e acreditamos que a Fleury será uma das vencedoras do processo de envelhecimento populacional em curso”, afirmam João Zanott, João Neves e Nícolas Merola, analistas da EQI Research.
Por que Bradesco ganhou espaço na carteira de dividendos?
O aumento da participação de BBDC4 reflete a avaliação de que o Bradesco está avançando no processo de recuperação de sua rentabilidade. Ao mesmo tempo, as ações ainda negociam a aproximadamente uma vez o valor patrimonial, múltiplo considerado atrativo pela casa.
A EQI Research também destaca mudanças na composição da carteira de crédito. O banco vem aumentando a participação de operações com garantias, conhecidas como créditos colateralizados, estratégia que pode melhorar a qualidade do crescimento e reduzir os riscos associados à inadimplência.
“Entendemos que o banco vem sendo bem-sucedido no processo de recuperação de sua rentabilidade, enquanto a ação ainda negocia a um múltiplo atrativo, em nossa visão, de aproximadamente uma vez o preço sobre valor patrimonial”, avaliam os analistas.
Mesmo com os ajustes, a proposta da carteira permanece a mesma: reunir empresas resilientes, com geração consistente de caixa e capacidade de remunerar os acionistas ao longo do tempo.
A composição setorial também busca distribuir os riscos. As maiores exposições estão nas empresas elétricas, que representam 30% do portfólio, seguidas pelos setores financeiro, com 20%, e de petróleo, com 15%. Saúde e papel e celulose respondem por 10% cada.
Allos reforça tese de geração de caixa
Além das alterações em Bradesco e Fleury, a EQI Research reforçou sua recomendação positiva para a Allos (ALOS3). A companhia de shopping centers permanece na carteira por sua geração de caixa, pela qualidade de seus ativos e pela disciplina demonstrada na alocação de capital.
Desde a fusão entre Aliansce Sonae e brMalls, a Allos vendeu shoppings e participações considerados menos estratégicos, ao mesmo tempo que distribuiu dividendos e recomprou ações. As transações foram realizadas com taxas de capitalização inferiores às implícitas na avaliação da companhia na bolsa, evidenciando, segundo a casa, um valor não reconhecido pelo mercado.
Apesar da redução da área bruta locável, a participação da Allos nas vendas totais do setor aumentou de 15,6% em 2019 para 20,1% em 2024. Para a EQI Research, os dados indicam que a reciclagem preservou os empreendimentos com maior qualidade e potencial comercial.
“Enxergamos a Allos como uma tese de geração consistente de caixa, sustentada por um portfólio de ativos de elevada qualidade, forte execução operacional e disciplina na alocação de capital”, afirmam Zanott, Neves e Merola.
Entre 2023 e 2026, a companhia deverá destinar aproximadamente R$ 5 bilhões aos acionistas por meio de dividendos e programas de recompra. O montante corresponde a cerca de 36% de seu valor de mercado.
A EQI Research pondera que a atual política extraordinária de distribuição deve terminar em dezembro de 2026, pois os pagamentos superam a geração recorrente de caixa. Ainda assim, a casa projeta que a remuneração permaneça elevada, apoiada pela maturidade dos ativos e pela menor necessidade de investimentos.
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Anúncios de dividendos voltam a ganhar força
A temporada de balanços também trouxe uma retomada dos anúncios de proventos após um começo de ano mais fraco. Entre os destaques, a Vale (VALE3) anunciou R$ 2,03 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio, com pagamento previsto para setembro.
A Petrobras (PETR4) comunicou R$ 1,35 por ação, a serem distribuídos em novembro e dezembro. Fleury e PetroReconcavo (RECV3) anunciaram juros sobre capital próprio de R$ 0,40 e R$ 0,34 por ação, respectivamente.
“Com esses anúncios, revisamos nosso calendário de dividendos, incorporando tanto os proventos já anunciados pelas companhias da carteira quanto nossas estimativas para as próximas distribuições. O resultado é um fluxo de caixa projetado mais robusto para os próximos meses”, afirmam os analistas.
A composição completa da carteira, os pesos de cada ativo, as projeções de dividendos e as teses detalhadas das empresas estão disponíveis no relatório Mais Dividendos com Ações, da EQI Research. Para conferir o material e acompanhar as próximas atualizações, acesse o aplicativo EQI+.






