Com dificuldade em manter os 130 mil pontos nesta quinta-feira (10), o Ibovespa opera entre perdas e ganhos, registrando leve alta de 0,37%, às 15h30, aos 130.384 pontos.
Os investidores seguem com o radar em atenção com a inflação aqui no Brasil e no exterior.
O Ibovespa pega carona no otimismo de Wall Street. Em Nova York, a alta de 0,6% na inflação ao consumidor em maio, pouco acima dos 0,5% esperados, parece não ter impactado o mercado.
No Brasil, o resultado do IPCA de ontem colocou mais pressão para a alta da Selic, taxa básica de juros.
Dessa forma, o mercado continua na ansiedade com a próxima reunião do Copom acontece entre terça e quarta-feira (15 e 16).
A estimativa continua num aumento de pelo menos 0,75 ponto porcentual, como o Copom já havia sinalizado na ata da reunião anterior, e um discurso mais duro.
O que mais mexe no Ibovespa
Após saltos do varejo de abril e do IPCA de maio, o resultado de serviços, que saíra amanhã pela manhã, completa a trinca de indicadores atentamente considerados pelo Banco Central antes de sua decisão de juros.
De toda forma, a aceleração da inflação, a maior em 25 anos, aumentou a pressão para que a autarquia eleve a taxa Selic acima do nível neutro.
Já no campo das prometidas reformas, a comissão especial da Administrativa foi instalada.
O plano da comissão será apresentado apenas na semana que vem. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o deputado e relator, Arthur Maia, falou que a Câmara pode incluir Judiciário e Ministério Público entre as categorias abrangidas pela reforma.
Entretanto, com atrasos, a votação da Medida Provisória que permite a capitalização da Eletrobras (ELET3, ELET6) deve ser realizada apenas semana que vem.
Exterior
Nos Estados Unidos, o principal tema do dia é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI em inglês). O índice subiu 0,6% em maio, ante projeção de 0,4% e leitura anterior de 0,8%. A variação anual é de 5%, quando o mercado aguardava 4,7%. A alta é a maior já registrada desde 2008. O núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, subiu 0,7%, quando a projeção era de 0,4%. Na base anual, a variação é de 3,8%, também acima da projeção de 3,4%.
A inflação americana é foco do investidor porque o avanço dela sinaliza que o Federal Reserve (Fed) poderá alterar sua política de estímulos mais cedo do que o inicialmente projetado (2023).
No entanto, por conta do último payroll – que foi favorável, mas não a ponto de mudar os rumos do Fed – a crença é que nada deve ser alterado, pelo menos até a próxima decisão do banco central americano, que acontece na próxima quarta-feira (16).
Na semana finalizada em 5 de junho, os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos ficaram em 376 mil, ante 385 mil da semana anterior. O mercado aguardava leitura pouco melhor, de 370 mil.
Este resultado é o nível mais baixo para solicitações iniciais desde março do ano passado, quando foram de 256 mil.
O dia também teve decisão do Banco Central Europeu, que manteve a taxa de juros e as compras de títulos.
Ibovespa: ações
As ações da Embraer (EMBR3) são a maior alta do Ibovespa nesta quinta. Por volta das 12h58, as ações da fabricante de jatos disparavam mais de 14%. O movimento para cima é justificado pela possível fusão da Even, controlada da Embraer com a Zanite.
Conforme reportagem da Reuters, a negociação visa possível intenção de IPO da Embraer nos Estados Unidos.
Em seguida, Braskem (BRKM5) avançava, com 4,09%. Os papéis Locaweb (LWSA3) subiam 2,68%. Por fim, as ações da B2W (BTOW3) e do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) tinham alta de 2,93% e 2,70%, respectivamente.
Dólar
Ontem, o dólar subiu 0,69%, passando a valer R$ 5,0692. A pressão sobre a moeda estrangeira diante do real veio com a divulgação da inflação oficial do Brasil, que avançou 0,83%, na maior alta para o mês em 25 anos.
Às 13h10, o dólar subia 0,25%, aos R$ 5,0748. No início do dia, a moeda estava perto da estabilidade contra o real. Entretanto, depois de uma queda por conta dos dados norte-americanos no IPC, os investidores continuam atentos às reuniões de políticas monetárias, tanto no Banco Central como no Federal Reserve.
O dólar passou a devolveu a queda intraday e subiu. O ajuste está em linha com a desaceleração das perdas da divisa americana ante moedas emergentes e ligadas a commodities, como peso mexicano.
Dólar segue tendência de baixa, mas segundo semestre pede atenção do investidor






