O BTG Pactual elevou em cerca de 11% as projeções de lucro da Panvel (PNVL3) para os próximos três anos e reiterou a recomendação de compra. O preço-alvo ficou em R$ 19 por ação, o que indica potencial de valorização de 45,4% sobre o fechamento de R$ 13,07.
A revisão vem depois de um resultado do segundo trimestre de 2026 acima do esperado. Somado ao rendimento em dividendos estimado de 4,4%, o retorno total projetado pelo banco chega a 49,7% em 12 meses.
O alvo, contudo, não mudou. O banco estendeu o horizonte de avaliação para o fim de 2027, ajustou premissas de custo de capital e passou a considerar um ritmo mais forte de aberturas de lojas. Os efeitos se anularam.
“A Panvel tem superado as expectativas seguidamente, mesmo com um cenário mais cauteloso para o setor. Uma aceleração nas aberturas de lojas pode ser mais uma alavanca para sustentar o ritmo dos lucros”, escrevem os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.
Números revisados para cima
O lucro líquido ajustado esperado para 2026 passou de R$ 176 milhões para R$ 185 milhões. A diferença cresce nos anos seguintes: a estimativa para 2027 subiu 12%, para R$ 238 milhões, e a de 2028 avançou 16,1%, para R$ 297 milhões.
No Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o banco projeta R$ 400 milhões em 2026, com margem de 5,9% sobre a receita bruta. A receita líquida estimada para o ano é de R$ 6,334 bilhões.
A revisão se apoia no avanço mais rápido dos remédios de prescrição e na aceleração das aberturas a partir de 2027, para cerca de 45 lojas por ano. Genéricos e higiene e beleza também devem crescer, enquanto a distribuição de capital mais generosa ajuda a margem líquida.
Metas de longo prazo ganham credibilidade
No Investor Day (encontro com investidores) deste ano, a Panvel prometeu receita bruta entre R$ 11,5 bilhões e R$ 12 bilhões em 2030, margem Ebitda de 6,7% a 7% e uma rede de 950 a 1.000 lojas. Na época, as metas pareciam ambiciosas demais.
Seis meses depois, a empresa cresce acima do previsto e amplia margens. A expansão física, no entanto, segue atrasada. Foram 12 inaugurações no primeiro semestre, abaixo das cerca de 40 por ano necessárias para cumprir a meta. O BTG trabalha com 849 lojas em 2030.
“As aberturas ficaram abaixo do ritmo implícito na meta, mas acreditamos que isso está prestes a mudar”, afirmam os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.
Despesas diluídas compensam margem bruta menor
A margem bruta recuou cerca de 0,3 ponto percentual no primeiro semestre, e a pressão deve continuar até dezembro. O motivo é o mix de vendas: os remédios GLP-1 giram muito, mas deixam menos margem que as demais categorias.
Mesmo assim, a diluição das despesas com vendas, gerais e administrativas mais do que compensou a perda. A margem Ebitda, sem os efeitos da norma contábil IFRS 16, que trata de arrendamentos, subiu 0,4 ponto percentual.
A gestão aposta em novas frentes de eficiência. No projeto-piloto de precificação com inteligência artificial, os produtos ajustados pelo sistema venderam 27% mais. A lista inclui sortimento adaptado a cada praça e compras mais bem planejadas para evitar falta de estoque.
O BTG, portanto, projeta margem de 6,5% em 2030. O número mostra avanço, mas ainda fica 0,2 ponto abaixo do piso da meta da companhia.
Canetas emagrecedoras ganham peso no faturamento
GLP-1 é a classe de medicamentos que imita um hormônio ligado à saciedade e ao controle da glicose, caso da semaglutida. Na Panvel, a receita com esses produtos cresceu cerca de 91% no primeiro semestre, segundo estimativa do BTG.
Mesmo com bases de comparação mais altas desde maio, o banco espera alta acima de 60% em 2026. No segundo trimestre, a categoria faturou R$ 184 milhões, 11,3% das vendas. A fatia deve chegar a 12,4% no quarto trimestre.
O mercado brasileiro de GLP-1 deve superar R$ 16,389 bilhões em 2026, cerca de um quarto do crescimento do varejo farmacêutico. O fim da patente da semaglutida e a chegada de versões mais baratas, como o Ozivy, da EMS, ampliam o acesso.
“Acreditamos que o GLP-1 deve evoluir para uma fonte relevante de lucro, e não apenas um gerador de fluxo nas lojas”, observam os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.
Com mais escala nas compras e concorrência entre fornecedores, a margem bruta desses remédios deve se aproximar de 25% no fim de 2026 e passar de 30% no médio prazo. O comércio eletrônico, outra frente em alta, respondeu por 34% das vendas no segundo trimestre.
Espaço para crescer fora do Rio Grande do Sul
A Panvel tem 666 lojas, 649 delas no Sul. A participação de mercado na região subiu de 11,1% em 2020 para 13,5% em 2026, com ganhos nos três estados: 22,4% no Rio Grande do Sul, 7,9% em Santa Catarina e 7,5% no Paraná.
A concentração gaúcha, entretanto, revela a oportunidade. São 421 lojas no Rio Grande do Sul, contra 123 no Paraná e 105 em Santa Catarina. A rede está em 12 das 13 cidades do Sul com mais de 300 mil habitantes, mas em só 67,7% das que têm entre 50 mil e 100 mil.
O terreno é disputado. A São João, maior rede regional, tem 1.351 farmácias, e 94% delas ficam a menos de 5 km de uma Panvel. A Raia Drogasil (RADL3) soma 467 lojas no Sul, a Clamed tem 621 e a Nissei, 331.
Parte dos rivais perdeu fôlego. A Nissei praticamente parou de abrir lojas e carrega alavancagem de 2,4 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda. A da Panvel está em 0,9 vez.
Aposta defensiva
Na última década, o faturamento da Panvel cresceu cerca de 12% ao ano, ritmo que subiu para 15% entre 2020 e 2026. No período mais recente, o Ebitda avançou 21% ao ano, ajudado pela venda da operação de atacado e por cortes de custo.
O banco vê as farmácias entre os negócios mais defensivos do varejo, num momento de temor com a desaceleração do consumo. A Panvel é a preferida do BTG entre as redes de menor porte do setor.
“A Panvel segue bem posicionada para entregar resultados resilientes, com fundamentos sólidos de crescimento, balanço saudável e geração de caixa consistente”, avaliam os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.
Entre os riscos, o banco aponta o teto de reajuste dos remédios definido pelo governo, a piora da economia, falhas na execução da expansão e a possível liberação da venda de remédios sem prescrição em supermercados. O preço-alvo sai de um modelo de fluxo de caixa descontado, com custo de capital próprio de 13,5%.






