O nó na relação entre o presidente Jair Bolsonaro Sérgio Moro é mesmo a eleição de 2022, diz texto da consultoria Traumann, do jornalista Thomas Traumann, que avalia os bastidores de Brasília. Há outro ponto, porém: “O impasse do curto prazo é o comando da Polícia Federal e as investigações sobre corrupção do filho primogênito Flavio Bolsonaro.”
O presidente, lembra a Traumann, “passou a desconfiar de Moro quando soube que, em maio, o ministro pediu ao presidente do STF, Dias Toffoli, que mantivesse o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) investigando Flavio.”
100% leal?
Bolsonaro passou a ter certeza “de que o ministro não era 100% leal quando soube das investigações da Polícia Federal sobre a relação do ex-assessor da família Fabrício Queiroz com as milícias.”
Segundo a consultoria, “o presidente esperava que Moro fosse colocar uma pedra nas investigações. Isso não aconteceu até agora, embora seja digno de registro o cuidado que a PF tem tido com a família presidencial.”
Na sexta-feira (24), apesar do recuo presidencial em tirar a pasta Segurança Pública do ministério da Justiça, “Moro não estava tranquilo”.
Sem a PF
O ministro “considerava que em breve o presidente lhe irá cobrar demonstrações de lealdade. A mais provável é a saída do superintendente da Polícia Federal, Maurício Valeixo, escolhido por Moro. Para o seu lugar, o presidente gostaria do atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, indicado por Alberto Fraga.”
A questão é que, sem a PF, “ao Ministério da Justiça sobra cuidar de política indigenista e direitos do
consumidor. Muito pouco para uma personalidade como Moro”, completa a consultoria.






