O grupo dos “grandes bancos brasileiros” – composto por Itaú (ITUB4), Santander Brasil (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) – registrou lucro somado de R$ 23,1 bilhões no segundo trimestre de 2021 – a quantia é 24,4% maior do que o registrado no primeiro trimestre deste ano e é a maior da história para um intervalo do tipo.
Entre o grupo, porém, há quem se destacou mais. Para o analista do Santander, Henrique Navarro, por exemplo, o Itaú agora é o “top pick” entre as quatro instituições, tomando o posto anteriormente ocupado pelo Bradesco.
Em relatório, ele apontou como positivas as mudanças das metas do Itaú, principalmente no que tange o crescimento da carteira de crédito, que passou a ser de um crescimento de 12,5% a 15,5% – anteriormente, o atual piso era o teto.
“Nós tínhamos o Bradesco como top pick desde o começo de 2021, devido às suas virtudes, mas também porque sentíamos que o Itaú estava deixando a desejar em certos aspectos. O resultado do Itaú no segundo trimestre mostrou, porém, vários pontos positivos”, afirmou em relatório.
Analistas do BTG foram no mesmo caminho, afirmando que o balanço do Itaú surpreendeu positivamente tanto pelos resultados apresentados quanto pelas mudanças positivas no guidance para 2021 envolvendo, além do crescimento dos empréstimos, ganhos com o custo de crédito, com a expectativa para provisões saindo de R$ 19 a R$ 22 bilhões para R$ 17 a R$ 20 bilhões.
“ O lucro líquido de R$ 6,5 bilhões e ROE de 18,9%, continua sua tendência de recuperação, amparada pelo bom momento do crédito. Destaque para o crédito voltado a pessoas físicas, onde a carteira cresceu 7,1% na base trimestral” comentou Matheus Amaral, do Inter, em relatório sobre o Itaú
O analista apontou ainda para o fato de que a margem financeira deve voltar a patamares mais normalizados com a alta da Selic. Anteriormente, os spreads, principalmente os relativos às PF (imobiliário, cartão de crédito e consignado), estavam mais pressionados.
O BTG foi no mesmo caminho, apontando que o gastos com provisões do Itaú, de R$ 4,7 bilhões, foi menor do que o consenso do banco – a despeito da alta na base trimestral. “Apesar de outro resultado de intermediação financeira com os clientes pouco inspirador, as melhores provisões e fortes ganhos comerciais garantiram margem financeira e risco melhor do que o esperado”, afirmaram os analistas do banco Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Vitor de Melo.
Bradesco tem balanço fraco
O resultado do Bradesco, por outro lado, foi visto, majoritariamente, como mais fraco do que as expectativas.
Luis Sales, da Guide Investimentos, aponta que o banco viu sua margem financeira cair 5,2% na base anual, além de ter o seu resultado e o guidance fortemente impactados pelo segmento de seguros, com uma maior sinistralidade causada pela pandemia da covid-19.
“Vemos o resultado do Bradesco no geral, menos forte do que seus principais concorrentes”, afirmou o analista.
O BTG acompanhou a opinião. “Empréstimos cresceram, com destaque para o de pessoas físicas e PMEs, mas a margem com cliente está atrasada em relação ao crescimento da carteira de crédito e das nossas estimativas”, comentou o banco.
Para o banco de investimentos, será necessário acompanhar como o braço de seguros do Bradesco reagirá no futuro.
Para Amaral, do Inter, porém, a pressão no braço de seguros provavelmente é temporária. “Entendemos que o Bradesco deve continuar com o tom de recuperação no segundo semestre”, afirmou.
Banco do Brasil surpreende no lucro líquido mas crédito frustra
O Banco do Brasil, para o analista do Itaú BBA Pedro Leduc, surpreendeu positivamente ao se avaliar o lucro líquido, de R$ 3,199 bilhões, com menores gastos com provisões e com impostos.
O crescimento da carteira de crédito, de 1% na base trimestral, porém, não surpreendeu. “Foi um crescimento modesto da carteira de crédito, apesar do melhor mix. Mesmo assim, os spreads caíram 10 pontos-base. O lucro antes dos impostos foi apenas 2% acima de nossa estimativa”, afirmou.
O BTG apontou para a mudança de guidance da instituição, uma vez que o BB atualizou o ponto médio do crescimento da margem financeira de 4,5% para 2%, das provisões para perdas com empréstimos de R$ 15,5 bilhões para R$ 14 bilhões e o aumento a previsão de faturamento em R$ 1 bilhão acima do guidance superior.
Por último, os analistas do BTG comentaram sobre o Santander Brasil, que, para eles, teve um bom trimestre – o último do CEO Sergio Rial à frente do banco -, com lucro líquido de R$ ,2 bilhões 6% acima do consenso da casa.
Apesar de ficar aquém do desempenho nos três meses imediatamente anteriores, segundo os analistas do banco de investimentos, “a margem financeira bruta com clientes cresceu e as despesas operacionais e outros gastos mais uma vez melhoraram”
O BB Investimentos mencionou como destaque o crescimento da carteira de crédito, favorecida pelo varejo e as receitas de serviços e tarifas, com bom desempenho dos segmentos de cartões e seguros.
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