A semana que se encerra foi marcada pelo fim da temporada de balanços do segundo trimestre e pelas tensões quanto ao risco fiscal. A inflação também segue preocupando, no Brasil e lá fora. Politicamente, Brasília tem gerado muitos rumores, com conflito entre poderes e projetos de emendas constitucionais. Confira o resumo do que rolou.
Destaques no exterior
Lá fora, é grande a expectativa pela sinalização de início do tapering (retirada de estímulos da economia) e de subida de juros – o que afeta diretamente o Brasil, já que os atuais juros zerados americanos favorecem o investimento estrangeiro por aqui, onde a Selic está em tendência de alta.
Para mudar sua política monetária, o comitê do Federal Reserve (Fed), banco central americano, vem acompanhando a evolução do mercado de trabalho e também a inflação. E os dados têm vindo conflitantes.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) dos EUA segue em trajetória de alta, tendo subido 1% em julho, acima da projeção de 0,6%. Na comparação anual, a alta é de 7,8%, também acima da expectativa de 7,3%.
No entanto, o Índice de Preços ao Consumidor veio em linha com o que o mercado aguardava, o que foi interpretado como uma possível desaceleração na alta dos preços.
Já em relação ao mercado de trabalho, os novos pedidos de seguro-desemprego ficaram em 375 mil, exatamente como previa o mercado, com desaceleração em relação à semana anterior (387 mil revisados de 385 mil). O dado positivo sobre mercado de trabalho vai ao encontro do payroll e do relatório Jolts.
Brasil: IR, inflação e risco fiscal no radar
Já no Brasil, seguem as preocupações com o risco fiscal. A PEC dos precatórios demanda atenção. Ela propõe a correção de dívidas da União já julgadas pela Justiça utilizando a Selic e não mais o IPCA, além do parcelamento de valores acima de R$ 66 milhões em 10 vezes. Ao mesmo tempo em que alguns especialistas consideram a manobra uma “pedalada fiscal”, o que afugenta o investidor, ela abre espaço no orçamento para gastos extras, tendo uma eleição à vista. Ou seja, ela levanta dúvidas quanto à austeridade.
Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, se não for possível parcelar os precatórios, o teto de gastos será estourado.
Paralelamente, discute-se qual será o valor do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. O presidente Jair Bolsonaro quer pelo menos 50% de aumento, valendo a partir de novembro.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já fez alerta sobre o impacto das incertezas fiscais sobre as expectativas de inflação no país.
Por fim, a votação da reforma do imposto de renda deve ficar para a próxima semana. Ela deveria já ter sido votada, mas foi adiada, ainda sem nova data. A última versão apresentada pelo relator (que já é a quarta) ainda encontra resistência de diversos setores.
Os principais indicadores da semana
Ata do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata de sua última reunião, na qual promoveu a alta da Selic de 4,25% para 5,25%.
No documento, o Copom justifica o avanço mais agressivo da taxa de juros – de 1 ponto porcentual, ante 0,75 dos três aumentos anteriores -, como uma medida para assegurar as metas de inflação para 2022 e 2023.
Para a próxima reunião, que acontece dias 21 e 22 de setembro, o comitê já adianta mais um ajuste de 1 ponto, salientando que as altas de juros serão promovidas, sem interrupção, para além do nível neutro de estímulo econômico.
Selic a 7,25% até dezembro
O último Boletim Focus trouxe nova projeção de alta do mercado para a Selic – de 7% para 7,25% – era 6,63% há quatro semanas. A inflação também foi revisada para cima, com IPCA chegando a 6,88%, ante 6,79% da semana anterior.
IPCA acima da projeção
O IPCA, indicador oficial de inflação, veio acima da projeção, subindo 0,96% e batendo 8,99% nos últimos 12 meses. Vale lembrar que o teto da meta para este ano é 5,25%.
O grupo serviços, que acelerou de 0,23% para 0,67%, é o que mais assusta para as próximas leituras, com a retomada da atividade econômica no segundo semestre, graças ao avanço da vacinação, o que deve pressionar ainda mais o IPCA.
Prévia do PIB acima da projeção
Considerado prévia do PIB, o Banco Central divulgou na última sexta-feira (13) o IBC-Br, Índice de atividade econômica de junho. O indicador avançou 1,14% em junho, bem acima da projeção de alta de 0,50%.
Varejo decepciona, mas Serviços surpreendem positivamente
Após dois meses consecutivos de crescimento, as vendas do varejo recuaram 1,7% em junho ante maio, em termos de volume, na série com ajuste sazonal.
O resultado contrariou as expectativas de alta de 0,7%, sendo a maior retração do setor no ano e a segunda maior para um mês de junho da série histórica do IBGE, iniciada em 2000.
Ainda assim, o varejo está 2,6% acima do patamar pré-pandemia. Na comparação com junho de 2020, a alta é de 6,3%.
Após o resultado decepcionante do varejo, o setor de serviços surpreendeu, com alta de 1,7% na passagem de maio para junho, alcançando o patamar mais elevado desde maio de 2016.
O resultado é bem superior à projeção de alta de 0,2% do mercado. Em relação a junho de 2020, o avanço é de 21,1%, sendo a quarta taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, o setor cresceu 9,5%. Em 12 meses, o crescimento é de 0,4%. Vale lembrar que o setor é o de maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.