A semana chega ao fim com muita volatilidade nos mercados, com receios quanto à variante delta do coronavírus e com uma redução de liquidez à vista.
O tema principal dos últimos dias foi a ata do Federal Reserve (Fed), que sinalizou uma redução nas injeções de dinheiro que o banco central americano vem promovendo desde o início da pandemia – o que mexe na economia do mundo todo.
Paralelamente, o avanço dos casos de Covid derruba as projeções de ritmo de crescimento global, ao mesmo tempo em que a China aumenta seu controle sobre a produção, forçando uma baixa nos preços das commodities.
Internamente, o Brasil segue com turbulência fiscal e política, com desentendimento entre poderes e muita dificuldade para fechar o orçamento de 2022.
Confira os principais temas da semana.
Ata do Fed
Divulgado dia 18, o documento admitiu que já está em curso a discussão sobre a redução das recompras de títulos – atualmente em US$ 120 bilhões mensais – e que o tapering (retirada de estímulos) pode vir ainda este ano.
A expectativa dos membros do Fed é de continuidade do crescimento no segundo semestre, mas há preocupações com a variante delta e com os gargalos na cadeia de insumos.
O documento mexeu com as bolsas do mundo todo, ligando o alerta quanto à redução de liquidez e alta de juros nos EUA antes do previsto.
Delta preocupa
A variante delta segue sendo acompanhada de perto, elevando as mortes por Covid nos EUA, onde já foi definido que uma terceira dose das vacinas será aplicada em todos os imunizados.
A delta também ameaça o ritmo do crescimento global, impactando nos preços das commodities.
Commodities em queda
A queda das commodities ocorre em meio ao clima de desaceleração do ritmo de crescimento das grandes potências, mas também em meio à decisão da China de restringir a produção, a fim de forçar o preço da commodity para baixo, o que impacta nas ações de mineradoras como Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).
Risco fiscal
A turbulência de Brasília tem levado o mercado a aumentar as projeções de inflação e a ligar o alerta quanto ao risco fiscal. As pautas de Auxílio Brasil e PEC dos precatórios seguem demandando atenção.
Reforma do imposto de renda
A reforma do imposto de renda teve sua votação adiada pela segunda vez na Câmara dos Deputados. A promessa é de nova tentativa para a próxima semana.
Um dos impasses no projeto é sobre a tributação dos dividendos – prevista para ser de 20%, mas que pode ser escalonada.
O relator propôs que a alíquota de 20% passe a valer a partir do próximo ano. Alguns deputados defendem que a tributação de lucros e dividendos tenha a alíquota de 10% em 2022 e passe para 20% em 2023.
Campos Neto garante meta da inflação
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a autoridade monetária perseguirá a meta de inflação e fará “o que for preciso” para isso, tranquilizando parcialmente o mercado.
Ele disse ainda que os ruídos políticos vêm ocasionando uma projeção do mercado para a economia diferente da análise técnica do Banco Central.
No último Boletim Focus, o mercado estimou IPCA a 7,05% até dezembro.
Independência do Banco Central
O STF confirmou para a próxima quarta-feira, 25 de agosto, a retomada do julgamento sobre a independência do Banco Central. PT e PSOL alegam que a lei aprovada é inconstitucional.