O governo americano pediu que o Brasil seja priorizado na fila dos países que pleiteiam uma vaga de membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prioridade, antes, era da Argentina, mas agora o quadro se alterou.
Autoridade do departamento de Estado americano afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (16) que a decisão tem relação com o fato de a Argentina dar mais importância, neste momento, à renegociação da dívida pública do que à adesão à OCDE: “ao mesmo tempo o Brasil realmente queria seguir adiante nisso, então apoiamos fortemente a candidatura deles. Mas são duas ações independentes”.
O chanceler Ernesto Araújo deve se encontrar com o Secretário de Estado, Mike Pompeo (foto), em Bogotá, na semana que vem. A expectativa é que Pompeo reafirme a prioridade do Brasil e o apoio de seu país, além de debater a parceria entre os dois estados na “luta global contra o terrorismo”.
Mudança
Segundo reportagem do Portal Terra, “o governo Trump mudou de posição sobre a fila de candidatos da OCDE nesta semana. Até agora, os EUA vinham se comprometendo com o apoio ao pleito brasileiro de entrar na OCDE, sem indicar formalmente em que posição o Brasil ocuparia na ‘fila’ de candidatos, o que deixava o país no limbo. A mudança aconteceu depois da entrada do novo governo Argentino e da cobrança da diplomacia brasileira por um sinal mais claro, depois de o Brasil ter mostrado alinhamento com os americanos”.
O governo eleito e que já tomou posse na Argentina tem um alinhamento à esquerda no espectro ideológico.
Promessa
Donald Trump e Jair Bolsonaro se encontraram pela primeira vez em março de 2019, na Casa Branca. Foi nessa ocasião, com troca de afagos, que os EUA prometeram apoio à candidatura brasileira.
Em agosto, no entanto, a agência Bloomberg revelou que o secretário de Estado, Mike Pompeo, enviara carta à organização na qual manifestou o apoio dos EUA à entrada da Argentina e da Romênia. O Brasil sequer era mencionado.
A partir daí, o Itamaraty vem cobrando que os americanos somem às declarações de apoio à entrada do País na OCDE um cronograma claro de adesão que contemplasse o Brasil.
Desde a eleição de Alberto Fernández, já se especulava, dentro do governo brasileiro, que o processo de adesão da Argentina poderia perder força. A OCDE era uma prioridade do governo Maurício Macri.
O que os EUA defendem é uma expansão lenta da OCDE. Já os europeus defendem a adesão imediata dos seus candidatos atuais, Brasil incluso. Se a tese europeia prevalecesse, a fila zeraria e Argentina e Brasil estariam na OCDE.






