A agenda econômica da semana entre 7 e 11 de dezembro promete ser recheada, com divulgação do IPCA e reunião do Copom, entre outros assuntos.
A semana começará com a divulgação dos indicadores do mercado de trabalho (IGP-DI) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e dos indicadores industriais pela CNI na segunda-feira, mas é na terça que um novo panorama sobre o cenário da economia do País poderá ganhar novos rumos.
IPCA
O IBGE fará a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na comparação mês a mês (novembro 2020/novembro 2019) e ano a ano (2020 x 2019).
Os dados mais recentes divulgados sobre o indicador, considerado a prévia da inflação, foram no último dia 24, com o IPCA-15 registrando alta de 0,81% em novembro, contra alta de 0,94% em outubro.
A estimativa da Mirael Asset para o novo boletim é que o IPCA registre alta de 0,71% no comparativo mês x mês e de 4,13% no ano x ano.
Até agora, em 2020, o IPCA-15 acumula alta de 3,13%. Em 12 meses, o indicador sobe 4,22%, superando também a meta de inflação do governo para o ano, de 4%. É ainda a maior alta para o mês de novembro desde 2015. Em novembro de 2019, a taxa foi de 0,14%.
Reunião do Copom mobiliza a quarta
Todos os olhos do setor econômico estarão voltados para o resultado da reunião do Copom, marcada para esta quarta-feira, a partir das 18h30 (novo horário).
A expectativa é pela manutenção da taxa de juros básica (Selic) em 2% ao ano pelo Banco Central.
Apesar de as projeções mais recentes apontarem para a manutenção da Selic, o cenário deve mudar para 2021 – o que fará com que o mercado olhe atentamente o comunicado do Copom.
O Focus, que semanalmente traz as projeções de 200 instituições financeiras, aponta Selic a 2% até o final deste ano, mas para o encerramento do próximo ano a taxa deve subir a 3% ao ano.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
A manutenção da Selic em um patamar mais baixo, como o atual, favorece o crédito, que, em teoria, fica mais barato e, com isso, incentiva o consumo de bens e também a produção.
Por outro lado, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Vendas no varejo
A agenda da semana inclui também o anúncio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) sobre vendas no varejo, e os dados mais recentes do setor no Brasil estão programados para sair na quinta-feira.
O indicador, que teve recuos em março e abril, vem mostrando recuperação desde o início da flexibilização das normas de isolamento social e a consequente reabertura gradual do comércio. O PMC registrou, em seu último balanço, o quinto mês consecutivo de crescimento, com alta de 0,6%.
“Trata-se de uma diminuição do ritmo de crescimento nos volumes do varejo nacional. A desaceleração é natural e representa uma acomodação, porque as quedas de março e abril foram muito expressivas, o que fez com que os meses seguintes de recuperação também tivessem altas intensas. A desaceleração é como se a série estivesse voltando à normalidade”, analisou o gerente da PMC, Cristiano Santos
Em 2020, desde o início da pandemia, 135 mil lojas abaixaram as portas, principalmente players menores. O varejo de vestuário foi um dos mais impactados pela pandemia de Covid-19. Isso por causa das medidas de isolamento social que levaram ao fechamento de lojas físicas.
Mesmo com a reabertura após a fase mais aguda da pandemia, as vendas nas varejistas de vestuário com ações em bolsa, como Lojas Renner (LREN3), Guararapes-Riachuelo (GUAR3), C&A (CEAB3) e Hering (HGTX3) no terceiro trimestre ainda ficaram abaixo do registrado no mesmo período de 2019.
Até o início de 2020, a visão otimista do setor foi baseada em uma recuperação econômica gradual e na correlação com o desempenho das empresas. Agora, com alguns segmentos não voltando aos níveis de vendas de 2019 no próximo ano, o BTG vê o varejo muito mais como uma consolidação (ou de mais ganhos de market share) envolvendo empresas bem administradas e capitalizadas.
Destaques da agenda econômica no exterior
Fora do âmbito nacional, a agenda econômica da semana entre os dias 7 e 11 de dezembro tem como principais assuntos a divulgação do PIB da zona do euro do 3T20, marcada para esta terça-feira, mesmo dia em que a China divulgará os índices da inflação no país.
A Europa volta a ficar no foco na quinta-feira, dia em que o Banco Central Europeu (BCE) terá reunião para definir a possível concessão de novos estímulos financeiros para a zona do euro, o que deve se concretizar em cima do PIB que será divulgado dois dias antes.
Na quarta-feira, os Estados Unidos divulgarão os relatórios mais recentes sobre os estoques de petróleo, enquanto na sexta-feira, mesmo dia em que o índice de inflação no Brasil será divulgado, os norte-americanos ficarão sabendo como anda a confiança do consumidor por lá.
Há ainda a expectativa pela divulgação de um novo pacote de medidas econômicas voltadas para aquecer a economia dos Estados Unidos após o agravamento da crise provocada pela segunda onda da pandemia da Covid-19.
Veja agenda completa:
Segunda-feira (7)
- IGP-DI – FGV (Brasil), às 8h00
- Boletim Focus – BCB (Brasil), às 8h25
- Balança comercial semanal – Secint (Brasil), às 15h00
- Crédito ao consumidor – Fed (EUA), às 17h00
Terça-feira (8)
- IPC-S – FGV (Brasil), às 8h00
- IPCA – IBGE (Brasil), às 9h00
- Leilão tradicional (NTN-B), às 11h30
- Emprego e PIB – Eurostat (Zona do Euro), às 7h00
- PPI e CPI – NBS (China), às 22h30
Quarta-feira (9)
- IPC – Fipe (Brasil), às 5h00
- IGP-M 1ª prévia – FGV (Brasil), às 8h00
- Produção Industrial regional – IBGE (Brasil), às 9h00
- Taxa Selic – Copom (Brasil), às 18h30
Quinta-feira (10)
- Vendas do varejo de outubro – IBGE (Brasil), às 9h00
- Leilão Tradicional (LTN e NTN-F), às 11h30
- Fluxo Cambial – BCB (Brasil), às 14h30
- Taxa de juros – BC da Zona do Euro, às 9h45
- CPI (EUA), às 10h30
- Pedidos de auxílio-desemprego (EUA), às 10h30
- Resultado fiscal – Tesouro (EUA), às 16h00
Sexta-feira (11)
- Volume de serviços – IBGE (Brasil), às 9h00
- PPI (EUA), às 10h30
- Confiança do consumidor – Michigan (EUA), às 12h00.