Em tempos de Selic na mínima histórica, cada vez mais o mercado está atento às oportunidades da renda variável. E, com a expectativa de que os IPOs se mantenham em alta em 2021, a flipagem continua sendo uma alternativa de ganhos no curtíssimo prazo.
A seguir, entenda como funciona a flipagem, e descubra quais as oportunidades e riscos envolvidos nessa técnica.
O que é flipagem?
Flipagem vem do verbo to flip que, no inglês, significa algo que vira de forma repentina. Basicamente, a técnica consiste em adquirir ações de uma empresa na véspera do seu IPO (oferta pública inicial) para imediatamente vendê-las quando forem lançadas ao público.
Em outras palavras, a flipagem é uma forma de especulação, pois permite que o investidor ganhe com a volatilidade dos preços das ações estreantes. Isso porque os IPOs são momentos muito esperados, tanto pelas empresas que abrem capital quanto pelo mercado financeiro.
Se a empresa tiver boa estrutura financeira e se o mercado estiver muito otimista, os papéis poderão atingir preços elevados no dia do IPO.
Como funciona a flipagem
Normalmente, a reserva de cotas de um IPO inicia de um a dois meses antes da data da oferta pública no mercado. Durante esse período, o flipper (especulador que pratica a flipagem) fica atento a todos os movimentos em relação à companhia, para saber se vale a pena ou fazer a reserva.
Como se trata de uma operação de alto risco (afinal, não há nenhuma garantia de que os preços subam no IPO), o flipper faz um estudo prévio de alguns pontos relativos à companhia estreante.
Segmento de atuação
Empresas que pertencem a setores mais aquecidos da economia tendem a ter uma performance melhor de suas ações nos IPOs.
Volume de negociação
Quanto maior for o volume de ações negociadas no IPO, mais oportunidades de sucesso o flipper terá em sua estratégia. Isso porque os maiores IPOs costumam atrair investidores institucionais, como bancos e fundos de investimento.
Book de ofertas
Outro ponto importante para o flipper é analisar o book de ofertas. Nesse registro, ele pode ver as intenções de compra e venda das ações e as respectivas movimentações de preços.
A situação ideal para o flipper é quando o book de ofertas registrar volume de compras maior do que o de vendas. Isso aponta para chances de valorização da ação.
Prazo de liquidação da oferta
Após a oferta inicial, o investidor tem alguns dias para efetuar o pagamento das ações eu adquiriu. Nesse caso, quanto maior for o prazo de liquidação, mais vantajosa pode ser a flipagem. Isso porque, se não ocorrer a valorização esperada, há mais tempo para o investidor se organizar no caso de prejuízo.
https://www.euqueroinvestir.com/ipo-confira-lista-aqui/
Efeitos da flipagem
A especulação de curtíssimo prazo interfere na formação dos preços das ações. Por isso, alguns IPOs utilizam um mecanismo para tentar controlar essa prática, chamado lock-up.
Lock-up: como funciona
Basicamente, o lock-up é uma cláusula contratual que proíbe os investidores de venderem os títulos logo que são adquiridos. Nesse sentido, não há um prazo específico para a sua duração. Ou seja, essa restrição pode ser de alguns dias, meses ou, em determinados casos, de até alguns anos.
Além de neutralizar a volatilidade das ações, o lock-up protege os novos investidores contra possíveis informações privilegiadas dos atuais acionistas. Dessa forma, as negociações ficam mais transparentes e seguras.
No início, esse mecanismo era restrito apenas aos sócios e à diretoria da empresa. Porém, com a grande quantidade de IPOs nos últimos anos, ele foi ampliado. O motivo para isso é conceder proteção a um número maior de investidores.
O lock-up é um bom mecanismo para reduzir a especulação e, com isso, estimular a cultura de longo prazo nos investimentos. Porém, não há garantia de que ele possa neutralizar totalmente a volatilidade das ações, pois os preços dos títulos dependerão dos fundamentos da empresa.
O lock-up é obrigatório?
Nem todos os IPOs possuem cláusula de lock-up. Além disso, algumas companhias dividem os potenciais investidores em dois grupos: os que aceitam o mecanismo e os que não desejam essa restrição. Como as empresas preferem o primeiro grupo, acabam destinando para ele a maior parte das novas cotas.