Os mercados futuros globais iniciam esta terça-feira (3) sob forte aversão a risco, à medida que o conflito no Oriente Médio entra no quarto dia sem sinais de arrefecimento. A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã eleva os temores inflacionários, impulsiona o petróleo e derruba bolsas ao redor do mundo.
Em Nova York, os futuros operam em queda firme. Às 6h50, o S&P 500 Futuro recuava 1,52%, enquanto o Nasdaq caía 2%. O Dow Jones Futuro também registrava baixa superior a 1%. Na segunda-feira, o Dow já havia fechado com queda de 1,83% e o S&P 500 recuado 1,96%.
O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), principal termômetro das ações brasileiras em Nova York, caía 2,4% no pré-market, após fechar a segunda-feira a US$ 38,64. Antes da abertura, era negociado a US$ 37,51.
Estreito de Ormuz amplia tensão
O epicentro da tensão segue sendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo. Um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que a passagem estaria fechada e ameaçou incendiar embarcações que tentassem atravessá-la, segundo a Reuters.
Já a Defesa dos Estados Unidos declarou que a rota permanece aberta, em meio a uma guerra de narrativas. Na noite anterior, Israel anunciou uma nova onda de ataques contra Teerã, enquanto o Irã intensificou ofensivas com mísseis e drones contra países do Golfo. O Líbano também foi alvo de ataques israelenses em resposta ao Hezbollah.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação pode se estender por quatro a cinco semanas, aumentando a incerteza sobre a duração do conflito.
Além do petróleo, cresce a preocupação com o gás natural. O Catar interrompeu a produção após ataques iranianos, o que levou o gás europeu a disparar e reforçou os receios de choque energético global.
Bolsas globais despencam
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 2,61%, após ter fechado na mínima em mais de duas semanas na véspera. Entre os principais mercados, o FTSE 100 recuava 2,26% e o CAC 40 perdia 2,33%.
Na Ásia, o movimento foi ainda mais intenso. O Kospi, da Coreia do Sul, despencou 7,2%, no pior pregão em 19 meses. O Nikkei, no Japão, caiu 3,06%, enquanto o índice de Xangai recuou 3,24%.
A região teme impactos diretos caso haja restrição efetiva ao tráfego no Estreito de Ormuz, especialmente países dependentes de importação de energia, como o Japão.
Petróleo dispara e juros sobem
O petróleo segue em forte alta. O WTI subia 5,21%, a US$ 74,94 o barril, enquanto o Brent avançava 5,11%, a US$ 81,71.
O movimento reforça as apostas de que o Federal Reserve pode manter os juros elevados por mais tempo. Os rendimentos dos Treasuries avançam pelo segundo dia consecutivo: o título de 10 anos pagava 4,103%, acima dos 4,040% do fechamento anterior, enquanto o de 2 anos subia para 3,555%.
O índice do dólar (DXY) avançava 0,76%, a 99,124 pontos.
O Bitcoin recuava 3,75%, a US$ 66.575, após oscilar fortemente na segunda-feira.
O ouro, tradicional ativo de segurança, caía 0,53%.
Investidores acompanham nesta terça discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre a trajetória dos juros. John Williams fala às 11h55, Jeffrey Schmid às 12h10 e Neel Kashkari às 13h45.
Na zona do euro, o destaque é a leitura preliminar da inflação de fevereiro.
Brasil: PIB e Caged no radar
No mercado doméstico, o foco se volta para a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025 pelo IBGE. A expectativa é de alta de 0,1% na comparação trimestral e avanço de 1,7% na base anual. Para o acumulado de 2025, a projeção é de crescimento de 2,3%.
O dado deve confirmar a desaceleração iniciada no segundo trimestre do ano passado e intensificada ao longo do segundo semestre.
Também será divulgado o Caged de janeiro, com expectativa de saldo positivo de 104 mil vagas formais.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,28%, aos 189.307 pontos. O dólar à vista subiu 0,62%, encerrando cotado a R$ 5,16.
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Empresas no radar
No noticiário corporativo, a Stone (STNE; STOC31) reportou lucro líquido ajustado de R$ 706,9 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 12,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já a Rede Pague Menos (PGMN3) protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de registro de oferta pública de ações, primária e secundária, que pode movimentar até R$ 900 milhões.






